Daniel Max Lima

secretário de comunicação do Sindicato dos Professores de Pernambuco

Compartilhe
, / 858 0




Como você avalia a educação no Brasil atualmente? Quais nossas evoluções em relação ao passado, e em que temos que melhorar?




A situação atual da educação no Brasil pode ser caracterizada como estando em uma fase de transição, ou seja, a forma tradicional como se pensava o ensino está sendo superada, porém as novas didáticas esbarram na falta de estrutura física nas escolas públicas e na ausência de projetos pedagógicos que possam romper com o caminho único da aprovação no vestibular.




As péssimas condições de ensino-aprendizagem e os baixos salários permitem o aumento da incerteza quanto ao futuro da educação pública em nosso país. Por outro lado, a visão mercadológica das instituições privadas de ensino, beneficiada pela pouca clareza das regras para o funcionamento do setor, transforma o aluno em cliente, portanto, não mais existe a idéia de dar continuidade ao acompanhamento do desempenho da criança e do adolescente sob a lógica de um mesmo projeto pedagógico. Além disso, contribuem, também, para a formação fragmentada, a grande rotatividade de professores (na rede privada) e o pouco (quando nenhum) incentivo do poder público no quadro docente.



Todavia, devemos acreditar que o caminho que pode ser trilhado para sair dessa encruzilhada passa necessariamente por uma valorização dos profissionais da educação e um fazer pedagógico que veja o aluno como potencial agente transformador nessa sociedade globalizada.



 





Como você avalia a situação da educação em Pernambuco?





A educação em Pernambuco não difere da maioria dos Estados brasileiros. Porém, nos últimos anos tem se agravado a crise, baseada nos seguintes pilares:




1) investimentos cada vez menores em todas as áreas;



2) achatamento salarial;




3) relação autoritária do governo do Estado para com o Sindicato dos Trabalhadores;




4) mudança no comportamento dos donos de escolas, que passaram a praticar uma concorrência predatória, levando os professores a uma exploração crescente do pretexto de manter a “escola” funcionando.




Esses fatores conjugados fazem com que Pernambuco esteja entre os piores Estados na área de educação. Além disso, a municipalização do ensino fundamental se deu de forma arbitrária, em que o governo do Estado não promoveu uma transição que ajudasse a corrigir problemas e permitisse aos municípios uma adequação em suas instalações. A exceção ficou talvez com Recife, por ser capital, mesmo assim, o déficit de atendimento não foi completamente sanado.



As precárias instalações, os baixos salários e a falta de um projeto educacional mais bem estruturado, além da falta de professores especialistas, fazem do ensino médio um convite à evasão.



 





Nos dias atuais, como podemos definir um bom professor? O que o bom professor atual deve ter?





É difícil definir um bom professor, mas, em linhas gerais, podemos identificar características que podem apontar para a boa formação de um docente.




Como em toda profissão, as condições de trabalhão e de formação são fundamentais para que o professor não seja apenas um transmissor de conhecimentos, é importantíssimo que na sua passagem pela graduação ele tenha contato com pensamentos críticos, com formas investigativas de aprendizagem e que se torne capaz de avaliar e avaliar-se criticamente para que possa superar seus limites.



No momento vivemos um estado de muitas incertezas em que a violência impõe horários e afasta estudantes e professores da sala de aula, principalmente à noite, em que não existe diálogo entre o governo e os professores. Isso faz com que o exercício da profissão seja condicionado e limitado.



Mesmo nas escolas particulares as condições de trabalho e salariais são um obstáculo para o professor conseguir exercer seu papel na formação das crianças e dos jovens, que devem concluir sua escolaridade tendo se tornado um cidadão.



Comentários

comentários

PASSWORD RESET

LOG IN