Conheça projetos inovadores em formação docente

Professoras de licenciaturas premiadas pela Fundação Carlos Chagas falam sobre as propostas que têm desenvolvido em sala de aula

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A qualidade das práticas em sala de aula tem aumentado em todo o Brasil. Pelo menos é o que indica o Prêmio Professor Rubens Murillo Marques, promovido pela Fundação Carlos Chagas (FCC). Com o objetivo de valorizar professores de licenciaturas, o prêmio chega à sua segunda edição com uma surpresa: o nível dos projetos desenvolvidos nas salas de formação docente foi tão alto, que a comissão julgadora ampliou de três para quatro o número de professoras vencedoras. “O número de inscrições triplicou e recebemos trabalhos muito bons. As propostas foram feitas de modo mais completo, com boas justificativas e detalhamento. Ficamos felizes de ver que o prêmio está se consolidando e ajudando na valorização do formador docente”, ressalta a professora Bernadete Gatti, idealizadora do prêmio e pesquisadora da FCC.


A professora explica que a avaliação do trabalho é realizada em diferentes etapas. Primeiro a comissão institucional analisa a pertinência do projeto em relação ao prêmio. É ela também que julga se a iniciativa é inovadora e apresenta uma proposta que contribua à didática. Depois disso, especialistas em diferentes áreas do conhecimento avaliam os projetos referentes ao seu campo. Esse consultor emite um segundo parecer e os trabalhos voltam à comissão institucional que dá o resultado final.


As professoras vencedoras receberam um prêmio de R$ 30 mil, diploma, troféu e publicação do projeto premiado na coleção Textos FCC e no site da fundação.


Conheça os projetos vencedores.


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Vamos jogar?





Gustavo Morita
A regra é a seguinte: a turma se divide em duas equipes e recebe um desenho de cada órgão do corpo. O mediador faz uma pergunta sobre um dos órgãos. Os alunos têm que identificar o órgão, colocá-lo no lugar certo em um grande tabuleiro com o formato do corpo humano e responder corretamente a pergunta para marcar três pontos para sua equipe. O jogo “Corra que o órgão vem aí” é um exemplo do que tem sido feito nas aulas da professora Vera Carolina Longo, no curso de Ciências Biológicas da Universidade Metodista de São Paulo.


Desde o ano 2000, quando o curso passou por uma grande reformulação, a licenciatura ganhou um peso grande, estando presente em todos os anos da formação acadêmica e tendo como objetivo promover vivências práticas e inovadoras que os alunos pudessem trabalhar nas escolas. Professora do módulo “Gestão, Democracia, Sociedade e Prática de Ensino”, Vera aborda com os estudantes o uso de atividades lúdicas na educação e os orienta a montar jogos sobre conteúdos de ciências ou biologia, como requisito de avaliação.


Todos os jogos criados são levados para a sala de aula nos estágios supervisionados ou em atividades de extensão promovidas pela universidade.  “O ensino de ciências e biologia, de uma maneira geral, é muito ligado à metodologia tradicional. Mas aos poucos algumas iniciativas estão sendo tomados no sentido de trazer novas metodologias de ensino, motivando os futuros professores a trabalhar o conteúdo específico de uma forma mais lúdica”, aponta Vera.


Os estudantes podem escolher os conteúdos sobre os quais querem elaborar seus jogos. “Eu valorizo muito quando eles pensam de uma forma mais interdisciplinar”, ressalta Vera. Mas os conteúdos mais escolhidos fazem parte da área ambiental, com jogos relacionados à extinção de espécies animais e vegetais ou problemas ambientais causados pela interferência humana, ou da área de saúde, com foco no tema das drogas ou prevenção de doenças.


A professora conta também que, desde 2008, existe uma parceria entre o curso de Ciências Biológicas e o curso de Psicologia, que promove o intercâmbio de conhecimentos entre professores e alunos e possibilita a utilização da brinquedoteca do curso de Psicologia pelos alunos de Ciências Biológicas. Para 2013 está prevista uma nova parceria com os alunos do curso de Desenvolvimento de Softwares, com o objetivo de transformar os jogos elaborados em games para computadores, ou ainda, em aplicativos para celulares.

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A professora explica que a avaliação do trabalho é realizada em diferentes etapas. Primeiro a comissão institucional analisa a pertinência do projeto em relação ao prêmio. É ela também que julga se a iniciativa é inovadora e apresenta uma proposta que contribua à didática. Depois disso, especialistas em diferentes áreas do conhecimento avaliam os projetos referentes ao seu campo. Esse consultor emite um segundo parecer e os trabalhos voltam à comissão institucional que dá o resultado final.


As professoras vencedoras receberam um prêmio de R$ 30 mil, diploma, troféu e publicação do projeto premiado na coleção Textos FCC e no site da fundação.


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Tecnologia para a formação





Gustavo Morita
Professora há quase dez anos na Universidade Federal do Alagoas, Elisangela Mercado apresentou aos seus alunos do curso de pedagogia uma proposta que pretendia inovar e dinamizar a disciplina Estágio Supervisionado em Gestão Educacional. “Eu trouxe a ideia de usarmos o blog, ferramenta que os alunos já têm familiaridade no seu dia a dia, como um diário de campo das experiências vivenciadas no estágio”, conta Elisangela.


A primeira ideia da professora foi criar um blog para a disciplina, onde se concentram todos os textos de apoio, slides e atividades utilizadas em sala de aula. Na página há também um espaço para que alunos que já cursaram a disciplina possam escrever sobre suas experiências e deixar referências para os colegas estagiários.  Os alunos foram orientados pela professora a criar seus próprios blogs e postar as ações desenvolvidas semanalmente nas escolas campo de estágio.


