Do Canadá para o mundo

Estratégias arrojadas de ensino e a ampla disposição colaborativa legam às universidades canadenses um sólido reconhecimento que atrai alunos do mundo todo. Conheça a …

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Estratégias arrojadas de ensino e a ampla disposição colaborativa legam às universidades canadenses um sólido reconhecimento que atrai alunos do mundo todo. Conheça a fórmula do sucesso apresentada aos gestores na 5ª Missão Técnica Internacional Semesp

por Renata Eny Kappaun, de Montreal

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Troca de informações, articulação de convênios e otimização da comunicação entre as instituições brasileiras e canadenses foram os benefícios elementares da expedição brasileira ao Canadá, durante a segunda quinzena de maio. Duas cidades, Toronto e Montreal, serviram de cenário para a 5a Missão Técnica Internacional Semesp, quando a comitiva de cerca de 40 gestores brasileiros esteve participando de palestras, encontros e visitas aos campi de quatro universidades canadenses para conhecer os sistemas de gestão e ensino e as últimas novidades do setor naquelas instituições, que são destaques internacionais em empreendedorismo, pedagogia e internacionalização.

Toronto, a maior cidade do Canadá, foi a primeira parada do grupo brasileiro. As universidades de Waterloo (Waterloo), McMaster (Hamilton) e de Toronto (Toronto) abriram suas portas e compartilharam seus modelos pedagógicos bem como suas estratégias inovadoras focadas no empreendedorismo universitário e em parcerias com empresas locais. Já a centenária HEC Montreal (Escola de Altos Estudos Comerciais) recebeu a comitiva brasileira na segunda parte da viagem. A mais antiga escola de gestão do Canadá mostrou como a internacionalização e a gestão focada em resultados projetaram a HEC ao sucesso internacional.

Instituições empreendedoras

As universidades canadenses formam mais de 1,5 milhão de alunos por ano e realizam mais de um terço das pesquisas científicas produzidas no país, segundo dados da Associação das Universidades e Colégios do Canadá (AUCC). Reconhecidas mundialmente como centros de excelência, aquelas instituições contam com o apoio financeiro do governo, mas também fazem bom uso de parcerias com empresas: cerca de 60% das pesquisas científicas produzidas dentro das instituições canadenses são patrocinadas por parceiros externos.

Na Universidade de Waterloo, por exemplo, a inovação e a parceria com empresas são o motor que dá a partida a um ensino superior pioneiro. Sua pedagogia focada no mercado conecta estudantes às suas carreiras, incitando-os a aplicar as teorias apresentadas em sala de aula a um contexto do mundo real, como em empresas juniores.

O empreendedorismo está no DNA da Waterloo, que criou uma política própria de propriedade intelectual para incentivar seus pesquisadores, que são autorizados a lucrar com a comercialização das suas ideias bem-sucedidas. Essa abordagem única permite levar mais rapidamente adiante as descobertas feitas nos laboratórios universitários e ajuda a impulsionar a criação de empresas inovadoras, como a Research In Motion (atual BlackBerry), que teve como berço a Universidade de Waterloo.

Se a inovação permeia as ações das instituições canadenses, o enfoque na pedagogia de ensino não poderia ser diferente e o uso de metodologias inovadoras é a tônica do ensino superior por lá. Na Universidade McMaster a prioridade é aperfeiçoar o processo de aprendizagem. Para isso, a instituição investe no Problem Based Learning (PBL), ou aprendizado baseado em problema, pelo qual os alunos são instigados a resolver um problema antes de partir ao estudo da teoria.

Lançar o problema antes da aprendizagem teórica tende a motivar os alunos. Segundo Sue Baptiste, professora da Faculdade de Ciências da Saúde da Universidade McMaster, a recordação e a memória são desencadeadas por vários fatores, como experiências anteriores que se tornam familiares em uma nova situação. “Esses elementos são importantes e podem se conectar a um novo conhecimento e habilidade, reforçando a aprendizagem”, revela Sue.

A importância de conhecer novos processos pedagógicos, como a experiência compartilhada pela McMaster, foi destacada por Ihanmarck Damasceno, superintendente de Relações Institucionais do Grupo Tiradentes. “Os trabalhos que vêm sendo desenvolvidos no Brasil poderão ser aprimorados por meio dessa troca de experiências. Vimos a importância de investir no desenvolvimento de novas metodologias voltadas e centradas no aluno”, ressalta Damasceno.

Foco no estudante

O aluno, sua trajetória, rotina e ambições constroem as estratégias de mercado da Universidade de Toronto. Com programas relevantes e flexíveis, o enfoque primordial da instituição é atrair e melhorar o aprendizado do seu público. Com o novo foco calibrado, entra em ação o Instituto Ontário de Estudos em Educação (OISE), da Universidade de Toronto, responsável por levar adiante a mudança organizacional que a instituição promove.

