Diferentes pais, diferentes motivos

Alguns buscam seguir as tradições; outros se abrem à diversidade

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Karen Ramos: preocupada com a formação do caráter do filho

Karin Pires Ramos, tradutora e intérprete, matriculou seu único filho, João Pedro, de 4 anos, no Colégio Batista Brasileiro, de São Paulo. De família evangélica – tradição iniciada com os bisavós – e vinculada à Assembléia de Deus, Karin conta que tem "uma história de amor" com o Colégio Batista, onde estudou da 5a série até finalizar o magistério. Para ela, a formação religiosa é "de suma importância nessa fase em que a criança está formando o caráter".

Ao escolher uma escola confessional para seu filho, diz que levou em conta a presença do ensino religioso no âmbito pedagógico. "Dão ênfase a valores bíblicos importantes, pois a criança se identifica com personagens da Bíblia, um manual de instruções de conduta."

Apesar de morar em Higienópolis, um bairro onde existem boas escolas próximas à sua casa, prefere levar seu filho todos os dias ao Colégio Batista, "que não fica longe, mas depende de uma condução". Ela até tentou transferir João Pedro para o Mackenzie, também confessional, e localizado na região, "mas lá não tem ensino religioso como no Batista, um modelo de escola evangélica. Além disso, ele não quer sair", conta. Karin deseja que ele permaneça no Colégio Batista Brasileiro até o final do ensino médio. Ela espera que ele siga sua religião, mas não considera o ponto mais importante. "Não penso na religião, mas que ele siga os ensinamentos passados por eles", afirma.

O jornalista Franco Tanio matriculou seu filho mais novo, Lucas Yugo, de 13 anos, no Colégio de São Bento, centro de São Paulo, uma das mais tradicionais escolas católicas do país, fundada em 1903. Lucas estuda lá desde 1999, cursa a 7a. série. A esposa de Franco, Miyuki, bancária, trabalhava nas proximidades, o que facilitava o transporte. Ela já levava Daniel Go, o filho mais velho, para a mesma instituição em 1997. Pesou também na escolha o fato de ser um colégio "pagável" e que oferecia período integral", conta Franco.

O casal Tanio é adepto da Tenrikiyo, igreja fundada no Japão no século 19. Nas palavras de Franco, a igreja diz que "Deus criou o homem para ser feliz neste mundo". Lucas Yugo assiste às aulas de religião, mas o pai não acredita que isso cause conflito com a crença da família. "O Yugo nos vê rezar, e isso tem influência, mas a relação com religião é pessoal e ele será praticante se quiser, não foi batizado em nenhuma religião." O curso preparatório para a primeira comunhão do São Bento é optativo, e as aulas curriculares de religião não se restringem ao catolicismo, dão uma perspectiva histórica e abordam outras crenças. Além disso, Franco acredita que por ser o Brasil um país de maioria cristã, a experiência de freqüentar uma escola católica pode ser enriquecedora.

"O colégio tem estudantes de diversas regiões da cidade, de diferentes etnias e religiões, e as bolsas permitem que pes­soas de diferentes níveis de renda estudem lá. É o lado mais positivo", diz Franco. Ele aprova a linha do colégio: "Por ser tradicional, faz com que os alunos tenham de estudar como no passado – com lição de casa e avaliações".



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