Para Elisangela, esse formato ampliou a responsabilidade do professor supervisor para o ambiente virtual e a dinâmica de comentários nas postagens dos alunos sobre as ações desenvolvidas se tornou parte de sua ação pedagógica. Os alunos puderam contar com um acompanhamento sistemático da professora. “À medida que os alunos executavam as atividades nas escolas e postavam suas análises nos blogs, eu podia, em tempo hábil, fazer comentários, tirar dúvidas, dar sugestões e apresentar materiais sem ter de esperar pelo relatório final deles. A disciplina se tornou muito mais dinâmica”, explica a professora.


Outro ponto que chamou a atenção de Elisangela foi o aumento na freqüência e participação dos alunos. Ela afirma que o projeto renovou a disciplina, que normalmente é pouco valorizada no curso. “Os estagiários perceberam que o trabalho deles pode ajudar outras pessoas que passam por situação semelhante ou trazer mais informações para a própria escola campo de estágio no seu processo de formação interno”, ressalta. Além disso, o projeto influenciou outros professores a utilizarem a ferramenta em suas aulas.

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A professora explica que a avaliação do trabalho é realizada em diferentes etapas. Primeiro a comissão institucional analisa a pertinência do projeto em relação ao prêmio. É ela também que julga se a iniciativa é inovadora e apresenta uma proposta que contribua à didática. Depois disso, especialistas em diferentes áreas do conhecimento avaliam os projetos referentes ao seu campo. Esse consultor emite um segundo parecer e os trabalhos voltam à comissão institucional que dá o resultado final.


As professoras vencedoras receberam um prêmio de R$ 30 mil, diploma, troféu e publicação do projeto premiado na coleção Textos FCC e no site da fundação.


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Da universidade para a escola


Uma das maiores dificuldades no início da carreira docente é relacionar toda a teoria vista na universidade com o cotidiano da sala de aula. Como mostrou a reportagem “Bem vindo à realidade” , na edição de outubro da revista Educação, uma formação inicial que prepare para a prática escolar é fundamental para que o impacto do “divórcio” entre a faculdade e a vida profissional seja atenuado e essa transição seja feita de maneira mais consciente.






Gustavo Morita
Propiciar uma maior integração entre escola e universidade foi o que motivou a professora Ana Lúcia Manrique, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, a desenvolver o trabalho “Iniciação à Docência: reflexões sobre a formação inicial de professores”. O projeto, realizado com alunos das licenciaturas em matemática e física, se baseou numa intervenção realizada em uma escola municipal de São Paulo e está inserido no Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID), da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).


Durante um ano letivo os alunos participantes tiveram a oportunidade de vivenciar o dia a dia de uma escola pela perspectiva do professor. “Muitos dos alunos nunca tiveram contato com uma escola pública e os que já conheciam tinham apenas a visão da escola como alunos”, conta Ana Lúcia Manrique. Por isso, a primeira atividade realizada envolveu a descrição e análise da realidade escolar, por meio de levantamento de dados de avaliações externas e da observação de características socioeconômicas e culturais dos alunos, do corpo docente e da região da escola. A partir dessa análise, os licenciandos elaboraram um projeto de intervenção que procurou sanar alguns problemas identificados principalmente no ensino de matemática para o 6° ano do ensino fundamental.


O passo seguinte foi a elaboração e aplicação de um teste diagnóstico que contemplasse os conceitos matemáticos determinados pelos Parâmetros Curriculares Nacionais para o terceiro e quarto ciclos do ensino fundamental (PCN). A partir dos resultados, os alunos das licenciaturas apresentaram um gráfico do desempenho dos alunos em função dos acertos das questões e do período em que a turma estudava e realizaram uma análise qualitativa das quatro questões que apresentaram maior índice de erro.


Com os resultados em mãos, os alunos puderam desenvolver sequências didáticas e planos de aula para serem trabalhados com quatro turmas de 6° ano. Uma nova avaliação foi aplicada, visando contemplar os conteúdos específicos abordados na sequência didática. Ao final do projeto, os alunos entregaram uma análise geral da intervenção apontando ações que devem ser tomadas em relação a cada uma das turmas e sugerindo atividades que podem melhorar o desempenho dos alunos, como a montagem de uma feira de ciências exatas e a criação de um laboratório de matemática.


Para Ana Lúcia, o projeto foi inovador e trouxe oportunidades de aprendizado tanto para os alunos das licenciaturas, como para a escola. “Para o sistema de ensino, a avaliação que eles criaram foi inovadora e pode continuar a ser aplicada. Já para os alunos, o projeto foi inovador porque mesmo nos estágios eles não fazem intervenções”, aponta. “O interessante é que esses alunos agora querem ser professores. Eles puderam perceber que existem possibilidades na docência”, acrescenta a professora.

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Gustavo Morita
Professoras premiadas: inovação na formação docente

A qualidade das práticas em sala de aula tem aumentado em todo o Brasil. Pelo menos é o que indica o Prêmio Professor Rubens Murillo Marques, promovido pela Fundação Carlos Chagas (FCC). Com o objetivo de valorizar professores de licenciaturas, o prêmio chega à sua segunda edição com uma surpresa: o nível dos projetos desenvolvidos nas salas de formação docente foi tão alto, que a comissão julgadora ampliou de três para quatro o número de professoras vencedoras. “O número de inscrições triplicou e recebemos trabalhos muito bons. As propostas foram feitas de modo mais completo, com boas justificativas e detalhamento. Ficamos felizes de ver que o prêmio está se consolidando e ajudando na valorização do formador docente”, ressalta a professora Bernadete Gatti, idealizadora do prêmio e pesquisadora da FCC.


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