Confissões sexuais de adolescente

Jovem de 18 anos transforma detalhes de sua vida erótica em best-seller e escandaliza sociedade italiana

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Guilherme Aquino







Rio de Janeiro (RJ)







“Aceitei a proposta de vê-lo junto com outros. Sabia que deveriam ser três os participantes daquela orgiazinha. me encontrei com cinco, todos com um fascínio próprio. Naquela noite, eu usava uma roupa de puta de verdade. Estar nua no meio dos rapazes provocava em mim aquela sensação de prazer imenso”, diz um trecho do livro que descreve o presente que uma jovem siciliana se deu de aniversário aos 16 anos.



Os manuscritos de Melissa Panarello, recentemente publicados, estão perturbando a sociedade italiana por colocar a nu a idade da inocência. Perto de completar 18 anos, a moça decidiu publicar as próprias aventuras sexuais desde os 15 anos. O livro foi escrito na garagem de casa, durante o inverno europeu de 2002 e 2003, longe dos olhos da mãe e do pai, na cidade de Catânia, na Sicília. As histórias e emoções da jovem Melissa, narradas em 143 páginas, já viraram cult na Itália e são um retrato da sexualidade neste começo do século XXI.




Cento Colpi de Spazzola Prima di Andare a Dormire
(
Cem Escovadas nos Cabelos Antes de ir Dormir

) é um fenômeno editorial: desde o lançamento, em julho do ano passado, já foi lido por mais de 500 mil pessoas. Ainda fora das estantes brasileiras, o diário erótico e romanceado de Melissa Panarello foi vendido para outros 18 países e está sendo transformado em roteiro cinematográfico na Itália.



O título do livro é uma alusão ao gesto de pentear os cabelos todas as noites, antes de ir para a cama, sozinha. Um ritual de purificação, quase infantil, depois dos encontros amorosos da protagonista. Em plena adolescência, fascinada pelo sexo na arte e na vida, tocada pela indiferença dos pais e pelo apetite voraz pela literatura, Melissa diz que tinha de escrever o seu próprio livro. A experiência funcionou como catarse para ela e alimenta agora o voyeurismo de milhares de leitores. Homossexualismo, sadomasoquismo, experiências com homens mais velhos ou mais novos, orgias. O vasto repertório do rito de iniciação da jovem Melissa é de tirar o fôlego.


 




O que a levou a escrever e publicar as suas revelações?




Nenhum motivo em particular. Eu senti a necessidade de falar sobre elas, de não deixá-las dentro de mim. E publicar o livro significou me separar radicalmente do meu passado.



 




De tudo que mostra no livro, o que a marcou mais?




Nenhuma experiência me fez mais mal do que outra. Todas foram vivenciadas com tamanha indiferença e frieza que já não têm nenhuma importância no presente.




 





Muitas ONGs, em todo o mundo, denunciam o abuso sexual contra crianças e adolescentes e a prostituição infantil. Qual é a sua opinião sobre esses temas?




Diria que o problema é menos social e mais individual. Se os homens deixassem de trancar os próprios desejos, muito provavelmente esses desejos não se tornariam perversões. E eles viveriam, então, tudo com muita tranqüilidade, sem necessidade de pagar e estimular o mercado de sexo.



 




Alguns críticos sustentam que o livro não foi escrito por uma jovem de 18 anos. Você é realmente quem diz ser?




Sim. A maturidade é uma coisa subjetiva. Tem quem a alcance aos 16 anos, aos 30 anos, e tem quem não a alcance nunca. É só ler muito, ter uma paixão enorme pela literatura e, aos 16 anos, pode-se ser um escritor.



 




Qual foi a reação da sua família ao ler o livro?




Meus pais receberam um soco no estômago. Aliás, é assim que os pais se sentem quando entendem que os filhos têm uma vida sexual. E sofrem um golpe maior quando uma filha tem uma vida sexual tão intensa quanto a minha.



 




Como você reagiria se fosse mãe e sua filha escrevesse um livro como seu?




Minha reação não seria muito diferente da reação dos meus pais, mas talvez eu tentasse não fazê-la sentir-se tão culpada.



 




Seus amigos sabiam de suas aventuras?




Sim, eles sabiam de tudo. Ouviam com prazer e espanto as minhas histórias. Depois, me pediam conselhos. Nunca me julgaram, pelo menos na minha presença.



 




Além do livro, o que restou das suas aventuras sexuais?




Nunca tive dúvidas sobre a minha sexualidade. Existem tantas maneiras diferentes de vivê-la. E eu a vivi de forma errada, simplesmente isso. Eu faria tudo de novo, mas com outro enfoque interior.



 




Você conheceu muitos dos seus parceiros pela internet. Que transformação a rede está provocando na educação sexual do jovem?




A internet cobre e ocupa aquele vazio sexual que muita gente da minha idade sente. É um mundo em que se conhece o sexo de maneira fácil e rápida. Mas é um sexo falso, ambíguo, nada espontâneo. Na internet, a gente é aquilo que deseja ser, nada é real. Eu creio que um retorno ao corpo e à carnalidade não façam mal a ninguém.



 




Como espera que seu livro seja recebido no Brasil, se for publicado?




Espero que não aumente a taxa de natalidade.



 





Cristiane F, Drogada e Prostituída



foi um livro autobiográfico que, ao seu tempo, causou um grande rebuliço na sociedade ocidental e serviu de alarme para toda uma geração. Seu livro percorre uma estrada semelhante, pelo menos quanto ao sucesso editorial. A que se deve tamanha curiosidade pela vida sexual alheia?




À curiosidade mórbida, mas também à procura de certezas. Estar no próprio mundo já não basta. Existe sempre a necessidade de entrar no mundo dos outros.



 




Onde começam a realidade e a fantasia no seu livro?




Exatamente onde começa o sonho e onde termina o pesadelo.



 


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