Celso Antunes

escritor e professor

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Qual o diagnóstico que o você faz da educação básica no Brasil? Quais os principais problemas, avanços e retrocessos que a educação vive?


O Brasil, muito mais que países de outros continentes, deu gigantesco salto quantitativo nos últimos anos, quanto a acesso à escolaridade.

Deixamos para trás uma escola elitista e para muito poucos e popularizamos o ensino, tornando-o possível há muitos, em toda parte. Esse salto quantitativo não se faz sem inevitável perda de qualidade e de uniformidade que, com sofreguidão, estamos buscando superar.

Além disso, nossa História ensina que no passado não se pensava educação como efetivo instrumento de progresso e, por isso tudo, pagamos agora o preço de uma omissão criminosa. Ao contrário de países com outros sistemas de colonização, sempre se olhou educação como privilégio de uma classe e não imperiosa necessidade social.  Esses fatos, entre outros tantos, mostram uma educação que necessita superar desafios e que, portanto, enfrenta inevitáveis obstáculos que essa superação impõe.

 


Na sua opinião, qual é o principal desafio para alavancar o desenvolvimento e a qualidade da educação em nosso país?


Não acho que essa questão possa sintetizar-se em uma única resposta, mas creio que uma delas, certamente, é uma pretensa “autonomia” que se concede aos professores, permitindo que se tornem insensíveis à necessidade de atualização.

Não é raro que muitos professores façam hoje com seus alunos o que há 20 anos ou ainda mais faziam e, dessa forma, acreditem que seu diploma garanta a perpetuidade imutável de sua ação. Se esse professor prestou concurso público, somente seu orgulho pessoal e seu interesse próprio o farão progredir. Não sentindo em si mesmo esse anseio, será barreira intocável em sua perniciosa ação, e força alguma poderá obrigá-lo a estudar, aprender, crescer e propiciar a seus alunos o impacto de sua positiva transformação.

Creio que toda ação docente necessita ser amplamente respeitada, mas respeito ao professor não pode significar que suas aulas sejam invioláveis, que suas provas se mostrem estáticas, que suas estratégias de ensino não se vejam tocadas por tudo quanto de novo hoje se conhece sobre aprendizagem.

 


O que surgiu de novo na educação depois de Paulo Freire?


Paulo Freire foi muito maior que a dimensão que lhe é atribuída por alguns de seus biógrafos.

O avanço despertado por seu método de alfabetização e a violência política de que foi vítima foram extremamente iluminadas e, para não poucos, Paulo Freire foi apenas criador de um método e personagem politicamente execrado.

Mas a obra de Freire vai muito além. A crença de que aula não é discurso, o envolvimento amplo da comunidade com elemento realista da transformação escolar, a preocupação em se fazer com que toda aprendizagem reflita a contextualização do cotidiano na utilização do saber e, sobretudo, a idéia de que não se aprende como quem adquire um objeto, mas como quem efetivamente se transforma,  para transformar seu tempo são algumas pálidas noções que hoje já não mais constituem novidade a todo educador.

Celso Antunes

Educador explica os conceitos de inteligência múltipla de Howard Gardner

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Artigo - Celso Antunes




As pesquisas de Gardner representam verdadeiro  símbolo educacional contemporâneo, ao sinalizar que o que se descobre sobre a mente humana, constitui não apenas saber acadêmico, mas instrumento de ação pedagógica imprescindível


 


No dia 11 de julho de 2003, Howard Gardner completou sessenta anos com a propriedade de um currículo indiscutível. Professor de Educação e Diretor do Projeto Zero, no Harvard Graduate Scholl of Education e professor adjunto de Neurologia na Boston University Scholl of Medicine, é autor de inúmeros livros e criador de uma teoria educacional conhecida e aplicada no mundo inteiro. Além da notoriedade pública e reconhecimento como um dos mais influentes educadores deste século, em 1981 recebeu o Mac Arthur Prize Fellowship e, em 1990, tornou-se o primeiro norte-americano a ser condecorado com o Louisville Grawemeyr Award in Educatio, prêmios que por sua expressão e grandeza já sintetizam o admirável perfil de suas pesquisas e de suas obras.


Ninguém melhor que Gardner, entretanto,  para falar sobre ele mesmo. Em seu livro lançado no Brasil  no ano 2000 pela Editora Objetiva (Inteligência – Um conceito reformulado) descreve-se ao falar sobre seus pensamentos. “Nada em minha juventude diria que eu viria ser um estudioso (e um teórico) da inteligência.

Quando criança, eu era bom aluno e me saia bem em testes, portanto a questão da inteligência era relativamente simples para mim. Na verdade, em outra vida, talvez eu passasse a defender a visão clássica da inteligência, como tantos de meus contemporâneos brancos do sexo masculino que já estão envelhecendo. Típico garoto judeu que detestava ver sangue, eu (e muitos outros em meu mundo) pretendia ser advogado. Só  em 1965, ao terminar a minha graduação no Harvard College, resolvi fazer pós-graduação em psicologia. A principio, como outros adolescentes, eu estava fascinado com as questões da psicologia que intrigam o leigo: emoções, personalidade, psicopatologia. Meus heróis em Sigmund Freud e meu professor, o psicanalista Erik Erikson, que havia sido analisado pela filha de Freud, Anna. No entanto, depois de ter conhecido Jerome Bruner, um pioneiro na pesquisa da cognição e do desenvolvimento humano, e de ter lido as obras de Bruner e de seu mestre, o psicólogo suíço Jean Piaget, resolvi fazer pós graduação em psicologia do desenvolvimento cognitivo.”



