Eurize Caldas Pessanha

Universidade Federal de Mato Grosso do Sul

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Qual o diagnóstico que você faz da educação básica no Brasil? Quais os principais problemas, avanços e retrocessos que a educação vive?





Não é fácil fazer um diagnóstico da educação básica brasileira porque as informações de que dispomos nem sempre são confiáveis e o acesso às informações mais precisas e confiáveis nem sempre é fácil. Refiro-me às informações sobre cobertura de atendimento, financiamento, distribuição e aplicação de recursos bem como as análises qualitativas. Mesmo assim, posso arriscar um “diagnóstico” de múltiplos sentidos. Se, por um lado, pode-se afirmar que aumentou o acesso da população à educação básica, com maior número de vagas, por outro lado, não é tão fácil avaliar a qualidade dessa educação. No entanto, é preciso que se registre que a possibilidade de estar em uma escola por um tempo determinado, mesmo que curto, é uma conquista para grande parte da população brasileira que foi privada desse acesso por muito tempo. Esse foi um avanço importante.






Quanto aos retrocessos, não compartilho da opinião de alguns educadores de que a educação já foi melhor. Mesmo porque ainda não conseguimos definir esse critério de “melhor”, que é sempre relativo à fração de classe que o utiliza. Nesse sentido não me cabe falar de retrocessos, mas de avanços tão pequenos que parecem imperceptíveis e dificultam a formulação de propostas de ação.





 






Na sua opinião, qual é o principal desafio para alavancar o desenvolvimento e a qualidade da educação em nosso país?






O desafio principal é transformar o simples acesso à escolarização em conquista. Isto é, possibilitar que o acesso à escola se transforme em acesso à humanização que o saber pode conferir. Essa transformação, em última análise, estaria nas mãos dos professores e professoras, não como ação de vontade individual, mas como ação coletiva das políticas públicas.






 






Na sua avaliação, os cursos de formação de educadores no Brasil conseguem preparar o professor para a sala de aula? Se sim ou não, por quê?






Sou professora dos cursos de formação de professores desde a década de 60. Como pesquisadora, concluí que a influência dos cursos de formação na prática dos professores precisa ser minimizada, uma vez que essa prática está sujeita a múltiplas determinações entre as quais as determinações de classe. Por isso não consigo pensar se esses cursos preparam ou não. Posso apenas afirmar que os cursos de formação de professores vêm sendo um espaço de reflexão e crítica, inclusive das políticas de formação de professores e que, nesse sentido, eles preparam os professores. Claro que não estou me referindo aos cursos cujos objetivos imediatos são “capacitar professores”, traduzindo-se capacitar por fornecer diplomas. Preocupam-me, sobremaneira, as propostas de diretrizes para os cursos de formação que evidenciam uma tentativa de aligeiramento, ao reduzir as exigências desses cursos e ao desvincular docência de pesquisa.




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