Drogas, dinheiro e chumbo

Série Narcos retrata drama do tráfico de drogas na América

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Wagner Moura como Pablo Escobar em Narcos: retrato da América do Sul | © Divulgação

Wagner Moura como Pablo Escobar em Narcos: retrato
da América do Sul | © Divulgação

O narcotraficante colombiano Pablo Escobar (1949-1993) foi um dos criminosos mais ricos e famosos da história. Durante sete anos consecutivos, figurou na lista de bilionários da revista Forbes – em 1989, ocupou a sétima colocação no ranking das pessoas mais ricas do mundo. No final da década de 1980, 80% de toda cocaína do mundo era comercializada por ele. O império de Escobar, que cresceu na pobreza nas ruas de Medellín, foi erguido à custa de muito sangue. Entre sua ascensão e morte, foram incontáveis assassinatos, se­questros e atentados, como a explosão de um avião de passageiros.

A história de Escobar é o fio condutor de Narcos, série da Netflix cuja segunda temporada estreou em setembro, com o brasileiro Wagner Moura no papel principal. No entanto, mais do que uma biografia do narcotrafi­cante, a série procura mostrar como o narcotráfico se confunde com a história recente da Colômbia e das relações do país – e, por que não, da América Latina – com os Estados Unidos. O principal antagonista de Escobar na série é Steve Murphy (Boyd Holbrook), policial da DEA (agência americana de combate ao tráfico) recém-chegado à Colômbia, que ainda guarda certo idealismo e ocupa a função de narrador da história. É possível dizer que “Narcos” parte de um ponto de vista americano, ainda que em tom crítico, sobre a “guerra às drogas” – e assim abre possibilidades para as já anunciadas duas próximas temporadas. Afinal, não é segredo para ninguém que “El Patrón” é morto ao fim da atual.

Escobar era um personagem querido por parte do povo de sua região natal, visto com admiração quase religiosa. Distribuía dinheiro na rua e patrocinava equipes de futebol. Seu legado e as ramificações de seus crimes ainda são assuntos espinhosos para a sociedade colombiana – e para sua própria família. O filho do criminoso, que hoje vive na Argentina com outro nome, já apontou diversos erros factuais em Narcos. Mesmo assim, há um esforço constante da série em contextualizar os acontecimentos, às vezes com didatismo exagerado, mas com resultado final positivo. Como todos os mitos, Escobar permite múltiplas leituras, mesmo as mais indigestas.

Espectro de uma chaga social

A série de filmes a seguir – quatro deles baseados em histórias reais – mostra um panorama dos efeitos sociais das drogas, retratados no cinema nas últimas décadas.

diarios1Diário de um adolescente (1995)
Baseado nas memórias do poeta e músico americano Jim Carroll. Um jovem jogador de basquete (Leonardo DiCaprio) vê sua promissora carreira afundar à medida que se envolve com o vício em drogas. Acaba nas ruas, onde precisa roubar e se prostituir para comprar heroína. A narrativa não deixa de lado as angústias próprias da adolescência, potencializadas pela droga.

trainspottingTrainspotting (1996)
Filme-símbolo dos anos 1990, tornou conhecido o diretor Danny Boyle. Retrata de maneira crua e com humor negro a cultura das drogas em Edimburgo. Mark Renton (Ewan McGregor) é um viciado em heroína que decide ficar limpo. Isso afeta sua relação com os amigos, a maior parte deles usuários em um cenário de poucas perspectivas.

 

Bicho de sete cabeças (2001) bichoNeto (Rodrigo Santoro), jovem de classe média, é mandado para uma instituição psiquiátrica quando seu pai encontra um cigarro de maconha em seu casaco. Lá, conhece a crueldade e a indiferença de um sistema feito para não recuperar ninguém. Dirigido por Laís Bodanzky, é baseado no livro autobiográfico de Austregésilo Carrano Bueno.

 

gomorraGomorra (2008)
Roberto Saviano, autor do livro que originou o filme, foi jurado de morte pela máfia napolitana após a sua publicação. A narrativa fragmentada é uma solução para que a forma do filme – dirigido por Matteo Garrone – seja capaz de dar conta dos muitos tentáculos da influência da máfia na sociedade italiana existentes ainda hoje.

 

sicarioSicário (2015)
Uma agente americana do FBI (Emily Blunt) é enviada a Juárez, cidade mexicana na fronteira com os EUA, para ajudar a desmontar o cartel de drogas que opera na região – uma das mais violentas do mundo. Dirigido pelo canadense Denis Villeneuve, é um thriller calcado nas cenas de ação, temperado com questões éticas e políticas.

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