Ensaio fotográfico: o olhar em tempos de matemática

Em meio ao biênio dedicado à disciplina, Educação traz especial em homenagem às relações entre paisagem urbana e formas e padrões geométricos

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A composição é um dos elementos fundamentais da arte fotográfica. Enquadrar é organizar uma série de elementos extraídos do real num quadro limitado, horizontal ou vertical. É uma tentativa de dar ordem ao caos. O ato fotográfico pode ser planejado com muito cuidado ou disparado por intuição, tanto faz: o resultado é sempre um recorte da realidade, uma seleção feita pelo olhar. Nessa composição, herdada dos formatos pictóricos, cabe ao fotógrafo dispor os elementos de modo a contar uma história com uma única imagem.

Neste ensaio, o olhar do fotógrafo busca enquadrar a geometria presente em cenas urbanas do cotidiano de um paulistano. Despertaram minha atenção para o clique um acontecimento, um lugar, uma sombra, as linhas, os ângulos que as formas apresentam. Os triângulos são as formas que mais costumo perseguir em imagens, ou acabam surgindo de forma natural por buscá-las em tudo que vejo. Desde os primórdios da pintura se tem conhecimento sobre o efeito de harmonia criado numa composição cujos elementos resultam em formas geométricas como o triângulo.

O pintor Paul Cézanne (1839-1906) inspirou uma geração de modernistas no estudo da decomposição de todos os objetos e pessoas em formas geométricas, atingindo grau máximo no cubismo. Na fotografia, a geometria está sempre presente na composição rigorosa de Henri Cartier-Bresson (1908-2004), chamado de o “olho do século 20”. Em suas fotos, é comum identificar os princípios da proporção áurea, uma busca de simetrias com inspiração renascentista.

Nas imagens destas páginas, as formas e padrões geométricos são o mote inspirador para composições feitas em meio aos cenários da cidade de São Paulo, nas ruas, em shoppings, parques e nas edificações urbanas em geral.

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