Demerval Saviani

pesquisador do CNPq

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Qual o diagnóstico que você faz da educação básica no Brasil? Quais os principais problemas, avanços e retrocessos que a educação vive?




Os muitos problemas da educação básica no Brasil podem ser resumidos em uma palavra: precariedade. As condições de funcionamento das escolas sob o aspecto material e pedagógico, a formação dos professores, suas condições de trabalho e de salário, a situação de vida da grande maioria dos alunos são extremamente precárias. Em conseqüência, apesar do grande avanço quantitativo ocorrido no século XX, quando o número de matrículas aumentou 20 vezes enquanto a população apenas quadruplicou, mesmo sob o aspecto quantitativo o déficit ainda é grande em razão do imenso atraso histórico em que nos encontramos, o que, obviamente, torna o desempenho qualitativo simplesmente sofrível.





 






Na sua opinião, qual é o principal desafio para alavancar o desenvolvimento e a qualidade da educação em nosso país?





Sem dúvida, o principal desafio diz respeito ao financiamento. É preciso acabar com a duplicidade pela qual, ao mesmo tempo em que se proclamam aos quatro ventos as virtudes da educação, exaltando sua importância decisiva num tipo de sociedade como esta em que vivemos, classificada como “sociedade do conhecimento”, as políticas predominantes se pautam sempre pela busca da redução de custos, cortando investimentos. Ora, faz-se necessário ajustar as decisões políticas ao discurso imperante. Trata-se, pois, de eleger a educação como máxima prioridade, definindo-a como o eixo de um projeto de desenvolvimento nacional e, em conseqüência, carrear para ela todos os recursos disponíveis. Assim procedendo, estaríamos atacando de frente, simultaneamente, os demais problemas do país como saúde, segurança, desemprego, pobreza, infra-estrutura, de transporte, de energia, abastecimento, meio ambiente etc.





 






Na sua avaliação, os cursos de formação de educadores no Brasil conseguem preparar o professor para a sala de aula? Se sim ou não, por quê?





Não conseguem. Na verdade, as políticas de formação docente supõem que preparar o professor para a sala de aula possa ser feito pela simplificação e redução dos currículos, em cursos de curta duração, despidos de maiores preocupações com a fundamentação teórica. Pensa-se, assim, em matar dois coelhos com uma só cajadada: conseguir a façanha de formar professores mais capazes de enfrentar as salas de aula e, ao mesmo tempo, reduzir os custos de sua formação, propondo reformas que visam ao máximo de resultados com o mínimo de dispêndio e dando preferência para os institutos superiores de educação em detrimento dos cursos oferecidos pelas universidades públicas. Ora, o professor de que precisamos necessita ter uma sólida cultura. Logo, só pode ser formado em cursos de longa duração.



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