Entenda as mudanças sofridas pelo Enem nos últimos anos

Especialistas analisam proporções tomadas pelo exame, que neste ano será realizado em 8 e 9 de novembro

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O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) que será aplicado nos próximos 8 e 9 de novembro se tornou algo muito diferente daquela prova que nasceu em 1998. Isso é evidente a começar pelo número de inscrições, que aumenta a cada edição: neste ano, foram mais de 8,7 milhões de inscritos, o que representa um crescimento de 21,6% em relação ao ano passado. Na primeira edição, foram apenas 157 mil.

O Enem cresceu não só no número de inscrições, mas nas suas funções também.As notas obtidas no exame podem ser utilizadas como forma de ingresso em cursos técnicos e no ensino superior público e privado. Financiamento estudantil, bolsas de intercâmbio e certificado do ensino médio também podem ser conquistados por meio do resultado do exame. Há ainda outro uso para o Enem: ele funciona como um sistema de avaliação das escolas de ensino médio.

Essa função do exame de medir a qualidade escolar virou tese de doutorado de Rodrigo Travitzki, professor de biologia de uma escola da rede privada de São Paulo. Com a tese Enem: limites e possibilidades do Exame Nacional do Ensino Médio enquanto indicador de qualidade escolar, Travitzki chegou à conclusão de que os resultados divulgados pelos colégios não são capazes de apontar o quanto as instituições influenciaram no aprendizado dos alunos.

Em entrevista à Revista Educação, o professor comentou aspectos e problemas encontrados no Enem e explicou as técnicas que usou em sua pesquisa, como a utilizada para revelar que fatores como o nível socioeconômico dos estudantes justificam 75% da nota das escolas no exame. Segundo a pesquisa de Travitzki, o porcentual de influência das instituições corresponde a 21% do resultado – os 4% restantes pertencem a fatores como religião e cor da pele. Confira a entrevista na íntegra.

Os múltiplos usos que o Enem passou a ter também são discutidos por José Francisco Soares, presidente do Inep e professor do programa de pós-graduação em Educação da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Em artigo, o professor critica o fato de o exame funcionar como um vestibular único nacional para todos os alunos independente da área de atuação escolhida e propõe que o assunto seja problematizado e debatido nas esferas políticas, sociais e educacionais. Confira o artigo do professor.

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