Educação é tema de disputa nas eleições dos EUA

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23 Mar 2015, Washington, DC, USA --- Former U.S. Secretary of State Hillary Clinton takes part in a Center for American Progress roundtable discussion on "Expanding Opportunities in America's Urban Areas" in Washington. --- Image by © Brooks Kraft/Corbis

© Brooks Kraft/Corbis

Se em solo brasileiro o grande debate educacional diz respeito à supressão da vida partidária – entendida esta como assunção de um ponto de vista a partir do qual ensinar – do universo escolar, nos Estados Unidos corre solto o debate dos partidos acerca do papel da educação no futuro do país.

Os dois principais candidatos à presidência dos Estados Unidos – Hillary Clinton, do Partido Democrata, e Donald Trump, do Partido Republicano – elegem a educação como tema prioritário. Ao menos no discurso.

O iconoclasta e incendiário Trump diz que a educação, ao lado da saúde e da segurança, serão as três grandes prioridades de seu governo. Isso, no entanto, não é indício para uma ideia de mão pesada do Estado na condução das grandes questões do setor. Ao contrário. Para Trump, falta competição no âmbito da educação, o que vale tanto para as oportunidades da carreira docente como para os modelos de escolas a serem ofertados aos cidadãos.

O republicano, com pauta menos clara e propostas ainda um tanto vagas no que diz respeito a 12 temas de relevância listados pelo portal Education Week em agosto último, bate de frente com as entidades de classe do setor e com o Common Core State Standards, a proposta curricular americana, que qualifica como um desastre total.

Já Hillary está próxima a entidades como National Education Association e American Federation of Teachers, às quais promete oportunidades para que professores e gestores tenham chances de aprendizado contínuo, para melhorar e inovar suas ações. A democrata também põe em xeque os testes de larga escala, defendendo que voltem à sua função original de dar subsídios a famílias e professores, sem que o ensino seja modulado pela necessidade de os estudantes darem boas respostas nessas avaliações.

No que diz respeito à lei batizada de Every Student Succeeds Act (Essa), assinada pelo presidente Barack Obama no final de 2015 para suceder o programa No Child Left Behind, lançado por Bush filho em 2002, Hillary diz que, se não é perfeita, dá padrões de referência com flexibilidade para estados e professores. Trump não se manifestou a respeito, mas o portal avalia que ele deve aprovar o fato de o Essa, ao contrário do No Child Left Behind, dar mais espaço para as decisões em nível local e regional, tirando poder do governo central.

Dois outros pontos marcam bem as diferenças entre republicanos e democratas: o financiamento e a escolha das escolas. No quesito financiamento, Hillary diz que são necessários novos investimentos para o ensino de ciências da computação, para a primeira infância, aumento do acesso aos college e em inovação. Já Trump andou dizendo, erroneamente, que os EUA são o país com o maior investimento por aluno e que é preciso gastar menos e melhor.

No quesito tipo de escolas, Trump defende a variedade de modelos – charter schools, vouchers etc., que traduziriam o espírito da sociedade americana, baseada na competição. Já Hillary diz que sempre apoiou as charter schools (escolas com fundo governamental e atuação independente), mas não como substitutas das escolas públicas, e sim como suplemento ao sistema, com possibilidade de boas experiências serem incorporadas.

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