Educadores são contra a propaganda em uniformes escolares

De acordo com um dos argumentos, iniciativa é “nova modalidade de trabalho infantil”

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Educadores ouvidos pela reportagem da Folha de S. Paulo se declararam contra o patrocínio nos uniformes da rede pública de ensino da capital paulista. “Só faz sentido autorizar a propaganda dentro de um grande projeto de parceria empresa-escola, no qual o patrocinador estivesse envolvido com a comunidade escolar e preocupado com seus problemas”, afirma a professora da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP), Lisandre Maria Castello Branco. Sem um projeto maior, acredita ela, a criança pode virar um outdoor ambulante, fazendo propaganda de um produto ao qual nem tem acesso. Para Lisandre, os governos não podem repassar suas obrigações para a iniciativa privada.



Hebe Tolosa, presidente da Associação de Pais e Alunos do Estado de São Paulo e ex-secretária municipal de Educação, também é contra. “Só seria a favor se cada escola pudesse escolher seus patrocinadores e eles tivessem uma relação com a região do colégio”. Para Hebe, é preciso colocar um limite e só permitir propaganda de empresas ligadas ao ambiente escolar, como papelarias, livrarias e lojas de brinquedos educativos.



No artigo “Aluno-propaganda”, publicado pelo mesmo veículo, Fábio Bezerra de Brito, diretor da Escola de Aplicação da Faculdade de Educação da USP, defende que o uso da propaganda nos uniformes fere direitos constitucionais das crianças e dos adolescentes. “O mesmo artigo 227 da Constituição de 1988, que estabelece o direito à educação, determina como dever do Estado protegê-los da exploração econômica”, afirma. “A prefeitura, em flagrante contradição com a lei federal, faz deles garotos e garotas-propaganda de empresas que obviamente pretendem obter retorno financeiro por meio da divulgação do logo institucional ou marca de seu produto”.



Fábio argumenta, ainda, que a iniciativa é uma “nova modalidade de trabalho infantil”. Para ele, oferecer os uniformes é, no mínimo, um dever governamental. “Acena-se, portanto, às famílias com benefícios que são direitos, pedindo-lhes em troca o emprego de seus filhos como instrumentos de propaganda, o que pode vir a colocá-los em situação vexatória”, defende.



(Fonte: Folha de S. Paulo)



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