Educadores criticam estudo sobre remuneração média de professores realizado pelo Inep

Para equacionar a questão das diferentes jornadas de trabalho, o estudo transformou aquelas de 16 ou 20 horas em 40 horas, com remuneração proporcional; Confederação Nacional dos Trabalhadores da Educação (CNTE) publicou carta refutando números

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Um estudo nacional inédito, baseado no cruzamento de informações de duas bases de dados, o Censo Escolar, aferido pelo Ministério da Educação, e a Relação Anual de Informações Sociais (Rais), do Ministério do Trabalho e Emprego, possibilitaria ter um quadro dos salários médios praticados no Brasil para remunerar professores. Essa informação seria o ponto de partida para discussão sobre a carreira docente e a estipulação, por exemplo, do Custo Aluno-Qualidade Inicial (CAQi).

Se a intenção dessa iniciativa do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) era o ponto de partida para dialogar com representantes de classe do campo educacional, o tiro parece ter saído pela culatra.
O levantamento do Inep, divulgado em final de junho, mostrava, tendo 2014 como ano-base, que os professores de redes estaduais teriam então média salarial de R$ 3.476,42 para contratos de 40 horas semanais, e os municipais de R$ 3.116,35 para a mesma jornada, contra R$ 7.767,94 da rede federal e R$ 2.599,33 da rede privada.

Os números foram objeto de repúdio generalizado entre professores e geraram uma carta da Confederação Nacional dos Trabalhadores da Educação (CNTE), refutando-os.

Entre outros problemas, o diabo mora nas médias e padronizações. Para equacionar a questão das diferentes jornadas de trabalho, o estudo transformou aquelas de 16 ou 20 horas em 40 horas, com remuneração proporcional. Além disso, aponta a carta da CNTE, os dados da Rais, apesar de censitária, são menos confiáveis que os da Pnad, do IBGE, amostrais porém mais precisos.

Em 2014, o piso nacional era de R$ 1.697,39. Como se sabe, muitos municípios não conseguem cumprir nem mesmo esse requisito. A artificialidade das médias atribuídas a jornadas em muitos casos inexistentes criou uma educação imaginária, bem mais robusta em termos de salários que aquela da realidade.

Educadores criticam estudo sobre remuneração média de professores realizado pelo Inep

Fonte: Inep

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