Entenda a evolução das ocupações de escolas em São Paulo

Movimento que culminou em ocupação de mais de 200 escolas estaduais por estudantes secundaristas começou em setembro e inspirou iniciativas em outras redes e países

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EE Fernão Dias Paes ocupada | Foto: Lara Deus

No dia 23 de setembro, terceiro bimestre do ano letivo, alunos, professores e funcionários da rede estadual de ensino de São Paulo receberam com surpresa a manchete da Folha de S. Paulo: “SP vai transferir mais de 1 milhão de alunos para dividir escolas por séries”. A reportagem anunciava uma reforma do ensino que visava criar mais escolas de ciclo único. O argumento da Secretaria de Educação era que a reorganização melhoraria o desempenho dos alunos. Professores, gestores e estudantes reclamaram da falta de diálogo e transparência para a tomada de decisão, o que levou ao surgimento de boatos sobre o fechamento de escolas, na medida em que os protestos começaram e se espalharam pelas unidades da rede estadual.

A oficialização das mudanças culminou no movimento de ocupação das escolas pelos estudantes secundaristas, que repercutiu na imprensa internacional e inspirou manifestações semelhantes em outros estados. Além disso, depois de pouco menos de um mês, o movimento conseguiu que o governo estadual adiasse o plano, revogando a reorganização em 2016. Confira abaixo a cronologia das ocupações.

23 de setembro: O plano de reorganização escolar foi anunciado em reportagem do jornal Folha de S. Paulo.

7 de outubro: O Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo divulga lista de 116 escolas que supostamente seriam fechadas. A Secretaria Estadual de Educação afirmava que dirigentes ainda estavam definindo mudanças.

28 de outubro: A Secretaria anuncia lista das 754 escolas que se tornariam de ciclo único em 2016. Também foram divulgados os nomes das 94 escolas fechadas, cujos prédios seriam repassados a outros órgãos.

9 de novembro: A Escola Estadual Diadema, na Grande São Paulo, foi a primeira ocupada pelos alunos.

10 de novembro: A Escola Estadual Fernão Dias Paes também é ocupada. Por ser localizada no bairro nobre de Pinheiros, na capital, o movimento ganha destaque na mídia e nas redes sociais.


Interior da ocupação da EE Caetano de Campos | Foto: Rovena Rosa | Agência Brasil

19 de novembro: Em audiência de negociação, governo oferece suspender reorganização por 10 dias em troca da desocupação das escolas. Alunos não aceitam.

23 de novembro: Movimento se expande, somando 100 escolas ocupadas.

24 de novembro: Saresp, principal avaliação estadual, é aplicada. Nas escolas ocupadas, exame é cancelado. Alunos alegam em redes sociais terem boicotado a prova.

26 de novembro: Estudantes do Liceo Statale Virgilio, em Roma (Itália), ocupam escola e mostram solidariedade ao movimento de São Paulo.


Estudantes protestam dia 3/12 na capital | Foto: Rovena Rosa | Agência Brasil

30 de novembro a 3 de dezembro: Mais de 20 manifestações tomaram conta da capital paulista. Polícia Militar recebe críticas pela ação truculenta nos protestos. Segundo a própria organização, apenas neste período, 33 pessoas foram detidas.

1 de dezembro: Mais de 200 escolas estaduais estavam ocupadas. TV Folha publica vídeo mostrando estado precário das escolas e deleta no mesmo dia, segundo internautas que repercutiram o material nas redes sociais.

4 de dezembro: Instituto Datafolha constata queda na popularidade do governador Geraldo Alckmin. De fevereiro até a data, a porcentagem de pessoas que avaliavam o governo como ótimo ou bom foi de 38 a 28%. Os que consideravam ruim ou péssimo foi de 24 a 30%. Logo após, às 13 horas, o governador anunciou que adiaria a reorganização e que o ano de 2016 seria de debate sobre a proposta. O secretário de educação Herman Voorwald renuncia ao cargo.


 Protesto na capital enfrenta repressão | Foto: Rovena Rosa | Agência Brasil

5 de dezembro: Governo publica no Diário Oficial a revogação do decreto que autorizava a transferência de funcionários e professores. Este decreto era o que permitia que houvesse a reorganização. Algumas escolas começam a ser desocupadas.

De 6 a 8 de dezembro: Artistas como Criolo, Leo Cavalcanti e Vanguart tocam na Virada Ocupação, evento organizado pela rede Minha Sampa para apoiar o movimento secundarista.

9 de dezembro: Colégio Estadual José Carlos de Almeida, em Goiânia (GO), é ocupado contra o projeto do governo de entregar escolas a organizações sociais. Em uma semana, já são 21 escolas ocupadas no estado.

15 de dezembro: O jornal norte-americano New York Times publica artigo sobre o movimento das ocupações

17 de dezembro: Decisão da Justiça de São Paulo reforça a suspensão da reorganização escolar para 2016. Comando das Escolas em Luta recomenda a desocupação das 57 escolas que ainda estavam com alunos.

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