Acompanhando o momento histórico atual, que valoriza a educação como base sustentadora do desenvolvimento cultural, social e econômico, a Universidade de Toronto traçou um plano audacioso: expandir seu impacto no país, estabelecendo novos valores e estratégias de gestão. “Nosso plano estratégico foi iniciado como uma oportunidade de repensar e rever todos os aspectos relativos ao nosso ensino, pesquisa e extensão”, explica Barbara Bodkin, diretora do OISE.

Mais de 500 membros da comunidade universitária, incluindo professores, funcionários, alunos e ex-alunos, se reuniram para desenvolver o Plano Estratégico 2011-2015. “Agimos no tempo certo ao articularmos uma vasta reflexão sobre o cenário atual da educação, nossos pontos fortes e quais seriam os rumos que deveríamos tomar para melhorar nosso futuro como instituição de ensino”, destaca Barbara.

A mudança nos sistemas educacionais e de gestão, como a manifestada em Toronto, é uma necessidade atual endossada por Kathleen Grant, diretora de Comunicação e de Relações Governamentais da HEC Montréal. “Como as empresas que adotam as melhores práticas na sua área de atuação, as universidades também devem avançar e aprender com outras instituições de ensino”, defende a diretora.

Nesse sentido, adaptar-se ao novo conceito de educação vigente é primordial: “Para nos mantermos informados e competitivos, participamos de associações e grupos pertinentes, onde trocamos informações. Também nos comparamos constantemente com outras universidades do mundo, por meio de rankings e estatísticas disponíveis. Desta maneira podemos avaliar nossos pontos fortes e fracos”, identifica Kathleen.

Novo momento

Esse manual de conduta tem rendido à HEC Montreal diversas recompensas internacionais. “Há pouco mais de dez anos temos intensificado nossos esforços em prol do reconhecimento internacional. Nossa escola foi a primeira da América do Norte a receber os selos de educação de qualidade fornecidos por três grandes instituições da sua área, o AACSB (EUA), EQUIS (Europa) e AMBA (Reino Unido)”, orgulha-se a diretora.

Se o modelo de gestão organizacional e a capacidade de em criar oportunidades de negócios foram as estratégias mais admiradas pelos gestores nos quase 10 dias de visitas, a palavra de ordem da missão foi internacionalização. Com a Missão Técnica no Canadá foi visível perceber o quanto as instituições de ensino estão voltadas para o mundo, almejando espaços cada vez mais além das suas fronteiras nacionais.

A HEC, figura carimbada em importantes rankings internacionais e pioneira em inovação pedagógica, não fica atrás. A instituição se destaca ainda pelo oferecimento de cursos de graduação multilíngues e viagens ao exterior como parte do projeto de graduação, iniciativas igualmente importantes para atrair alunos de todo o mundo.

Na opinião de Kathleen, de fato a internacionalização das universidades modifica, para melhor, a característica dos estudantes da graduação. “A maioria dos nossos alunos tem agora uma ambição de carreira internacional e tenho certeza de que os alunos brasileiros não são diferentes. Por isso devemos buscar manter universidades mais internacionais também”, destaca.

Com a palavra, os gestores
As universidades são muito valiosas para os canadenses. Altos investimentos federais e de parceiros externos evidenciam essa importância e ajudam as instituições de ensino do país a atingirem elevados graus de excelência. Confira a seguir algumas impressões trazidas pelos gestores brasileiros:
“É uma experiência nova principalmente em termos de modelo organizacional. O ensino e a aprendizagem funcionam paralelamente e em função disso há muito resultado de pesquisa científica forte no Canadá”
Antonio Carbonari Netto, da Anhanguera Educacional“Vimos muito enfoque no empreendedorismo e na pesquisa, produzindo inovação e novos negócios que geram renda para o país. Todas as universidades que a gente visitou têm a mesma preocupação: como você vai gerar riqueza através do estudo e da pesquisa. Eles encaram isso de uma maneira muito séria”
Ricardo Paiva, do grupo Ânima Educação

“A nossa impressão é de que há um empenho em todas as comunidades universitárias de ponta do mundo para a internacionalização. Isso serve de âncora e de amparo para as iniciativas das instituições brasileiras, que devem trilhar esse mesmo caminho, a curto prazo, e não ficar esperando”
Geraldo Henrique Ferreira Espíndola, do Centro Universitário UniEvangélica

“Creio firmemente que estudar e analisar as estratégias e melhores práticas adotadas pelas universidades estrangeiras nos possibilitará sermos mais competitivos e aperfeiçoar ainda mais o sistema educacional brasileiro”
José Paulo Fernandes Jr., da Universidade Presbiteriana Mackenzie

 

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