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MBA em gestão educacional usa videoconferência e recursos da web para ajudar administradores a enfrentar desafios do ensino privado

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Elisa Batalha

De Porto Alegre (RS)

Há tempos, o
Master in Business Administration

(MBA)

formato americano da pós-graduação
lato sensu

voltada para o ramo de administração de empresas – transbordou para diversas áreas de conhecimento. Este ano, esse modelo de curso acaba de chegar também à educação.

Para qualificar profissionais de um mercado entre a crise e a reestruturação como está hoje o ensino privado, os especialistas entendem que é preciso encarar a escola como uma empresa, sem perder de vista a especificidade do setor. A partir desse cenário, a Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS) desenvolveu o MBA em gestão educacional. O curso inova tanto no conteúdo quanto na forma. Além de ser o primeiro nesses moldes no Brasil, suas aulas são ministradas a distância, por videoconferência, para 191 alunos, simultaneamente, espalhados em 50 postos situados em 15 estados do país. Além do vídeo, o contato se dá também pelo telefone e, principalmente, pela internet.



As pessoas mantêm suas atividades profissionais, podem se organizar de forma autônoma. Esse formato atende à exigência que os administradores sofrem de formação permanente”, define Joyce Pernigotti, coordenadora do curso. “Os diretores de escolas precisam desviar o foco da discussão da relação professor-aluno e entender que são gestores. É preciso ter um planejamento estratégico. As escolas, principalmente as religiosas, não pensavam na questão lucro, mas é ele que permite, muitas vezes, a sobrevivência da instituição”, diz Tânia Bischoff, professora de uma das cadeiras do curso.

O

s cursos virtuais da PUC-RS existem desde 2000 – até uma graduação em engenharia química está em curso neste momento. Desenvolvido em parceria com a Província Marista, que queria capacitar melhor seus gestores, o MBA em gestão educacional iniciou as aulas em agosto. Os professores da pós têm formação nas áreas de educação, psicologia, administração e economia. A procura foi acima da esperada e, hoje, 50% dos alunos não pertencem àquela rede de ensino religioso. São coordenadores, diretores ou professores de outras escolas privadas, como Cleusa Maria Casari, que freqüenta um dos telepostos de Porto Alegre: “Assisto também às aulas em casa, pelo CD-Rom, quantas vezes for necessário”, conta ela, diretora da Escola Nossa Senhora do Cenáculo. Ela confessa que ficou apreensiva nos primeiros fóruns, espaços virtuais em que os alunos do curso dos mais diversos lugares trocam experiências. “Depois de algumas sessões, já sinto como se estivesse em sala de aula”, declara.



O desafio que levou Cleusa a procurar o curso é a descentralização: “Quem age de forma autoritária tem maior sensação de controle, por isso, descentralizar dá medo”, afirma ela. Já a aluna Valéria Santos da Silva, coordenadora de uma fundação que administra duas escolas maristas em Porto Alegre, vê mais uma vantagem no curso: se familiarizar com os recursos das telecomunicações. “Nossos alunos já conhecem essas tecnologias”, constata. “Não acreditava antes de começar a utilizá-las, mas, hoje, sei que isso é uma tendência em educação.” Nesse formato de ensino a distância do curso de gestão educacional da PUC-RS não há aulas presenciais. Ou seja, as aulas são “geradas” em um estúdio e os alunos, com raríssimas exceções, só vêem o professor pela tela da TV ou do computador.

F

rieza? Impessoalidade? Muito pelo contrário, dizem alunos, professores e coordenadores. O contato, segundo eles, se dá de forma muito intensa pelos labirintos da rede. “Sei mais da vida dos meus alunos dos cursos a distância do que dos presenciais”, diz Joyce Pernigotti, coordenadora do curso. “Eles se sentem muito à vontade para mandar e-mails e existem espaços virtuais só para a convivência entre os colegas, como uma ‘hora do recreio'”, explica.



“O vínculo, o afeto entre professor e aluno não muda, ele atravessa o fórum, o chat. Diálogos, coisas que a gente poderia conter, deixar de fazer pessoalmente, intermediados pela rede surgem de maneira mais fácil”, confirma a professora Tânia Bischoff. A especificidade de dar aulas a distância, segundo ela, está na técnica e em detalhes como olhar sempre para a câmera, pensando no aluno distante. “Também não visto roupa verde nem azul, porque é preciso um contraste com o fundo do estúdio”, exemplifica, com bom humor.


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