De todos os credos

Escolas confessionais dizem ter alunos de diversas religiões

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As escolas confessionais não escondem sua condição perante o mercado no qual concorrem, o das escolas privadas. "A maioria das escolas religiosas não tem crise de identidade", afirma Maurício Berbel, sócio da Alabama Consultoria Educacional, especializada em marketing e gestão escolar e que tem entre seus clientes 50% de instituições religiosas.

A escola religiosa aceita alunos de todas as crenças, pois, explica Berbel, a religião não é o principal fator que leva os pais a matricular seus filhos, embora tenha influência . As famílias dão importância a valores e princípios, elementos que percebem nas confessionais. "Mas muitas escolas laicas pregam ética e respeito", diz Berbel. "As escolas não têm público cativo. Os pais analisam a relação custo-benefício, os serviços oferecidos e o conteúdo curricular para o vestibular. O que as religiosas podem proporcionar a mais são valores de convivência e solidariedade", afirma.

"O Sion é confessional com cunho ecumênico. Temos alunos espíritas, evangélicos, judeus", diz Luiza Spessoto, coordenadora de marketing do Colégio Nossa Senhora de Sion, fundado em 1901, de São Paulo. Na escola, há missas e aulas para os que querem se preparar para a primeira eucaristia e a crisma. O ensino religioso é dado com as aulas de orientação educacional. "Mas não ensinamos o sacramento. Temos o projeto Fé e Vida, em que os professores desenvolvem nos alunos valores como o amor ao próximo e respeito ao meio ambiente", diz Spessoto.

Marcelo Maghidman, da Tafkid Marketing Educacional e Cultural, crê que as escolas confessionais devem reafirmar sua condição sem o temor de não serem escolhidas por pessoas de outras crenças. "O público tem de se identificar com a proposta. O marketing não conflita com a religião, tem de ser honesto, não se pode divulgar o que não é."

Para Maghidam, há uma escala de prioridades na escolha de uma escola, das quais fazem parte localização, preço, estrutura física e orientação pedagógica.  "Muitas famílias católicas, mesmo não sendo praticantes, escolhem uma escola católica, não pela religião, mas pelos valores que difunde." No entanto, para grupos minoritários, como judeus e muçulmanos, "a escolha pela confessional religiosa faz a diferença".

A maioria dos cerca de 750 alunos do Colégio Batista Brasileiro, de São Paulo, não é evangélica, diz Selma Lima Reis Guedes, diretora de capelania. A escola não esconde seu caráter confessional: "Os pais que vêm nos conhecer geralmente dizem que procuraram o colégio por indicação. Sabem o que buscam – o ensinamento de valores". Como o Sion, recebe alunos de diversas religiões, "como espíritas, budistas, judeus e até do Santo Daime". Nas aulas semanais de ética cristã, ministradas do maternal ao ensino médio, há cânticos, orações e a abordagem de temas como solidariedade, responsabilidade social e orientação sexual. A presença não é obrigatória. "Quando algum aluno não vai, procuramos saber o motivo. Não temos problemas de enfrentamento." Nas aulas de biologia, o criacionismo acompanha a teoria darwinista da evolução. "Não fazemos proselitismo, nem ensinamos religião", afirma Selma.



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