De volta aos primórdios

‘A invenção de Hugo Cabret’ e ‘O artista’ celebram as origens do próprio cinema

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Destaques na cerimônia de entrega do Oscar 2012, duas das produções de maior prestígio celebram as origens do próprio cinema: O artista (França/Bélgica, 2011, 100 min), que recebeu o prêmio de melhor filme e outras quatro estatuetas, e A invenção de Hugo Cabret (EUA, 2011, 126 min), vencedor em cinco categorias técnicas. Enquanto o primeiro narra uma história inteiramente fictícia sobre um astro do período silencioso que entra em decadência com o lançamento do cinema sonoro, o segundo é inspirado em um personagem real, o ator, diretor e produtor francês Georges Méliès.

'O artista' | Foto: Divulgação

‘O artista’ | Foto: Divulgação

Em O artista, o diretor e roteirista francês Michel Hazanavicius optou por falar do cinema silencioso sem usar diálogos. É bem verdade que recorreu a muita música e que, no final, algumas palavras são ditas pelos personagens, mas o efeito geral é muito próximo ao dos filmes produzidos nas primeiras três décadas do cinema. Na trama, um astro de Hollywood (interpretado por Jean Dujardin, Oscar de melhor ator) sai de cena por resistir às mudanças na indústria, ao mesmo tempo em que uma de suas fãs (Bérénice Bejo, mulher de Hazanavicius) faz carreira fulminante como atriz.

Baseado no livro homônimo de Brian Selznick, A invenção de Hugo Cabret traz um dos pioneiros do cinema, Méliès, já na fase final da vida. Esquecido, ele administrava com a mulher uma loja de brinquedos em uma estação ferroviária de Paris. Na trama fictícia do livro e do filme, um menino órfão que mora escondido no relógio da estação (Asa Butterfield) conhece Méliès (Ben Kinsgsley) e protagoniza uma aventura que, embora tenha como alvo o público infantojuvenil, atinge também o espectador adulto justamente pelo caráter afetivo da homenagem do diretor Martin Scorsese a diversos atores e diretores das primeiras décadas do cinema.

Cena de 'A invenção de Hugo Cabret'

Cena de ‘A invenção de Hugo Cabret’

História
O marco inicial do cinema sonoro é o longa-metragem norte-americano O cantor de jazz (1927), com dois terços de sua duração sonorizados. Alguns profissionais, como Charles Chaplin, relutaram inicialmente em realizar “filmes falados”. Muitos atores e diretores não conseguiram fazer a transição. Os clássicos Crepúsculo dos deuses (1950) e Cantando na chuva (1952) ilustram as transformações daquele período.

Oscar
Embora seja uma produção franco-belga, O artista foi filmado em Los Angeles. Sua boa receptividade nos EUA está relacionada também ao fato de que os diálogos (escritos em cartelas e, no final, falados) são em inglês, com a presença de diversos atores norte-americanos. Apenas sete filmes inteiramente falados em outros idiomas que não o inglês disputaram o Oscar de melhor filme, entre eles o sueco Gritos e sussurros (1973) e o italiano A vida é bela (1998). Nenhum deles recebeu o prêmio.

Biografia
Georges Méliès (1861-1938) trabalhava como mágico em 1895, quando assistiu à primeira sessão do cinematógrafo, um dos aparelhos que deram origem ao cinema. Entusiasmado pela possibilidade de usar o truque das imagens em movimento nos seus números de magia, tornou-se mais tarde o grande precursor da fantasia no cinema. Apesar do sucesso de muitos de seus filmes, como Viagem à Lua (1902), parou de trabalhar ainda na década de 1910 e morreu no ostracismo.

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