Em busca de novas fórmulas

Jornal da Tarde dedica página semanal ao tema; para revista Trip, tema é um dos doze centrais

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Paulo Lima, da Trip: educação como troca de saberes

Um jornalismo sobre educação feito a partir de indicações dos próprios docentes,  voltado a mostrar experiências bem-sucedidas e a discutir questões de fundo tendo como público-alvo professores, diretores e alunos. Há quase dois anos, o Jornal da Tarde, do Grupo O Estado de S.Paulo, adota essa fórmula para tratar cotidianamente dos rumos do ensino.

Por sugestão da jornalista Ângela Crespo, repórter do JT há 17 anos, o JT começou a dedicar uma página diária ao tema, variando o enfoque de acordo com o dia da semana. “A maior parte do tempo, estamos falando com os professores, ainda que também com pais e educadores. Queremos que reflitam sobre o que pode mudar na educação, que não se fique numa visão simplista de que basta aumentar os salários e o número de horas/aula para a situação melhorar”, diz Ângela,  editora da página.

Uma das apostas centrais do projeto é trazer à tona experiências levadas a cabo em situações aparentemente adversas – de resto, a realidade da maioria das escolas brasileiras.

“Buscamos mostrar aquele professor que consegue desenvolver um projeto independentemente das condições que encontra, que faz com que o aluno estude e permaneça na escola”, explica Ângela. Ao contrário de muitos outros veículos, escola e professores rotineiramente servem de fontes.

Mas há a preocupa­ção de não veicular ex­­pe­riências que não comprovem sua eficácia. Para isso, os critérios uti­lizados são que a escola tenha um desempenho acima da média nacional em avaliações como Saeb, Prova Brasil e Enem, e a realização de uma visita em que se afere se a instituição tem a participação de professores, diretores, coordenadores, pais e alunos.
 
Mas não são apenas os jornais que têm buscado falar mais e melhor de educação. A hoje tradicional revista Trip, que há 21 anos dialoga com um público mais jovem e alternativo sempre com o desafio de encontrar abordagens que fujam do lugar-comum, também incorporou o tema, abrigado sob a rubrica “Saber”. É um dos doze assuntos que, no processo de reelaboração da publicação, realizado há dois anos, ganhou uma edição anual.

Os temas, segundo o editor Paulo Lima, compõem uma lista de “tópicos fundamentais para uma vida sustentável e equilibrada”. Ao lado de “Saber”, figuram assuntos como “Diversidade”, “Corpo” e “Alimento”, entre outros. O saber é definido em duas vertentes: uma, dedicada “a garantir acesso a educação, instrução e treinamento”; outra, voltada à troca dos saberes humanos.

É a partir desse segundo olhar que está estruturada a edição de julho deste ano, que em sua chamada principal pergunta:

“Afinal, o que é educação?”. E promete mostrar “por que as melho­res iniciativas educacionais não cabem mais só na escola”. No caso da Trip, não há o compromisso de um olhar mais crítico em relação à educação formal, e sim o de mostrar situações pautadas pelo saber.

Lima cita a escolha do editor convidado, José de Oliveira Júnior, da ONG AfroReggae, como um ponto de partida diferente. “É um cara que mal esteve na escola, mas opera 60 projetos de educação. Quem não percebeu que o mundo mudou não é alvo da nossa atenção. Não queremos falar mal de escola convencional ou antiga”, diz.

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