Diálogos sobre o ensino de história

Estudos ajudam a refletir sobre o ensino da disciplina no passado e nos dias de hoje

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O ensino de história sempre foi tema de atenção dos mais diversos agentes sociais pela percepção de que nessa disciplina são tratados temas muito relevantes para a constituição da identidade dos alunos e da consciência social. Nos últimos anos, têm sido publicados no Brasil alguns livros que examinam esse ensino nos seus variados aspectos. Em Ensino de história, usos do passado, memória e mídia, um grupo de pesquisadores de importantes universidades brasileiras oferece ao público leitor um conjunto de 11 estudos que podem ser muito proveitosos para todos os que lidam com a disciplina, em especial para os professores de história do ensino fundamental e médio.

Apoiando-se nas mais recentes pesquisas na área, os autores partem do princípio de que a aula de história faz parte do que é chamado de “espiral da cultura histórica”. Tal cultura envolve as esferas acadêmica, escolar, da divulgação do conhecimento e de todas as reivindicações sociais em torno da memória histórica e do ensino do passado para a juventude.

 

Divulgação
Ensino de história, usos do passado, memória e mídia, organizado por Marcelo Magalhães, Helenice Rocha, Jayme Fernandes Ribeiro e Alessandra Ciambarella (FGV Editora, 280 págs., R$ 47)

O livro se divide em três partes. Na primeira são discutidas as relações entre as teorias e conceitos que fundamentam o conhecimento histórico e os desafios do seu ensino para as crianças e jovens. Na segunda, são apresentados três estudos sobre como a história aparece nos livros didáticos e demais materiais de leitura, além de um capítulo em que são examinados os desafios dos professores diante do fato de que, na atual “sociedade da informação”, quem organiza o roteiro da aprendizagem e da busca do conhecimento é o consumidor (os alunos) e não mais o seu produtor ou detentor (no caso da escola, o professor). Na terceira parte são mostrados exemplos de como a divulgação histórica coloca à disposição da sociedade versões alternativas do passado e da história e são sugeridas interessantes maneiras pelas quais os professores e alunos poderiam se valer das representações históricas veiculadas na televisão, nos jogos digitais em rede e nas biografias e livros escritos por jornalistas, cada vez mais populares no Brasil.

Não se trata, de acordo com os autores, de uma simples modernização do ensino da disciplina, mas de estabelecer um diálogo com os conteúdos da mídia contemporânea para que a história aprendida permita a constituição de uma nova “consciência histórica”, termo do alemão Jörn Rüsen, grande inspirador dos estudos apresentados nesse livro. A obra pode contribuir significativamente para que os professores de história melhorem suas práticas didáticas.

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