Celso Stefanoski

diretor do Sindicato dos Professores do Rio Grande do Sul

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É difícil estabelecer um diagnóstico da educação no Brasil porque vivemos realidades muito distintas em cada região, Estado e município. Além das diferenças culturais, de concepção e recursos financeiros, temos que considerar as diferentes ofertas de ensino nas redes públicas (municipais, estaduais e federais) e privada (confessionais, comunitárias e empresariais).



Situadas algumas diferenças, pergunto: De qual educação estamos falando? Qual é o público que ela atinge? Qual é o interesse real da instituição que oferece? Como são elaborados os parâmetros curriculares? Há uma proposta político-pedagógica? Os educadores são valorizados? Existe uma definição pela interdisciplinaridade? Os diretores são eleitos? A realidade dos educandos é considerada no processo ensino-aprendizagem? Há participação da comunidade escolar na gestão? Há qualificação dos educadores?



Certamente outros questionamentos poderiam ser agregados, mas acredito que esses delimitam alguns parâmetros fundamentais para se estabelecer uma educação de qualidade.



Apesar dos esforços e de repetidas promessas de que a educação é prioridade, percebe-se, nos diferentes recantos do país, o descaso com ela. Enquanto políticas públicas não forem levadas a sério, verbas de programas educacionais forem desviadas, haver trabalho infantil, evasão escolar e reprovação em massa, podemos considerar o fracasso do sistema educacional.





Identificam-se, portanto, problemas de diferentes ordens e procedências, responsabilidades que começam desde a forma de gerir os recursos públicos até o compromisso dos educadores de se qualificar para o exercício de sua profissão. Um dos principais problemas, sem dúvida, é o abismo entre ricos e pobres, a concentração de renda que mantém e reproduz a sociedade de classes no aspecto econômico, político, cultural, ideológico e educacional, produzindo uma “elite” pensante.




Entre os avanços pode se destacar a conscientização da sociedade da importância da educação básica para todos. Vivencio na prática o retorno às escolas de pessoas que há anos não estudavam, visando concluir o ensino médio, uma exigência para se colocar no mercado de trabalho. Outro avanço é a criação de sistemas educacionais municipais, possibilitando o gerenciamento mais próximo dos recursos públicos e a elaboração de propostas pedagógicas mais adequadas à realidade.



Entre os desafios principais estão a política de formação de novos professores, a valorização e o resgate da dignidade dos docentes com investimentos na sua qualificação da ação pedagógica.



Haverá evolução na educação se houver um esforço concentrado de todos os setores envolvidos, sejam públicos ou privados, e que estes efetivamente cumpram a legislação e adotem os parâmetros para se implementar uma educação de qualidade. Porém, sem dúvida, a responsabilidade maior está nos órgãos governamentais, que devem desenvolver e implementar um projeto social que passa por reformas mais profundas na sociedade, como a reforma agrária e a redistribuição de renda.



 


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