Desde 2011, Fundamental 2 está abaixo das metas estabelecidas

Problemas na etapa podem refletir no ensino médio

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Enquanto os holofotes da educação básica estão quase todos voltados ao ensino médio, fruto da edição, pelo governo federal, da medida provisória que reestrutura essa etapa, o ensino fundamental vai juntando também suas mazelas. E, muito provavelmente, como já começam a enxergar alguns analistas, passando-as adiante e fazendo-as ecoar no ensino médio.

A cargo de estados e municípios, o fundamental 2 tem se constituído numa espécie de patinho feio entre os ciclos educacionais, assim um pouco como ocorre com os alunos dessa faixa etária, que não são mais crianças mas ainda não são propriamente adolescentes. Se a educação infantil e fundamental 1 estão inequivocamente a cargo dos municípios e o médio é de responsabilidade dos estados, o fundamental 2 está entre um e outro.

Ao olharmos para a média nacional da etapa no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), o resultado está um pouco abaixo da meta, 4,2 contra 4,5. No entanto, o que parece preocupante é o fato de que, a partir de 2011, houve uma inversão das curvas de resultado e metas. Antes, os resultados médios superavam a meta. Agora, já por duas edições estão abaixo desta, com variações negativas de 0,2 e 0,3 pontos em 2013 e 2015.

De 2007 para cá, o indicador de aprendizado passou de 4,53 para 4,97, uma evolução de pouco menos do que 10% em relação ao número inicial. O indicador de fluxo passou de 79% de aprovação média para 85%, também pouco menos de 10%.

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Se olharmos os resultados de algumas redes estaduais, poucas são aquelas que superam as metas preestabelecidas pelo Ministério da Educação quando do lançamento do Ideb, em 2007. É o caso, por exemplo, dos estados de Pernambuco, Ceará e Goiás, que obtiveram, respectivamente, 4,1, 4,2 e 4,7, com metas de 3,6, 4,0 e 4,1. Já Santa Catarina e São Paulo obtiveram também 4,7, mas tinham metas mais altas, de 5,3 e 5,0. São Paulo, ao lado de Mato Grosso (Ideb 4,5, meta 4,1), conseguiu equilibrar baixa reprovação a bom desempenho, 7% e 4% respectivamente.

Do outro lado, estados como Bahia, Sergipe e Alagoas tiveram altas taxas de reprovação e desempenho bem abaixo da meta. Ainda que muito se fale do ensino médio, é preciso que se olhe com lupa os problemas da passagem do fundamental 1 para o 2 e o desenrolar dessa etapa. Caso contrário, continuaremos a mexer no ensino médio sem ter produzido as condições necessárias de aprendizado dos alunos a essa etapa.

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