Ensino médio na berlinda

Resultados do Ideb demonstram evolução no ensino fundamental e alertam para problemas antigos do terceiro ciclo

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Divulgados em agosto, os resultados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica 2011 (Ideb) chamaram a atenção para a discrepância do desempenho do ensino médio em comparação aos outros ciclos de ensino. Além de ter sido a única etapa a não superar a meta proposta pelo governo (ficou nos estimados 3,7 pontos), também foi a única a regredir em nove unidades da federação. Entretanto, ainda é cedo para dizer os motivos do fraco desempenho, defende o professor Márcio da Costa, especialista em avaliação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).


Para ele, algumas hipóteses podem explicar a diferença de resultados entre as etapas: o maior investimento do ensino fundamental, o número expressivo de alunos no ensino noturno que acabam tendo de conciliar escola e trabalho, a falta de políticas que combatam a baixa qualidade e a infraestrutura precária.

– Vídeo: especialistas comentam os resultados do Ideb 2011


Ele aponta também a gestão do ensino médio concentrada na rede estadual como um dos motivos para a discrepância. O professor frisa, no entanto, que essas são apenas hipóteses. “Sem os microdados da Prova Brasil e do Saeb é difícil fazer análises com um pouco mais de segurança. Apenas o número do Ideb permite impressões muito gerais”, avalia.


Calculado a partir da combinação do desempenho dos estudantes em avaliações de larga escala, como a Prova Brasil e o Saeb, com a taxa de aprovação escolar, o Ideb apresentou melhores resultados nos anos iniciais do ensino fundamental, superando em 0,4 ponto a meta nacional. Todos os estados também atingiram suas metas, mas o destaque ficou para o Ceará e o Piauí, que superaram a meta proposta em 0,9 e 0,8 ponto, respectivamente. Minas Gerais e Santa Catarina obtiveram os melhores índices nessa etapa.


Ao observar a série histórica do Ideb, dois dados se destacam: os estudantes que cursaram em 2011 o terceiro ano do ensino médio são os mesmos que em 2005 estavam nos anos iniciais do fundamental com as piores notas. Outro ponto é que entre 2005 e 2011 o Ideb dos anos iniciais do ensino fundamental aumentou 1,2 ponto; dos anos finais 0,6, enquanto o do ensino médio obteve  melhora de apenas 0,3 ponto.


Apesar de a meta proposta para os anos finais do ensino fundamental ter sido superada em 0,2 ponto, os resultados não foram tão satisfatórios como os apresentados na etapa anterior. Sete estados não conseguiram atingir a meta de 2011. Os progressos mais expressivos foram alcançados por Mato Grosso, Ceará e Amazonas e os melhores desempenhos ficaram por conta de Santa Catarina, São Paulo e Minas Gerais.


De todas as possíveis explicações para o resultado, entretanto, o currículo do ensino médio foi a que mais gerou debate e voltou à agenda, apesar de ser um problema antigo. O Ministério da Educação anunciou que planeja integrar as diversas disciplinas em grandes áreas, da mesma forma que o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) organiza suas matrizes curriculares em quatro grandes grupos: linguagens, matemática, ciências humanas e da natureza.

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