Contra a lógica do consumo

Seminário discute programas e ações que trabalham a dimensão do afeto na educação sexual

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Promover a “formação efetiva e emancipatória” dos jovens em relação à sexualidade é uma urgência para a escola. A conclusão é de Valéria Mokwa, professora da rede estadual paulista. Durante o I Seminário Internacional do Adolescente, promovido em maio pela Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP), ela apresentou as conclusões do estudo
Representações Sociais do Corpo Humano entre Alunos do Sétimo Ano do Ensino Fundamental em Ribeirão Preto (SP)

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Um grupo de 24 alunos com idades entre 12 e 13 anos foi incentivado a desenhar o que sentia ao pensar sobre o corpo humano. O resultado demonstrou visão predominantemente biológica dos órgãos, com a sexualidade ocultada – foram poucos os desenhos com referências claras aos genitais, por exemplo.






Valéria desenvolve tese sobre o assunto, com propostas para abordagem e envolvimento dos estudantes. A musicoterapia é uma ferramenta valiosa nesse contexto, defende. O seminário reuniu também exemplos de protagonismo juvenil na educação sexual. A psicopedagoga Sônia Maria Molan Gaban, do Centro de Referência do Jovem e do Adolescente de Araraquara (SP), expôs iniciativas bem-sucedidas em escolas públicas da cidade. Um grupo multidisciplinar foi composto pela Secretaria da Saúde para “construir a participação dos jovens” em ações voltadas ao debate da sexualidade.





Uma das escolas mais problemáticas da região – com índices de violência que suscitaram até uma intervenção policial – foi escolhida para dar início a esse processo. Foi o ponto de partida para ações que envolveram outras nove instituições públicas de ensino. Uma das ferramentas para incentivar a participação estudantil foi um concurso de redação, “Amar vale a pena”, sobre os relacionamentos dos jovens.





A importância da dimensão amorosa foi debatida nos textos; os alunos, com base nessa experiência, produziram um livro com duas histórias em quadrinhos. HIV, gravidez indesejada e cerceamento da liberdade por causa de escolhas sexuais são temas abordados na linguagem dos adolescentes. A troca de conhecimentos e o envolvimento mudaram a postura dos alunos e sua auto-estima foi acrescida, afirma Sônia.





A psicanalista Maria Alves de Toledo Bruns, professora do campus de Ribeirão Preto da USP e co-autora do recém lançado
Sexualidade – Preconceitos, Tabus, Mitos e Curiosidades

(Átomo, 82 págs., R$ 20,00) e de outros livros sobre sexualidade, também fez uma apresentação durante o seminário. A superficialidade dos vínculos afetivos, hoje, foi apontada como uma das características que carecem de reflexão.




Na análise de Maria Alves, os códigos e os vínculos afetivo-sexuais entre adolescentes – e também entre adultos – seguem uma lógica consumista. Descartável, portanto. O afeto é apontado como aspecto primordial na construção psicológica dos indivíduos em relação à sua sexualidade. Mesmo assim, ela sustenta que existem jovens capazes de viver relações maduras. Uma das características desse tipo de troca é a “fidelidade negociada”.



Reportagem: Faoze Chibli






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