Estação do conhecimento

Pesquisador propõe que bibliotecas se tornem “ambientes de informação” e privilegiem também a aprendizagem

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Professor de pós-graduação na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, autor de
Confinamento Cultural, Infância e Leitura

(Summus, 112 págs., R$ 20,50), Edmir Perrotti combate a política da simples distribuição de livros e atenta para a importância da mediação e dos espaços de leitura no processo de “apropriação cultural”.




As escolas particulares já praticam o conceito de “estação do conhecimento” ou têm ainda uma postura conservadora sobre bibliotecas?


O conceito de “estação do conhecimento” resulta de uma série de pesquisas sobre ambientes de informação em educação por nós criados, implantados e desenvolvidos em cooperação com organismos educacionais e culturais diversos. Não houve tempo, ainda, para sua circulação e incorporação social ampla. Há um tempo para a pesquisa, outro para a apropriação social dos resultados. Convém ressaltar, também, que esse conceito considera, mas ultrapassa, o de biblioteca escolar ou de biblioteca pública. É ambiente de informação, destinado não somente ao acesso, mas, sobretudo, a aprendizagens informacionais e culturais próprias e específicas dos tempos atuais, de excesso de informações. As escolas precisam tomar consciência desse fato e introduzir tais preocupações em suas agendas, com urgência.




Como tem se desenvolvido esse conceito?


A partir de pesquisas de equipe interdisciplinar sob minha coordenação na ECA-USP. Temos trabalhado em contato com várias equipes, nacionais e internacionais. O conceito é síntese de diferentes contribuições e, sobretudo, de nossa forma especial e pouco usual de fazer pesquisa na academia: a pesquisa cooperativa. Buscamos parceiros institucionais e, com eles, a partir de hipóteses claramente definidas, desenvolvemos ambientes informacionais ainda inexistentes no país. Para nossos parceiros, trata-se de implantação de avançados serviços educativos e culturais. Para nós, de oportunidade de criação científica original, indispensável ao país.




O senhor tem atuado em programas do MEC?


Venho participando das discussões sobre as políticas de leitura, tanto na secretaria que se ocupa da educação básica como na que se ocupa da alfabetização e educação de jovens e adultos. Ambas distribuem materiais de leitura e precisam redefinir seus postulados e práticas. Por mais importante que seja, distribuir simplesmente livros não é sinônimo de promover acesso à leitura. Menos ainda sinônimo de inclusão dos sujeitos nos circuitos da escrita. Além da distribuição, são indispensáveis outras formas de mediação para a apropriação cultural.




O trabalho de incentivo abrange quais aspectos?


A leitura é
ato

e
gesto

, conforme nos ensinou Robert Escarpit. Há uma dimensão que é pessoal, única, intransferível do sujeito. Há outra que complementa e é complementada por essa, de natureza sociocultural. Em suma, é preciso olhar o leitor, mas igualmente as condições histórico-culturais em que o ato de ler ocorre. Se a leitura envolve aprendizagem, é preciso cuidar dos elementos de diferentes ordens que fazem a mediação entre as informações e os leitores: materiais de leitura, instituições (bibliotecas, salas, cantos de leitura, livrarias) e mediadores devidamente preparados.




Reportagem: Faoze Chibli




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