As pesquisas de Gardner representam verdadeiro  símbolo educacional contemporâneo, ao sinalizar que o que se descobre sobre a mente humana, constitui não apenas saber acadêmico, mas instrumento de ação pedagógica imprescindível. Mostrou de forma coerente que todos os seres humanos possuem diferentes tipos de mente e que  pais e professores podem tornar possível uma educação personalizada, destacando que na imensa diversidade que existe em cada um, deve solidificar-se a certeza de que nenhum ser humano é perfeito em tudo, mas todos, absolutamente todos, possuem potencial de grandezas diversas, forças pessoais que devidamente reconhecidas coloca uma nova linha educacional a serviço do integral desenvolvimento humano e da extrema grandeza da singularidade de sua mente



AS PRINCIPAIS OBRAS DE GARDNER



Como pesquisador, professor e psicólogo atuante, Howard Gardner escreveu muitas obras individualmente ou com colaboradores, entre as quais, editadas em língua portuguesa, destacam-se as seguintes:



 


  • A CRIANÇA PRÉ-ESCOLAR: COMO PENSA E COMO PODE A ESCOLA ENSINÁ-LA (ARTMED)






A NOVA CIÊNCIA DA MENTE. (EDUSP)






  • ARTE, MENTE E CÉREBRO: UMA ABORDAGEM COGNITIVA DA CRIATIVIDADE. (ARTMED)





  •  ESTRUTURAS DA MENTE: A TEORIA DAS INTELIGÊNCIAS MÚLTIPLAS (ARTMED)





  • INTELIGÊNCIA: MÚLTIPLAS PERSPECTIVAS. (ARTMED)





  • INTELIGÊNCIAS MÚLTIPLAS: A TEORIA NA PRÁTICA (ARTMED)





  • INTELIGÊNCIA: UM CONCEITO REFORMULADO. OBJETIVA





  • MENTE QUE CRIAM: UMA ANOTOMIA DA CRIATIVIDADE (ARTMED)





  • MENTES QUE LIDERAM: UMA ANATOMIA DA LIDERANÇA (ARTMED)





  • TRABALHO QUALIFICADO: QUANDO A EXCELÊNCIA E A ÉTICA SE ENCONTRAM, escrito em parceria com CSIKSZENTMIHATYL & DAMON (ARTMED)





  • PROJETO ESPECTRUM: A TEORIA DAS INTELIGÊNCIAS MÚLTIPLAS NA EDUCAÇÃO INFANTIL – UTILIZANDO A COMPETÊNCIA DAS CRIANÇAS (Vol 1) escrito em parceria com FELDMAN & KRECHVSKY (ARTMED)





  • PROJETO ESPECTRUM: A TEORIA DAS INTELIGÊNCIAS MÚLTIPLAS NA EDUCAÇÃO INFANTIL – ATIVIDADES INICIAIS DE APRENDIZAGEM (Vol 2) escrito em parceria com FELDMAN & KRECHVSKY (ARTMED)








  • PROJETO ESPECTRUM: A TEORIA DAS INTELIGÊNCIAS MÚLTIPLAS NA EDUCAÇÃO INFANTIL – AVALIAÇÃO EM EDUCAÇÃO INFANTIL (Vol 3) escrito em parceria com FELDMAN & KRECHVSKY (ARTMED)





     O QUE É INTELIGÊNCIA SEGUNDO HOWARD GARDNER




    Inteligência é a faculdade de entender, compreender, conhecer. Inteligência é também juízo, discernimento, capacidade de se adaptar, de conviver. Constitui potencial biopsicológico não especificamente humano, mas que em seres humanos assume dimensão inefável. É, para Gardner, uma capacidade para resolver problemas e serve também para criar  idéias ou produtos considerados válidos. As criaturas humanas possuem nível elevado de inteligência e por isso são criativas, revelam capacidade de compreender e de inventar e ao acolher uma informação, atribuir-lhe significado e produzir respostas pertinente.


    É a inteligência que permite dar sentido as coisas que vemos e a vida que temos e que nos leva a conversa interior, resgates de “arquivos” da memória, capacidade de raciocínio, criação de objetivos e invenção de saídas quando parece não existir indícios de sua existência. Inteligência é saber pensar, possuir vontade para fazê-lo, criar e usar símbolos e graças a eles realizar conquistas extraordinárias, fazendo surgir o mito, a linguagem, a arte e a ciência. Somos quem somos porque lembramo-nos das coisas que nos são próprias e nos emocionamos, e a inteligência faz com que cada ser humano seja um ser único e compreenda plenamente o significado dessa individualidade.





    O QUE SABEMOS E O QUE AINDA NÃO SABEMOS SOBRE A INTELIGÊNCIA HUMANA



    A certeza de que trabalhando as inteligências múltiplas em sala de aula se está desenvolvendo linha de ação coerente com os saberes antropológicos, sociológicos e neuroanatômicos sobre a inteligência humana  se apoia em algumas evidências indiscutíveis. Entre estas, cabe destacar. 


