Claudio de Moura Castro

presidente do Conselho Consultivo das Faculdades Pitágoras

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Qual o diagnóstico que você faz da educação básica no Brasil? Quais os principais problemas, avanços e retrocessos que a educação vive?


Se tivéssemos que escolher apenas uma prioridade para a educação no Brasil, não vejo como qualquer observador atento pudesse deixar de indicar a qualidade do ensino fundamental. Tudo o mais empalidece diante da gravidade desse problema. Na verdade, não é possível pensar em médio ou superior de qualidade, se a “matéria-prima” que recebem está abaixo das especificações mínimas de qualidade. Como o problema da quantidade está virtualmente resolvido, todos os esforços deverão ser dirigidos para a melhoria da qualidade. E, quando o problema de quantidade não está resolvido, isso se dá, simplesmente, porque há um problema de qualidade no nível educativo que está mais abaixo.




Na sua opinião, qual é o principal desafio para alavancar o desenvolvimento e a qualidade da educação em nosso país?


Conseguir um consenso nacional a respeito das grandes prioridades e mobilizar todos ou quase todos os atores relevantes que podem contribuir para materializar tais prioridades. No caso, usaria o singular, a prioridade, que é a educação fundamental. É preciso que os três níveis administrativos (federação, Estado e município) ponham-se de acordo e afinem seus discursos. É preciso que os pais aprendam a cobrar qualidade das escolas. É preciso que os empresários reclamem com veemência contra escola que não oferece a qualidade que eles precisam em suas empresas. E a imprensa deve ser menos amadorística e mais sistemática em sua cobertura da educação, considerando o seu papel fundamental de informar e mobilizar.




Você defende a conversão de parte da dívida externa em investimentos na área de educação? Se sim ou não, por quê?


Nada contra. Quem poderia ser? Mas isso não é política educacional, é um algo mais, um reforço orçamentário. As grandes questões educacionais devem ser resolvíveis sem tais esmolas. Ademais, não é tão fácil. A experiência com a cooperação bilateral (e conversão da dívida não passa disso) mostra que os doadores escolhem onde vão investir, pouco se importando com as preferências locais ou a pertinência do que escolheram fazer. Faz algum tempo, encontrei-me com um funcionário de governo da Hungria que não se conteve: “Que saudades dos empréstimos do Banco Mundial. Pelo menos, éramos consultados. Agora, com as doações de governo a governo, é o que os países doadores querem fazer.”



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