Da ioga ao hip hop

Para adeptos de nova visão dos movimentos corporais, a ordem é variar

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Seguindo o preceito atual de que a criança precisa ter a opção de escolher práticas prazerosas de movimento corporal, as escolas têm trabalhado com as mais diversas atividades, que ultrapassam as barreiras dos esportes. É o caso da ioga, modalidade adotada na escola privada Hugo Sarmento, na zona oeste de São Paulo.

Com pouco mais de 350 alunos matriculados, a instituição tem 10 professores de educação física para contemplar diversas atividades, escolhidas anualmente pelos alunos por meio de enquetes. "A educação física na escola não é mais somente polichinelo ou correr em volta de uma quadra", diz o diretor, João Mendes de Almeida. "Optamos por oferecer o que os alunos querem fazer."

Estão disponíveis aulas de caratê, tai chi chuan e aquilo que estiver em alta entre os alunos. A preocupação é com o envolvimento discente, sem estímulo à competição.  Os alunos têm parte da grade com aulas coletivas e podem fazer um rodízio das diversas atividades oferecidas num segundo momento, uma forma de encontrar a atividade com que mais se identifiquem.

Linha parecida segue a escola italiana Eugenio Montale, outra particular paulistana. Mildred Aparecida Sotero, que leciona educação física na instituição, conta sua trajetória na decisão das atividades: "os alunos adoram funk e decidi ministrar aulas nas quais se estudou o movimento cultural que o originou, o papel da mídia e todo o contexto relacionado à prática do movimento corporal", explica.

Para ela, ainda há preconceitos a superar para legitimar a dança e outras atividades – lutas e teatro, cita – como conteúdo escolar da educação física. "Os PCNs ajudaram, mas as deficiências no tratamento que se deve dar a esse conteúdo ainda são profundas. Quando o professor consegue contextualizar o movimento da dança com o gestual, o aluno não esquece nunca mais. Isso é conhecimento", avalia.

Outra grande contribuição da dança está no fato de a modalidade combater preconceitos. Assim, esse outro olhar dentro da sala de aula permitiu que os meninos estivessem entre os maiores adeptos das aulas, segundo relata a professora.


Experiência pública

 
Na Emef Prof. Anézio Cabral, em Osasco, o hip hop e o grafite ganharam status de educação física pelas mãos da professora Cindy Siqueira. A escola fez um mapeamento da cultura da comunidade, que resultou na percepção de que a dança era bastante valorizada. A partir daí, ritmos como rap e o basquete na modalidade street passaram a caminhar juntos. A professora desenvolveu um portfólio individual, além de um para cada turma, no qual pode acompanhar a evolução e dificuldade de cada aluno. "É uma espécie de diário de aula", diz enfatizando o caráter de instrumento que permite dar continuidade ao trabalho embrionário que tem desenvolvido. Outra prática adotada por Cindy são os vídeos.

Todos esses eventos, assim como as apresentações dos alunos, foram gravados para que pudessem avaliá-los posteriormente. "O MCCiro, tio de um aluno que integra o movimento de hip hop, veio dar uma palestra aqui e as crianças se entusiasmaram muito", conta.

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