     




  • Como as inteligências constituem potencial biopsicológico de emprego imediato no dia a dia e recurso essencial para ajudar-nos a resolver problemas, adaptar-se as circunstâncias, criar e aprender, quem busca trabalhá-las em sala de aula necessita perceber que o conhecimento não é uma “coisa” que vem de fora ou se capta do meio, mas
    um processo interativo de construção e reconstrução interior e  assim não pode ser “transferido” de um indivíduo para outro

    . Levando-se em conta essa assertiva descobre-se que o conhecimento é auto-construído e  as
    inteligências são educáveis,

    isto é sensíveis a progressiva evolução, desde que adequadamente trabalhadas.

     A escola pode ser, portanto, um espaço fomentador de novas maneiras de pensar.



     




  • Ainda que possam existir debates acadêmicos sobre a
    quantidade de inteligências

    que o ser humano  possui, a classificação mais aceita é a de Howard Gardner que descreve em cada pessoa a existência de
     oito ou nove inteligências (


    Howard Gardner fala-nos em oito inteligências efetivamente comprovadas e uma nona (inteligência existencial) que ainda depende de maior aprofundamento e revisão para se acrescentar as oito conhecidas)


     

    claramente diferenciadas;



     




  •  O potencial humano quanto as inteligências é extremamente diversificado e essa diversidade deve-se a
    conjunção de fatores genéticos e estímulos ambientais

    desenvolvidos dentro e fora da escola. Uma pessoa sem distúrbios ou disfunções cerebrais é portador de
    todas as inteligências

    ainda que seja diversificado o potencial desta ou daquela;



     




  •  A ocorrência de disfunções cerebrais adquiridas ou não, pode afetar uma ou mais inteligências, sem que isso implique em um comprometimento integral. Em outras palavras, é possível neste ou naquele indivíduo a existência de um dificuldade ou distúrbio de aprendizagem que afete uma ou mais inteligências, sem que isso impeça o desenvolvimento potencial das demais.



     




  • Cada uma das inteligências pode ser identificada através de
    diferentes manifestações

    e estas, apenas para efeitos didáticos, poderiam ser consideradas
    sub-inteligências

    . Desta forma a inteligência lingüistica por exemplo pode se manifestar através da escrita, da oralidade ou da sensibilidade e emoções despertadas pela intensidade com que se capta mensagens verbais ou escritas;



     




  •  
    O valor maior ou menor que a sociedade empresta a esta ou àquela inteligência subordina-se à cultura inerente e ao tempo e local em que se vive

    . Em alguns espaços geográficos, por exemplo, a capacidade musical se sobrepõe à lingüistica e em outros atribui-se valor maior a capacidade matemática que a administração de situações emocionais próprias ou em terceiros;



     



    Ainda que qualquer faixa etária mostre-se sensível ao estímulo das inteligências, existem idades em que as mesmas respondem mais favoravelmente aos incentivos. Para a maior parte das inteligências a fase da vida mais sensível ao progresso estende-se
    dos dois aos quinze anos de idade

    . O cérebro humano é órgão que se compromete pelo desuso e portanto as diferentes inteligências necessitam de estímulos diversificados desde a vida pré-natal até idades bastante avançadas;



     




  • Ao se pesquisar a inteligência humana e a evolução desse conceito, desde quando a neurologia pode beneficiar-se de estudos do cérebro em pessoas vivas, alguns poucos críticos enfatizaram que falar-se em Inteligências Múltiplas seria simplesmente “fragmentar-se a idéia de Inteligência”, criando-se um modismo. Nada mais errado que supor que a identificação de inteligências diferentes “fragmenta” ou apenas classifica aspectos particularizados de um todo. A localização cerebral de áreas específicas para operar saberes específicos – como a área de Broca e de Wernicke para a linguagem – mostra que não existe uma inteligência global que se busca dividir,
    mas núcleos cerebrais distintos que operam competências específicas,

    ainda que o cérebro humano funcione mais ou menos como uma orquestra e áreas diferentes se envolvem para a apresentação de um resultado aparentemente único. O fato de se ouvir, por exemplo,  o destaque do piano em uma melodia não significa que reconhecê-lo implica em “fragmentar” a orquestra.



     




  • Não existe uma única abordagem pedagógica para o trabalho com as inteligências múltiplas em sala de aula e, portanto,
    não existem “receitas” definitivas

    sobre como estimulá-las.



     


    Concluindo algumas das evidências destacadas por Gardner, seria lícito reafirmar que trabalhar com inteligências múltiplas não se afigura como um
    método de ensino

    cujo emprego supõe uma mudança radical na forma como antes se trabalhava. Ao contrário, estimular com atividades, jogos e estratégias as diferentes inteligências de nossos alunos
    é possível, não é complicado, não envolve custos ou despesas materiais significativas

    e pode ser desenvolvido
    para qualquer faixa etária e nível de escolaridade   e em qualquer disciplina do currículo escolar.





    MITOS E FANTASIAS PARA MUITO ALÉM DE GARDNER



    A teoria das Inteligências Múltiplas alcançou larga popularidade em quase todo mundo e, dessa forma, as idéias que enfatizavam seu emprego em sala de aula assumiram inevitáveis desvios. Em uma obra recente




    [3]




    Gardner faz uma análise desses
    mitos

    , entre os quais destacamos alguns:


     





  1.  
    Uma variedade de testes necessitam ser desenvolvidos para que possamos avaliar o potencial de cada uma das oito ou nove inteligências humanas.




