Evelyn Ioschpe

presidente do Instituto Arte na Escola

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Qual o diagnóstico que você faz da educação básica no Brasil? Quais os principais problemas, avanços e retrocessos que a educação vive?







Há uma visão compartilhada por todos de que o avanço quantitativo que tivemos na última década, praticamente universalizando o ensino fundamental no Brasil, é o maior e mais importante avanço – e, complementarmente, que agora precisamos investir na qualidade. O afluxo de um grande contingente de alunos que estavam marginalizados do sistema tornou ainda mais agudas as deficiências e hoje é necessário dar formação superior a quase metade do contingente de professores que atuam no país. 

Só esse desafio já seria considerável, mas sabemos, igualmente, que a formação universitária não tem sido suficiente para capacitar adequadamente o professor para a realidade complexa da sala de aula. Se em qualquer profissão é necessária atualização permanente, isso é ainda mais verdadeiro no que diz respeito às profissões do conhecimento: o professor precisa contar com uma porta de saída da “solidão pedagógica” em que se encontra e ter acesso a um processo de educação continuada em conjunto com seus pares, em que possa ter uma interlocução qualificada.



Outro grande desafio que temos neste país complexo que é o Brasil é como tornar o investimento maciço que tem sido destinado historicamente à educação universitária para irrigar a área de maior necessidade: o ensino fundamental. Considerando a distorção do modelo de financiamento praticado, que beneficia sobremaneira a universidade em detrimento da escola fundamental, precisamos com urgência desenhar políticas públicas que gerem um movimento compensatório por meio do qual as universidades socializem os seus saberes, devolvendo à sociedade os resultados do investimento que recebem.



 





Na sua opinião, qual é o principal desafio para alavancar o desenvolvimento e a qualidade da educação em nosso país?





Formação continuada de professores, motivação continuada de professores, mobilização continuada de professores. Quando todos os professores tiverem clareza sobre a importância de seu papel e efetivamente se sentirem comprometidos com a missão de educar, teremos um cenário muito diferente do atual. Para que isso ocorra, no entanto, a sociedade como um todo precisa ter clareza sobre a importância e a prioridade da educação para o desenvolvimento do país. É preciso, igualmente, saber que essa não é uma missão para ir fazendo. Não: a educação é uma absoluta prioridade e só quando for essa a prioridade teremos progresso.




 





Qual é o papel do Terceiro Setor na educação hoje?





O Terceiro Setor é um laboratório de tecnologias sociais – é o local onde novas metodologias podem ser desenvolvidas e testadas, sem o compromisso com a escala que o poder público, por exemplo, tem. O Terceiro Setor tem desenvolvido tecnologias sociais, sobretudo na área de educação – área de concentração da maior parte das fundações brasileiras. Por essa razão, podemos olhar para o que está ocorrendo nesse segmento e esperar que daí surjam as soluções que depois poderão ser utilizadas pelas políticas públicas, gerando mudança social. 




 





Da forma como a educação está sendo administrada atualmente, como você vê a área daqui a dez anos?





Infelizmente a projeção não é nada alvissareira: a progressão das sociedades mais avançadas do Hemisfério Norte na melhoria dos processos educacionais é exponencial, o que significa que o Brasil vem perdendo posição em progressão geométrica. Se não houver uma reversão importante, estaremos, dentro de dez anos, com crianças e jovens muito mais defasados de seus pares no mundo, num cenário cada vez mais globalizado. Teremos, portanto, uma população incapaz de competir e buscar um lugar ao sol.




 


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