Driblando a crise

Apesar da estagnação do crescimento à vista, especialistas ainda apostam no ensino superior como um bom negócio para investir Mesmo com as taxas de …

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Apesar da estagnação do crescimento à vista, especialistas ainda apostam no ensino superior como um bom negócio para investir

Mesmo com as taxas de crescimento de matrícula estando abaixo da expectativa do mercado, o segmento educacional continua mostrando-se interessante e promissor. Uma prova disso é que as fusões e aquisições das instituições de ensino superior não param de acontecer.

Um dos mais recentes negócios foi fechado no último mês. A faculdade amazonense Martha Falcão (FMF), que conta atualmente com cerca de 3.500 alunos em cursos de graduação e pós-graduação, passou a integrar o grupo de instituições educacionais DeVry Brasil. “O movimento de consolidação tem se mostrado consistente. Houve uma redução nas aquisições desde 2008, não só pela crise, mas porque os ativos mais interessantes começaram a ficar mais raros”, acredita Fernando Braga, sócio-diretor da Valormax Consultoria Financeira. Segundo ele, há ainda um número grande de instituições de médio porte, com cerca de três mil a 10 mil alunos, que devem iniciar um processo de consolidação regional, para se transformarem em instituições maiores e, posteriormente, serem compradas pelos grandes players de mercado.

Um estudo feito pela Hoper Consultoria mostra que as recentes fusões e aquisições de faculdades e universidades criaram gigantes no setor, contribuindo para o crescimento do negócio, que atinge mais de cinco milhões de alunos no país. Segundo o levantamento, o faturamento das instituições particulares de ensino superior cresceu 30% em dois anos. O valor de R$ 24,7 bilhões em 2011 subiu para R$ 32 bilhões em 2013, segundo estimativa para esse ano. Para 2014, o setor deve atingir R$ 35,9 bilhões.

Os números sugerem que, mesmo com a desaceleração do ritmo de crescimento do ensino superior, o setor privado não sentiu os efeitos disso até agora. Na avaliação de Braga, isso se deve, principalmente, ao fato de as instituições serem favorecidas pelos programas federais como o Fies e o ProUni. Um levantamento feito pelo MEC revela que os dois programas respondem por 31% das matrículas no sistema privado de ensino superior. O percentual representa mais de 1,6 milhão de estudantes dos cursos presenciais. O problema, segundo ele, é que não se sabe até quando essa política de financiamento estudantil será viável.

Aposta na qualidade
Na opinião de Beatriz Amary, diretora da Actis, empresa de privaty equity com atua­ção exclusiva em mercados emergentes, e que adquiriu participação na Cruzeiro do Sul Educacional, a política adotada pelo governo para ajudar o setor privado a promover um serviço de qualidade é muito bem- sucedida. “A iniciativa do governo brasileiro não tem comparação com a de outros países onde a Actis faz investimento”, afirma. Mesmo assim, Beatriz não arrisca dizer se a política de financiamento adotada atualmente será suficiente para manter o mercado em crescimento nos próximos anos. “Eu acho que o setor chegaria mais longe se a própria iniciativa privada conseguisse criar mecanismos de crédito com incentivo para o aluno fazer o ensino superior, como existe em outros países”, diz.

Contudo, Beatriz continua acreditando no atual modelo de ensino superior para que o país consiga atingir 15 milhões de universitários nos próximos anos. “Acredito que o mercado pode até diminuir um pouco o crescimento, mas sempre vai haver uma busca por qualidade e instituições mais sólidas”, diz. Para ela, as empresas que não têm um nível de qualidade bom e que não conseguem oferecer um financiamento estudantil é que vão acabar perdendo espaço nesse mercado. Isso porque, do ponto de vista mercadológico, existe muita margem para o crescimento agressivo. (Patrícia Sperandio)

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