     


    É um erro supor que possa se avaliar inteligências por testes,
    quantificando

    esse potencial. Uma avaliação coerente da inteligência  espacial, por exemplo, deve permitir que o aluno explore uma área  e perceba se consegue se orientar de maneira confiável, transferindo essa aprendizagem para áreas desconhecidas. Os estímulos, dessa forma, devem conduzir a um progressivo aperfeiçoamento que um  criterioso diagnóstico, acompanhado de relatórios da ação do aluno (e não testes padronizados) revelará.


     




  2. Uma inteligência é mais ou menos como uma disciplina escolar e, dessa forma, a Língua Portuguesa por exemplo deveria explorar competências lingüisticas, a Matemática exploraria competências lógico-matemáticas e assim por diante.




     


    Nada mais errado que acreditar nesse mito. A inteligência é uma nova forma de construção de habilidades, baseada em capacidade e potenciais biológicos e psicológicos e não pode ser confundida com disciplinas escolares, que são organizações de saberes aglutinados por pessoas. Em qualquer disciplina é possível trabalhar-se uma ou várias inteligências.


     



  3.  
    Uma inteligência é a mesma coisa que um estilo de aprendizagem ou um método de ensino.




     


    Um estilo de aprendizagem é uma abordagem que se aplica da mesma maneira em diferentes conteúdos; um método de ensino é uma seqüência de operações com vistas a determinados resultados e, dessa forma, o trabalho com estímulos às inteligências permite adaptar-se a diferentes estilos de aprendizagem e sua aplicação não constitui método de ensino que para ser implantado pressupõe a substituição do método utilizado. Gardner enfatiza que não existe “receita” pedagógica única e forma universal de trabalhar-se as múltiplas inteligências.


     




  4. A teoria das Inteligências Múltiplas é incompatível com a existência de uma inteligência geral.




     


    A teoria das Inteligências Múltiplas não questiona a existência de uma inteligência geral mas sim seu campo de conhecimento, admitindo que mesmo pessoas aparentemente bem dotadas em uma inteligência  pouco serão capazes de realizar se não forem expostas a matérias que exijam essa inteligência. Quanto mais “inteligente” e diversificado for o ambiente e quanto mais incisivas as intervenções de mediadores, mais capazes se tornarão as pessoas e menos importante será sua herança genética.


     


    Sintetizando, seria possível afirmar que a Teoria das Inteligências Múltiplas endossa três proposições essenciais:


     



  5.  
    Não somos todos iguais. Todo  indivíduo, entretanto, é portador de forças cognitivas específicas que o diversifica e o singulariza.




     




  6. Não temos com igual intensidade todos os tipos de inteligência pois temos mentes diferentes. Nesse sentido, toda avaliação que busca comparar ou nivelar seres humanos apresenta-se eivada de preconceitos.




     



  7.  A educação funciona de modo mais eficaz se essas diferenças forem levadas em consideração, se forças pessoais forem reconhecidas e se pais e professores empenharem-se em desenvolver projetos para efetivamente conhecer e estimular mentes, descobrindo em que são efetivamente capazes. Uma boa avaliação, portanto, deveria ser “o mais direta possível”, orientando o aprender para fazer e verificando como ocorreu essa construção.



     


    A essas proposições julgamos interessante acrescentar que um estímulo às inteligências
    somente ganha sentido se promovido através de um projeto, se estabelecido a partir de objetivos e trabalhados com pertinácia e com competência

    . Não se estimula inteligências acidentalmente ou com ações esporádicas.


     




    A TEORIA DAS INTELIGÊNCIAS MÚLTIPLAS



     


    Em 1983, Howard Gardner, psicólogo da Universidade de Harvard concluiu o manuscrito “
    As Estruturas da Mente” (




    Artmed, 1994



    )  que buscava ultrapassar a noção comum de inteligência, como um potencial que cada ser humano possuía em maior ou menor extensão e que este potencial pudesse ser medido por instrumentos verbais padronizados como teste de Q.I. Baseando-se no conceito de que inteligência é a capacidade de resolver problemas ou de criar produtos que sejam valorizados dentro de um ou mais cenários culturais e tomando como referência científica evidências biológicas e antropológicas introduziu oito critérios distintos para uma inteligência e propôs 
    sete competência humanas, mais tarde elevadas para oito ou eventualmente nove

    .


    A teoria de Gardner mudou  de forma significativa o conceito de escola e de aula e abriu novas luzes sobre as competências humanas, mostrando que o sistema tradicional de avaliação baseado na capacidade de dominar conceitos escolares específicos necessitava de imperiosa renovação e que não mais havia sentido em se conceber este aluno mais inteligente que outro apenas porque dominava com maior ou menor facilidade as explanações de seu professor ou os conceitos do livro didático.


    Hoje, pouco mais de vinte anos após a publicação dos pensamentos de Gardner, a idéia das inteligências múltiplas evoluiu do campo das especulações e constitui uma nova maneira de ensinar e, sobretudo, uma outra forma de conceber a capacidade dos alunos e a aula centrada em sua individualidade. A despeito disso tudo, entretanto, ainda existe algumas dificuldades em se situar com clareza a diferença que Gardner propôs para sua “teoria” e a “prática” da mesma.


