Coordenador pedagógico do ensino médio é um dos profissionais mais valorizados pelas escolas

Consultora Ana Paula Jesus de Souza, da Spaço In, aponta que perfil mais procurado é o de profissional capaz de reposicionar a instituição em termos de Enem

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Coordenador pedagógico do ensino médio é um dos profissionais mais valorizados pelas escolas

Imagem: Shutterstock

O olhar para o processo da busca de escolas por profissionais e destes pelo emprego permite identificar algumas tendências do atual momento da educação privada no Brasil. A mais clara, como mostram os relatos de consultores e gestores de escolas, é a busca por profissionais adaptados a estes tempos de relações mais horizontalizadas, presença de dispositivos tecnológicos e comprometimento com a aprendizagem e as potencialidades de cada aluno.
Isso se tem traduzido na adoção de currículos por competências, e não mais apenas no domínio dos saberes tradicionais, disciplinares, por parte dos docentes, segundo o discurso das escolas. Além disso, na capacidade de dialogar e interagir com os alunos num nível mais próximo.

Mas há outros aspectos a ressaltar. Talvez o que chame mais atenção seja o apontado pela consultora Ana Paula Jesus de Souza, da Spaço In: hoje, um dos profissionais mais valorizados pelas escolas é o coordenador pedagógico do ensino médio. Mas com um perfil específico.

“São aqueles que reposicionaram a escola em termos de posição no Enem. Alguém que funcione como um gestor do ensino médio, que o veja como uma escola à parte dentro da escola, olhando sempre para os resultados. Quando está atualizado em assuntos como tecnologia, matrícula, captação, sendo um gestor de área, esse profissional tem de ser buscado Brasil afora, a ponto de termos de fazer hunting”, conta ela.

Dois perfis conseguem preencher esses casos. O daqueles que foram formados para ser diretores, mas não conseguiram chegar ao cargo, e aqueles que expandiram seu olhar da coordenação estritamente pedagógica para o de gestores de área. Segundo Ana Paula, esses profissionais chegam a ganhar de R$ 18 mil a R$ 25 mil, mas já houve quem fosse à casa dos R$ 30 mil mensais. Um índice de que para muitas escolas privadas – e também para muitas famílias – a aprovação no Enem ou no vestibular é o item mais valorizado da educação básica.

Por outro lado, muitos colégios de alto padrão também aproveitaram o momento difícil do ensino superior, que com a crise econômica e o declínio do Fies registrou perda de alunos e demissão de docentes, para contratar professores de áreas como língua portuguesa ou história, relata a consultora. Em alguns casos, esses colégios pagam mais do que as faculdades. Em outros, os profissionais já haviam saído do superior.

A crise ainda tem dado suporte ao crescimento das escolas privadas de tíquete mais baixo, na casa dos R$ 500, R$ 600. Como são mais palatáveis às famílias empobrecidas, têm recebido mais alunos.

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