Desigualdade no campo

No Enem, pontuação nas escolas rurais é inferior à dos estudantes de escolas urbanas

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Ao analisar os resultados do Enem, vê-se uma forte correlação entre a renda dos estudantes e a nota obtida no exame. Nas provas de linguagens, redação, matemática, ciências humanas e ciências da natureza, as dez primeiras instituições ranqueadas pela média dos 30 melhores alunos estão classificadas nos níveis ‘muito alto’ e ‘alto’ na escala do indicador socieconômico. Isso vale para escolas de todos os portes e dependências administrativas.

Mas essa não é a única segmentação visível nas notas do Enem. As instituições com nível socieconômico ‘muito alto’, ‘alto’ e ‘médio alto’ também comportam dois grupos distintos: o das escolas rurais e urbanas, cujos alunos apresentam desempenhos desiguais. Considerando as cinco primeiras colocadas de acordo com a média de seus 30 melhores alunos, nota-se que em linguagens há uma diferença média de 22% na nota, com vantagem para os matriculados na área urbana (veja abaixo). Em redação, esse valor é de 34%, em ciências humanas, 18%; matemática, 37%; e ciências da natureza, 32%. Para uma comparação adequada, foram excluídas as escolas federais, que por contar com recursos e infraestrutura superiores aos das municipais e estaduais, têm usualmente seus resultados analisados separadamente.

O especialista em educação no campo Antonio Munarim avalia que o problema se deve à falta de políticas públicas voltadas para a valorização das escolas rurais. Essa condição, que prejudica as condições de operação dessas instituições, principalmente pela falta de recursos financeiros, impede a retenção de bons professores no campo. “De maneira geral, os educadores associam a migração para o meio urbano como um movimento de ascensão na carreira. A ideia de que o meio rural representa o atraso, e o urbano a civilização ainda não foi superada”, lamenta o professor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).  Além disso, há pouca oferta de formação continuada para aqueles que permanecem. “As escolas do campo não têm prioridade e é isso o que possivelmente explica o desempenho inferior de seus alunos no exame”, analisa.

 

 

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