    “Teoria” e “prática” parecem ser palavras muito amigas e  que gostam de andar juntas. Mas, enquanto a palavra “teoria” recebe o desdém e desprezo, como algo que valha apenas no papel mas não possui validade efetiva, a palavra “prática” ao contrário, recebe quase sempre o aplauso, revelando caráter  de autenticidade e funcionando para valer. “Teoria” significa um conjunto de idéias científicas sistematizadas e pode  muitas vezes assegurar indiscutível validade prática. É, por exemplo, o que acontece com a Teoria das Inteligências Múltiplas.


    Os argumentos propostos por Gardner para mostrar a multiplicidade das inteligências parecem ser indiscutíveis. A lesão ou disfunção parcial do cérebro humano implica na perda de ações relativas a ou as inteligências especifica a essa área atingida e não a todas, assim como a manifestação da genialidade humana, destaca que alguns mostram exponencial inteligência lingüistica, como é o caso de Sheakespeare por exemplo, mas outros se projetaram por sua inteligência musical como Mozart, matemática como ocorreu com Einsten, corporal nitidamente presente em Garrincha, Pelé e outros e ainda muitas outras.


     


    Ao lançar sua teoria,
    Gardner falava em sete inteligências, mas estudos e pesquisas posteriores elevaram esse número para nove

    , admitindo que tal diversidade pode ainda vir a ser ampliada quando ainda mais profundamente se conhecer a mente humana. Em linhas gerais, portanto, todas as pessoas sem disfunções cerebrais agudas apresentam em diferentes níveis de grandeza, as inteligências:


     



  8.  
    Espacial

    , expressa pela capacidade de relacionar o espaço próprio com o espaço do entorno, percebendo e administrando distâncias e pontos de referências, bem como revelando a capacidade em perceber visuo-espacialmente diferentes objetos, eventualmente transformando-os ou combinando-os em novas posições. Extremamente nítida em grandes arquitetos, manifesta-se também em pessoas que revelam facilidade em imaginar e percorrer referências espaciais, como alguns motoristas de praça de grandes cidades. Instiga a capacidade em pensar de maneira tridimensional e permite que a pessoa possua imagens externas e internas dos objetos através do espaço e decodifique com facilidade as informações gráficas. Crianças com elevado nível de inteligência espacial percebem com facilidade a mudança de algo em um cômodo de sua casa, detectando alterações mesmo sutis em ambientes que conhecem. Parecem “pensar” através de imagens visuais e muitas vezes destacam-se em atividades artísticas ou jogos que envolvem montagens. Não poucas são fascinadas por máquinas e possuem elevada habilidade manual, mas não se interessam muito por atividades rotineiras, refugiando-se em aventuras imaginárias.



     



  9.  
    Cinestésico-corporal,

    identificada à capacidade em controlar e utilizar o corpo, ou uma parte do mesmo em atividades motoras complexas e em situações específicas, assim como manipular objetos de formas criativa e diferenciada. Marcante em pessoas que dançam muito bem, praticam a mímica com precisão ou são hábeis em modalidades esportivas diversas. Facilita a sintonização de diferentes habilidades físicas. Crianças com elevada inteligência espacial apresentam capacidade incomum em controlar o corpo e expressar-se por mímicas e caretas, precisando a toda hora mover-se, retorcer-se usando sensações corporais para processarem informações, aprendendo bem menos por ouvir e muito mais por fazer.









  • Lógico-matemática

    , ligada a competência em compreender os elementos da linguagem lógico-matemática, permitindo ordenar símbolos numéricos e algébricos assim como  quantidades, espaço e tempo. Presente na Engenharia, na Física e na Matemática, também se manifesta na contabilidade, programadores de computação e outras profissões que recorrem a lógica e os números. Crianças que apresentam uma elevada inteligência lógico-matemática adoram separar, classificar e organizar objetos e brinquedos, aprendem a calcular rapidamente e são excelentes em jogos que envolvem lógica e estratégia e no manejo  e compreensão dos desafios ligados a computação.






  • Naturalista

    ,  associada a sensibilidade de percepção e compreensão dos elementos naturais e da interdependência entre a vida animal e vegetal e os ecossistemas e a leitura coerente e racional da natureza em todo seu esplendor. Marcante no naturalista, botânico, jardineiro e paisagista tem em Darwin seu expoente mais extraordinário. Induz a observações de padrões na natureza, identificando e classificando sistemas naturais. As crianças com elevada inteligência naturalista interessam-se muito por animais e pela vida rural, sabendo quase que intuitivamente separar, organizar e classificar e ilustrar tudo que diz respeito a plantas e sobretudo a  animais.



     




  • Lingüistica

    , voltada a capacidade em adquirir, compreender e dominar as expressões da linguagem colocando em ação a semântica e a beleza na construção da sintaxe. Manifesta em escritores, romancista, jornalistas, palestrantes e poetas,  mostra-se expressiva também em pessoas que cultuam a palavra e a construção de idéias verbais ou escritas. Consiste na capacidade de pensar com palavras e de usar a linguagem para expressar e avaliar significados complexos. Crianças com expressiva capacidade lingüistica surpreendem pelo vocabulário que conhecem e utilizam, adoram ler, escrever e contar histórias, mostrando interesse por rima, trocadilhos, charadas e jogos com palavras.



