Ensino high-tech

De laboratório de informática à utilização de ferramentas de robótica, tecnologias de última geração podem revolucionar educação

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Lígia Ligabue*




Termos como realidade virtual, conexão
wireless

ou robótica podem soar um pouco estranhos aos ouvidos de muitos professores brasileiros, acostumados a driblar a falta de infra-estrutura para tentar melhorar a qualidade do ensino. Afinal, num país em que apenas 10% da população tem acesso à internet, é difícil imaginar que ferramentas tecnológicas de última geração estejam sendo aplicadas em sala de aula.

É bem verdade que em sua maioria elas estão presentes nas escolas particulares, mas algumas escolas públicas também têm conseguido avanços por meio de parcerias com universidades ou fundações privadas.




A maior presença da alta tecnologia nas escolas particulares tem uma razão óbvia: custa caro ter equipamentos de primeira linha. A boa notícia é que já há no mercado programas e equipamentos que podem ser encontrados a um custo bem mais acessível do que se imagina. Fundada há apenas dois anos, a Prodigy 3D nasceu com a proposta de desenvolver softwares educacionais em realidade virtual.

O primeiro produto da empresa está no mercado há pouco mais de um mês, mas algumas escolas já vinham realizando testes. O sistema Objetivo e o Colégio Salesiano testaram, gostaram e compraram a ferramenta.



A Prodigy 3D conseguiu baratear seu produto porque não vende o software. Ele é licenciado às instituições assinantes. “A escola faz uma assinatura, recebe o programa, o treinamento dos professores e a cada três meses uma atualização da matéria, sem custos. Quando não quiser mais receber essa ferramenta, é só cancelar a assinatura”, explica Mervyn Lowe, presidente da Prodigy 3D. “Não importa quantos computadores tenha em cada escola, nós cobramos R$ 500 por endereço, a cada disciplina. Se uma rede com três escolas pedir um para cada unidade, vai ser esse preço para cada uma. Se uma escola pede uma disciplina para ser utilizada em suas 30 classes, vai ser esse mesmo preço.”



A Prodigy 3D tem um produto diferente dos tradicionais hoje no mercado. São softwares não-lineares, sem conteúdo escrito e som. O professor tem uma imagem, que é projetada por meio de um
datashow

numa lousa eletrônica. Nela, o professor pode manipular a imagem como quiser. É possível girar a imagem, ampliá-la ou fazer anotações, por exemplo. Atualmente, a Prodigy dispõe de programas para aulas de biologia e geografia, mas a idéia é ampliar o leque. “Nosso grande trabalho é tornar a realidade virtual acessível e funcional”, afirma Lowe.



Para a professora Silvia Fischmann, coordenadora do laboratório de investigação de novos cenários de aprendizagem da Escola do Futuro, da USP, a conexão wireless, que dispensa fios, é a mais nova tecnologia a ser explorada pelas escolas. Em uma sala de aula ideal, diz ela, os alunos contariam com computador conectado à internet, webcam, gravador de CD, scanner e impressora. Esses equipamentos “facilitariam a troca de informações entre alunos de escolas diferentes e possibilitariam, também, que o aluno levasse para casa projetos desenvolvidos por ele durante o dia”, observa a professora.



A maioria das escolas está bem longe disso, mas o que algumas oferecem hoje para seus alunos já vai muito além. O sistema Objetivo, por exemplo, possui um simulador de vôo no qual os alunos podem fazer desde uma viagem pelos céus de São Paulo até experiências gravitacionais em Marte. Marcelo Souza, coordenador de produção de material do Objetivo, informa que o sistema possui simuladores móveis, caminhões que percorrem as unidades parceiras, com os programas
Viagem Para Além do Universo

e
Montanha Russa

.

No primeiro, os movimentos do caminhão e um software simulam uma viagem interplanetária. Já o simulador de montanha russa é utilizado nas aulas de física. E toda a tecnologia é desenvolvida pelo próprio sistema, no Centro de Pesquisa Tecnológica do Colégio Objetivo, que conta com cerca de 80 profissionais.



Mas uma estratégia de investimento em tecnologia, segundo Silvia Fischmann, nunca deve ser concebida sem ter um projeto pedagógico e, o mais importante, sem a preparação do professor. “A formação do professor deve ser voltada para que ele possa utilizar esses recursos de forma adequada e regrada de acordo com o currículo da escola”, afirma.



É aí que o fosso entre escolas privadas e particulares aumenta. Pesquisa divulgada em abril pela Unesco, com informações coletadas com 5.000 professores de ensino médio e fundamental, entrevistados em abril e maio de 2002, mostrou que muitos admitem sequer acessar a internet, seja na escola ou em casa. Um terço dos entrevistados alega que não tem condições financeiras para ter um computador.



“Um professor que não conhece a internet tem hoje uma capacidade limitada de ajudar seu aluno”, comentou Maria Fernanda Rezende Nunes, pesquisadora da Universidade Federal do Rio de Janeiro e uma das responsáveis pela pesquisa, durante a divulgação dos dados. Nas escolas privadas, essa realidade é ainda mais evidente, já que o nível de acesso à internet entre brasileiros das classes A e B chega a 80% e os jovens entre 12 e 17 anos são usuários assíduos da rede. Se a escola não acompanhar, fica para trás.




Robótica –

“O diferencial da escola é que não investimos apenas em tecnologia, pois isso não garante absolutamente nada. Nós investimos mais em pessoas”, afirma Valdenice Minatel Melo de Cerqueira, coordenadora de tecnologia educacional do Colégio Dante Alighieri, de São Paulo (SP). A instituição mantém oito laboratórios: quatro de robótica, três convencionais e um adaptado a crianças. Os projetos especiais desenvolvidos nos laboratórios envolvem desde trabalhos ligados às disciplinas de sala de aula, como exercícios e pesquisas, até projetos de robótica. Os profissionais que trabalham no departamento de informática, conta Valdenice, são híbridos: têm formação técnica, mas são também professores de outras disciplinas, como química e matemática.




No sistema Anglo, o uso da tecnologia é um pouco diferenciado. O foco é preparar o professor e não empregar sistemas sofisticadíssimos e caros com os alunos. “Nem todas as unidades possuem dinheiro para ter um
datashow

, então todos os produtos são apresentados de forma versátil”, diz Assaf Fainguenboim, do Departamento de Tecnologia Educacional do Anglo. “Uma animação em flash, para um
datashow

, que custa R$ 5 mil, pode ser acoplada numa TV de 29 polegadas, de R$ 1 mil, ou mostrada em transparências para retroprojetores, de R$ 300″, diz.

Todo o material multimídia desenvolvido pelo departamento é disponibilizado num site ou enviado eletronicamente para 22 mil professores do Anglo em todo o Brasil. Assim, eles podem preparar suas aulas de qualquer local que possua conexão à internet.


 



*Agência Repórter Social



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