Como diria Garrincha…

Faltou combinar com o adversário, ou seja, o professor

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Uma questão recorrente pode dificultar ou inviabilizar os programas e ações desenvolvidos para reformatar o ensino médio: o perfil do professor que está nas salas de aula atualmente. Afinal, a proposta de um ensino interdisciplinar, focado em áreas de conhecimento, pode esbarrar num docente formado a partir de uma visão disciplinar do conhecimento.

Na perspectiva proposta, espera-se que o docente ultrapasse a dimensão de "especialista" e promova um "diálogo" entre as disciplinas, desenvolvendo uma aprendizagem que torne os alunos capazes de aprender a relacionar as diferentes áreas do conhecimento.

"Não é possível discutir a identidade do ensino médio sem considerar a formação do magistério e a própria identidade do profissional que leciona nesse segmento’, analisa Pedro Flexa Ribeiro, diretor pedagógico do Colégio Andrews, do Rio de Janeiro. "A convocação à interdisciplinaridade se impõe a cada dia. No entanto, o professor ainda se considera um especialista e concebe como sentido maior de sua ação a correta e clara transmissão daquele conteúdo específico."

Ribeiro não está isolado nessa percepção: durante a audiência pública sobre o programa
Ensino Médio Inovador

, realizada no Conselho Nacional de Educação, representantes de vários segmentos – movimentos, ONGs, entidades de classe, universidades – enfatizaram a necessidade de vincular as mudanças no ensino médio à reformulação da formação docente inicial e à melhoria das condições de trabalho dos profissionais.

"Para enfrentar essa tarefa, é preciso contar com condições mínimas. Mais do que um determinado tipo de formação de professores, precisamos avançar na perspectiva de construir as condições adequadas e um aspecto fundamental seria garantir a dimensão intelectual do trabalho docente", enfatiza a socióloga Ana Paula Corti.

Esse último aspecto em particular cria um paradoxo quando se pensa em uma proposta que preconiza a formação de um aluno crítico, enquanto o professor é tratado como mero receptor e produtor de conteúdos e diretrizes definidos por outros, lembra Ana Paula. Ou seja, como alguém formado para reproduzir poderá induzir à reflexão?

O recém-lançado Plano Nacional de Formação dos Professores da Educação Básica é apresentado pelo MEC como alternativa para avançar na supressão das carências docentes e na consolidação de um novo perfil de formação nas licenciaturas. 

O diretor de Educação Básica Presencial da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, João Carlos Teatini, explica que, no âmbito do Plano, a oferta de cursos para as disciplinas com maior déficit de professores – física, química, matemática e biologia – foi priorizada ao lado dos cursos de pedagogia, destinado a formar docentes para a educação infantil e séries iniciais do ensino fundamental.

Sobre o perfil da formação – relegado a um plano secundário em meio às discussões no âmbito do Plano -, Teatini argumenta que esse aspecto está sendo contemplado nos cursos que serão ofertados a partir do segundo semestre de 2009. "Eles deverão ter uma formatação voltada especificamente para os professores da Educação Básica em exercício, com metodologias e práticas que atendam à realidade dos professores e de nossas escolas", reitera o diretor da Capes.

Essa discussão é também prioritária no Conselho Técnico Científico da Educação Básica da Capes, com um comitê de trabalho destinado ao tema, e é objeto de grupos de trabalho nas secretarias de Educação Básica e de Educação Superior do MEC, lembra Teatini.

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