     



  •  
    Sonora ou Musical

    expressa na capacidade em combinar e compor a música, encadeando sons em uma seqüência lógica e rítmica e estruturando melodias. É a inteligência que se manifesta com mais extraordinário esplendor em maestros, compositores e muitos outros. Destaca pessoas com extrema sensibilidade para a entoação, ritmo, melodia e o tom. Crianças com expressiva inteligência sonora mostram-se sensíveis a sons e seus ambientes, recordando com facilidade de ritmos e melodias. As que sentem-se cercadas por ambiente musical, motivam-se com instrumentos e incorporam a música como elemento comum as suas vidas. Muitas entre elas acumulam coleção de CDs e parece que os fones de ouvido fazem parte da estrutura orgânica  de seus rostos.



     



  •  
    Intrapessoal

    é a inteligência de quem expressa grande facilidade para estabelecer relações afetivas com o próprio eu, construindo uma percepção apurada de si mesmo, fazendo despontar a auto-estima e aprofundando o auto-conhecimento de sentimentos, temperamentos e intenções. Presente de forma mais acentuada em psicanalistas, mostra-se bem caracterizada em assistentes sociais,  alguns professores e outras profissões. Crianças com inteligência intrapessoal elevada desde cedo demonstram saber “quem realmente são”, não se preocupando muito  sobre o que pensam a seu respeito. Valorizam a privacidade e ainda que não gostem muito de misturarem-se a multidão, costumam ser admiradas pelos colegas.



     



  •  
    Interpessoal

    muito nítida em pessoas que revelam extrema capacidade em compreender a natureza humana em outras pessoas, procedendo uma verdadeira “leitura do outro” quanto seus aspectos emocionais, assim como a destacada facilidade para relações interpessoais e a compreensão da dinâmica dos grupos sociais. Crianças com fortes habilidades nessa inteligência relacionam-se muito bem com outras pessoas, fazem amizade com extrema facilidade e como apresentam elevada sensibilidade para compreender sentimentos de terceiros não raramente são escolhidas para liderar grupos, organizar campanhas comunitárias



     



  •  
    Existencial

    , ligada a capacidade de se situar sobre os limites mais extremos do cosmos e também em relação a elementos da condição humana como o significado da vida, o sentido da morte, o destino final do mundo físico e ainda outras reflexões de natureza filosófica ou metafísica. Marcante em pessoas com forte espiritualidade é a inteligência dos filósofos, sacerdotes, xamãs, gurus e ainda outros.



     


    De maneira geral é possível crer que todas as pessoas sem problemas mentais específicos possuam todas as nove inteligências com algumas bem mais acentuadas e desenvolvidas que as outras. Trabalhos específicos desenvolvidos em sala de aula contribuem de forma efetiva para “acordar” todas as inteligências nos alunos, ampliando sua criatividade e desenvolvendo-o de forma coerente e holística.


    INTELIGÊNCIAS, TALENTOS E APTIDÕES



     


    Já ouvimos não poucas vezes educadores indagarem se o conceito de Inteligências Múltiplas não caracteriza “roupagem nova” para o que antes se conhecia como aptidão ou mesmo como talento. Não existe necessariamente um erro em denominar de aptidão esta ou aquela inteligência, mas enquanto a idéia de “aptidão” mais se aproxima de “habilidade” ou de “capacidade”, a inteligência como antes se observou constitui potencial biopsicológico inerente à espécie e sua validade se expressa pela capacidade de resolver problemas ou de criar algo novo. A “aptidão”, “performance” ou mesmo o “talento” parece-nos mais claramente associada a idéia de que simbolizam estados avançados desta ou daquela inteligência. O potencial é inerente à evolução, mas a habilidade é conquista educacional com ou sem a intervenção de mediadores. Podemos afirmar, por exemplo, que ao driblar seus adversários e dessa forma livrar-se do problema de uma marcação cerrada o atleta está explorando sua inteligência corporal, mas driblará melhor, com mais aguda performance porquê usou essa inteligência com talento ou com maior habilidade. Ao se assistir o drible de dois atletas não podemos negar a clara evidência de uma inteligência cinestésico-corporal em ação, mas ao constatar que este dribla melhor que aquele, podemos inferir que isso ocorre porque possui maior habilidade, talvez porquê tenha treinado mais intensamente e que essa mesma habilidade poderá ser alcançado por seu colega se se empenhar cada vez mais, desde é claro que seu potencial seja similar.


     


    Muito além da simplicidade do exemplo exposto e desejando
    propor elementos teóricos (de natureza neurológica, sociológica e antropológica) mais sólidos para caracterizar uma inteligência

    e, desta forma, isolá-la de palavras que podem gerar alguma confusão, Gardner estabeleceu
    oito fundamentos

    que caracterizariam os elementos para aceitarmos uma inteligência.


     


    Esses fundamentos se aplicam as nove inteligência até esta data aferida, mesmo considerando que cada inteligência possa manifestar-se através de diferentes aptidões. Os fundamentos sugeridos por Gardner são:


     



  •    
    Isolamento de uma ou outra inteligência por lesão cerebral.




