É preciso colocar um limite à extração de dados

Navegação de cada um de nós pela internet deixa pegadas digitais que são armazenadas e vendidas para redes de marketing

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É preciso colocar um limite à extração de dados

É preciso colocar um limite à extração de dados. (Crédito: Shutterstock)

A navegação de cada um de nós pela internet deixa pegadas digitais que são armazenadas e vendidas para redes de marketing, e que definem as “melhores informações para os nossos interesses ou para os interesses das empresas que querem nos convencer de algo”, alerta Sergio Amadeu da Silveira, professor da Universidade Federal do ABC e autor de Tudo sobre tod@s: Redes digitais, privacidade e venda de dados pessoais (Edições Sesc).

No cenário informacional o difícil não é falar, mas ser ouvido. O ecossistema comunicacional se baseia em uma economia da atenção. Por isso, o Facebook e o Google armazenam nossos dados. Eles querem nos conhecer, nos esquadrinhar para poder modular nosso comportamento. Repare que a modulação não é o mesmo fenômeno que a manipulação. Quando o âncora da Globo dá uma notícia enviesada, nós podemos vê-lo e podemos acreditar ou não nas suas colocações. No mundo das redes e dos controles rea­lizados pelos algoritmos, não sabemos se as opções que estão sendo apresentadas são as únicas, as melhores, enfim, o que vemos não é toda a realidade, mas aquilo que os algoritmos definiram como as melhores informações para os nossos interesses ou para os interesses das empresas que querem nos convencer de algo, um produto, um serviço ou uma ideia.

Por isso, acho extremamente perigoso que as escolas entreguem todos os dados das crianças para o Google. Isso dá à corporação uma capacidade de modular as escolhas dos nossos jovens.

Definir a verdade é bem complexo. Saber se um fato ocorreu é mais simples, mas compreender por que aquilo ocorreu e quais as suas consequências é bem mais difícil. Por isso, a disputa pelo poder sempre foi também a disputa pela verdade, a verdade para a maioria. Com a internet, a velocidade de disseminação de notícias falsas aumentou, mas temos de tomar cuidado com os exageros. O marketing sempre trabalhou com o exagero, a grande imprensa sempre tratou de dar a sua versão e manipular informações. Sugiro que as pessoas não repliquem informações “espetaculares”.

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