Escolas em harmonia

Encontro no Rio de Janeiro reúne trabalhos de educadores sobre como inserir música em sala de aula

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Alexandre Pavan*



Como o Brasil não possui um projeto nacional de incentivo à educação musical, as iniciativas que existem na área tornam-se dispersas. Raramente os professores têm a oportunidade de se reunir para trocar idéias, discutir possibilidades e se informar a respeito das experiências bem-sucedidas de como inserir a música na sala de aula.




Desde sua criação, no início dos anos 90, a Associação Brasileira de Educação Musical (Abem) tenta movimentar esse cenário com encontros que estimulam o debate sobre o ensino musical nas escolas. Este ano, a reunião acontece no Rio de Janeiro (RJ), numa parceria entre Abem, Conservatório Brasileiro de Música e Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio). Entre os dias 18 e 22 de outubro, professores e pesquisadores de música, músicos, artistas, compositores e educadores se reunirão para discutir o movimento e o caminho da educação musical no Brasil, considerando propostas e experiências relevantes nas esferas municipal, estadual, federal e da sociedade civil organizada.




O tema central é A Realidade nas Escolas e a Formação do Professor de Música: Políticas Públicas, Soluções Construídas e em Construção. Nome extenso e burocrático, mas que, segundo a Abem, será destrinchado de maneira estimulante, por meio de fóruns, cursos, oficinas e, claro, apresentações musicais.




Entre os shows agendados estão os do conjunto paulistano Palavra Cantada e do Grupo Cultural Jongo da Serrinha, uma das mais belas iniciativas de arte-educação do país. A Serrinha, no bairro de Madureira, no Rio, iniciou há quatro anos um projeto que atende cerca de 650 crianças e jovens da comunidade por meio de múltiplas atividades cujo eixo é uma manifestação artística negra e ancestral de dança e música.




O jongo foi trazido ao Brasil pelos bantos seqüestrados da região Congo-Angola durante o período colonial, quando serviam de escravos nas fazendas de açúcar e café. Essa população usava o jongo como uma forma de confraternização, dançando ao som dos tambores candongueiro e caxambu. Formavam-se rodas onde os dançarinos entravam aos pares (casais), improvisando os passos e, vez por outra, fazendo menção à umbigada (quando o dançarino encosta sua barriga na da parceira). A música era marcada pelo canto-resposta, com o solista improvisando versos livres e todos os participantes entoando o refrão.




A presença do Jongo da Serrinha no encontro da Abem revela a intenção da entidade em destacar experiências que utilizam o ensino musical não apenas como objeto pedagógico, mas como ferramenta de inclusão social.




Os preços da inscrição para o 13
o

Encontro da Abem variam entre R$ 40 (para associados e estudantes) e R$ 70 (demais profissionais). Podem ser feitas pessoalmente ou pelo correio até o dia 1
o

de outubro.





*Jornalista e co-autor do livro Populares e Eruditos




apavan@uol.com.br


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