     


    Uma inteligência pode ser danificada por uma disfunção ou lesão cerebral específica a área do cérebro em que a mesma encontra-se alojada. Uma pessoa, por exemplo, que sofra uma lesão da área de Broca ou de Wernick (lobo frontal esquerdo) apresenta claras deficiências lingüisticas e apresentar problemas para ler, escrever e falar;


     



  •  
    A existência de
    savant






     



    A palavra savant  é usada com freqüência para determinadas pessoas de exponencial talento em uma ou outra aptidão desta ou daquela inteligência, mesmo com sérios comprometimentos em suas ações relativas a outras inteligências. Existem não poucos autistas com sérios problemas lingüisticos ou interpessoais, mas com fortíssima inteligência lógico-matemática ou mesmo musical. Os
    savants

    revelam inteligência – ou parte da mesma –  superior, enquanto suas outras inteligências operam em baixo nível.


     



  •   
    Momentos definitos de sua manifestação ao longo da vida




     


    Cada atividade desta ou daquela inteligência parece apresentar um ciclo desenvolvimental nítido, onde se destaca a faixa etária em que surge, o momento de maior índice de desenvolvimento e um padrão próprio e específico de declínio com o envelhecimento. Ainda que a manifestação desse ciclo possa variar de inteligência para inteligência, tende a ser o mesmo em todas as pessoas, independente de sua cultura ou de seu ambiente geográfico.



  •  
    A presença das inteligências na história evolutiva da humanidade




    Ao que tudo indica desde quanto nossa espécie definiu-se como “homo sapiens” já se percebia claramente a existência de diferentes inteligências, marcando pessoas especiais neste ou naquele grupo. Em outras palavras, desde antes da invenção da escrita já era possível detectar em um grupo cultural a existência de pessoas com maior projeção em cada uma das oito ou  nove inteligências.




  • A sensibilidade da inteligência a uma avaliação




    Todas as inteligências humanas podem ser percebidas em suas manifestações, apresentando-se como pouco expressivas em alguns, moderadas em outros e elevadas em terceiros. Embora inexiste um “teste” padrão para quantificar esta ou aquela inteligência, todas as culturas sabem manifestar seu apreço por inteligências elevadas nas manifestações conhecidas. Em outras palavras, qualquer cultura, mesmo as ágrafas, reconhecem a existência de gênios lingüisticos, gênios lógico-matemáticos, gênios musicais e assim por diante.



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    Análise de desempenho específico




    Gardner demonstra que, ao examinar estudos psicológicos específicos, é possível identificar inteligências operando de maneira quase que isolada uma das outras. Esse fundamentos nos mostra que raramente percebe-se “gênios absolutos” isto é, pessoas excepcionais em todas as inteligências, prevalecendo potencialidades magníficas em matemática, na construção de textos, na composição musical e assim por diante.



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    A possibilidade de uma codificação através de um sistema simbólico.




    Cada inteligência possui símbolos próprios universais e assim como as linguagens faladas e escritas caracterizam a símbolo estrutural da inteligência lingüistica, os sinais aritméticos, geométricos e os números externam os símbolos lógico-matemáticos. Da mesma forma as notas musicais externam símbolos da composição sonora, existem linguagens gráficas espaciais usadas por engenheiros e arquitetos, a ação corporal na dança e nos esportes é de validade internacional como o é o riso, o choro e outras manifestações espaciais das emoções inerente as inteligências pessoais.




  • Operações centrais especifica de cada inteligência




    Da mesma forma como cada uma das inteligências conhecidas usam sistemas simbólicos específicos, existe também um conjunto de operações centrais que servem para acionar atividades inerentes a esta ou aquela inteligência. O excelente desempenho cinestésico-corporal, por exemplo inclui a necessidade do domínio de certas rotinas motoras específicas, tal como a construção de um belo texto também envolve procedimentos centrais específicos à inteligência lingüistica.




    INTELIGÊNCIAS MÚLTIPLAS E A SALA DE AULA



    Constitui mérito indiscutível na obra de Gardner a praticidade de sua teoria e, portanto, o uso em sala de aula, independente do nível de ensino com o qual se trabalha e o conteúdo que se busca ministrar. A idéia essencial da teoria é assumir que todo aluno pode expressar saberes através de diferentes linguagens e que, devidamente estimulado, pode explorar sua potencialidade de forma diversificada. O texto abaixo (Texto do autor, extraído de A PRÁTICA DE NOVOS SABERES. EDIÇÕES Livro Técnico. Fortaleza, 2003), apenas como exemplo, procura mostrar a extrema diversidade dessa aplicação e, nesse sentido, enfatiza uma das inúmeras perspectivas de aplicação da teoria das Inteligências Múltiplas em sala de aula.



    ” Faça de conta que em frente à sala, o professor acabou de fazer uma análise do tema “Capitanias Hereditárias”. Se preferir, ao invés deste, o tema tratado foi a “Como extrair-se raiz quadrada”, “O funcionamento do pâncreas”, “O quadro climato-botânico da Região Sudeste”, ou outro tema qualquer. No exemplo que se dará, o tema é pouco importante e o que modela a ação do professor será seu procedimento, ministrando aula desta ou daquela disciplina, para este ou para aquele nível.



