Eu, tu, eles

A orientação de crianças e jovens passa pela educação sexual de pais e professores, defende sexólogo

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Para o sexólogo Marcos Ribeiro, muitos dos problemas sexuais enfrentados na idade adulta poderiam ser evitados com melhor educação. Nesta entrevista à
Educação

, ele fala sobre o trabalho do Centro de Orientação e Educação Sexual (Cores), ONG da qual é diretor-geral, e sobre temas abordados em seu livro mais recente,
Sexo: Como Orientar seu Filho

(Planeta, 170 págs, R$ 32).




 





Como as escolas podem lidar com casos de exposição sexual na internet?





O trabalho de educação sexual é muito importante nesse sentido. A escola que objetiva pensar seriamente no seu aluno, com uma proposta pedagógica consistente, não pode excluir a sexualidade da discussão. Essas novas formas de comunicação podem ser trabalhadas e até serem instrumentos pedagógicos. Por exemplo: criar um
blog

de orientação – adolescente orientando adolescente, com a supervisão do professor. Ou criar uma comunidade no Orkut, de ajuda às outras pessoas, como crianças desaparecidas. Ou seja, exercendo ao pé da letra a solidariedade e o sentido de cidadania.






 







Cite exemplos de casos emblemáticos em que escolas enfrentaram problemas relativos à sexualidade.





Em uma escola do Rio de Janeiro, a responsável pela limpeza encontrou três alunos da 3ª série no banheiro, fazendo sexo oral. Em Recife, um aluno de educação infantil se masturbou na sala de aula. Podemos citar, também, um colégio de Brasília em que o pai de um dos alunos ia buscá-lo com o namorado e a turma “zoava” o colega por causa da situação. Em uma escola de São Paulo, os professores ficavam em pânico por saber que uma de suas alunas era soropositiva, tinha o vírus da Aids. Todas essas situações podem acontecer no cotidiano escolar de qualquer instituição de ensino do país, seja ela pública ou privada.




 





Como a escola pode se comportar diante de situações como essas?





A meta de um bom trabalho de educação sexual é a preparação dos professores para lidar com tudo isso e aproveitar cada situação com habilidade, sem discriminação ou preconceito, para fazer com que os alunos pensem numa sociedade mais igualitária. É o que o Cores faz em sua prática pedagógica. O livro
Sexo: Como Orientar Seu Filho

também apresenta essa proposta. Só vamos conseguir orientar nossas crianças e jovens com a educação dos pais e dos professores, que poderão refletir sobre sua própria sexualidade.






 







Por que há tanta resistência em trabalhar a sexualidade antes da adolescência?







A adolescência apresenta muitas evidências de que a sexualidade começa a despertar: a menarca [
primeira menstruação

] e o crescimento dos seios nas meninas, a ejaculação e o crescimento do órgão sexual nos meninos. A sexualidade bate à porta sem pedir licença. Com tudo tão evidente, pai e mãe até admitem que o assunto seja falado em casa, mas não abertamente. Por outro lado, ainda hoje a sexualidade é vista como algo feio, sujo e pecaminoso. Sendo assim, como imaginar que seu filho indefeso e inocente pode ter manifestações pornográficas? Esse conceito é bem mais desenvolvido com as meninas, pois com os garotos há um incentivo da sexualidade o tempo todo. Não como algo saudável, mas para provar que o filho é homem, o “machão” que vai “pegar” todas as meninas.









Reportagem: Faoze Chibli






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