     



    Ao concluir sua exposição e esclarecer dúvidas interpretativas, solicita uma
    síntese

    sobre o que falou, através da qual, alunos organizados em pequenos grupos, deverão se expressar. Alguns poderão fazer uso de uma
    linguagem textual

    e, dessa forma, apresentarão sua síntese com palavras e, portanto, com frases significativas, textos elucidativos, manchetes marcantes, reportagens realistas. Na execução desse trabalho, a atividade centrada na expressão verbal, imporá ao aluno um uso consistente de sua inteligência lingüistica. Mas, enquanto esse grupo busca a melhor forma de expressão verbal, um outro por exemplo, pode estar pesquisando o tema para expressar o conteúdo do mesmo, possível de ser exemplificado por equações, médias, grandezas, gráficos e proporções.



     



    Enquanto o primeiro grupo “mergulhou” no tema, mas buscou
    resposta lingüistica

    ; o segundo grupo não fez pesquisas menos intensas e conclusivas, mas expressou suas respostas por uma visão
    lógico-matemática

    . O tema é o mesmo, mas áreas cerebrais diferentes foras usadas por grupos diferentes. Da mesma forma, o mesmo tema poderá suscitar a um terceiro grupo uma resposta visuo-espacial e, assim, buscará sua expressão através de mapas e de gráficos, de frisas do tempo e de colagens, de mapa conceituais ou outras manifestações da linguagem pictográfica. Observe que, nesse exemplo, três grupos diferentes, centrados em um mesmo tema, buscaram seu aprofundamento e sua integral significação explorando diferentes inteligências.



     


    Mas, será que esse tema ou conteúdo – seja ele qual for – não poderá, por exemplo, ser pesquisado através de uma visão
    sonora ou musical

    e, por essa via, propondo-se como letra de uma samba, valsa ou trovas populares ? Será que os alunos empenhados nessa busca o estarão estudando menos profundamente ? Será, por exemplo, que além da linguagem lingüistica ou verbal, lógico-matemática, espacial ou sonora não seria o mesmo tema um excelente desafio para se propor discussões que envolvessem a
    linguagem corporal


    cinestésico, naturalista, inter ou intrapessoal

    ?


     



    Observe que qualquer conteúdo, de qualquer disciplina, pode ser analisando segundo a visão doentia e exclusivista de uma única inteligência, mas pode também, com alunos se revezando em funções que com o tempo de alternam, ser trabalhado de forma interdisciplinar, valendo-se de outras linguagens e, por esse caminho,
    explorando outras inteligências

    . Percebe-se pelo exposto que usar as inteligências múltiplas em classes populares é tão simples quanto agir com bom senso.



     



    Mas, cuidado. Existe o bom senso de ontem e o bom senso de agora. O bom senso egoísta e exclusivista de antigamente que buscava normatizar a humanidade, valorizando apenas uma de suas muitas linguagens e, dessa forma, excluindo todos quantos na mesma não eram excelentes e o bom senso de agora que, ao admitir o aluno como singularidade holística, permite a expressão de seu saber através de diferentes formas, exercitando diferentes inteligências.”



     


    Concluindo a síntese sobre a aplicabilidade dos fundamentos das idéias de Gardner no contexto da realidade de nossas salas de aula, apresentamos o quando-síntese abaixo.


     
















    INTELIGÊNCIAS





    ALGUMAS ATIVIDADES





    MATERIAIS DE ENSINO





    AÇÃO DOCENTE





    ESPACIAL





    Atividades artísticas, apresentações visuais, metáforas, visualização e mapas conceituais. Concursos fotográficos, metáforas por meio de imagens, símbolos gráficos diversos.



    Colagens, gráficos, frisas do tempo, mapas, massa de modelagem, argila, lápis de cor, recursos táteis. Coleção de fotos.



    Explorar o uso de linguagens alternativas, solicitar a transferência de textos para desenhos, gráficos, quadros-síntese




    CINESTÉSICA-CORPORAL





    Teatro, dança, mímica,, exercícios de relaxamento, atividades diversas que envolvam o uso do corpo



    Instrumentos de montagem, tampinhas, blocos, equipamentos esportivos, recursos manipuláveis, peças LEGO. Mapas corporais.



    Solicitar o uso de movimentos do corpo para expressar conhecimentos de disciplinas descritivas. Exercícios sobre consciência física. Propostas sobre cozinhar, costurar, jardinagem, realidades virtuais.




    LÓGICO-MATEMÁTICA





    Desafios, problemas, enigmas, atividades cientificas de experimentação, desafios numéricos, pensamentos críticos. Concursos sobre resolução de problemas lógicos, criação de códigos, linguagens de computação.



    Calculadoras, ábacos, jogos matemáticos, desafios que explorem a grandeza, proporções, perspectivas. Uso de escalas diversas. Computador e, quando possível, computador fora de uso para desmontagem e análise.



    Empenhar-se em desenvolver a capacidade de expressar pensamentos através de gráficos, busca de proporções, médias, grandezas e outros elementos lógicos




    NATURALISTA





    Excursões, atividades diversas ao ar livre, experiências de classificação animais e vegetais, pesquisas sobre o mundo animal e organização de ecossistemas. Caminhadas naturalistas, etc.



    Aquários, terrários, hortas coletivas, pequenos museus ou coleções naturalistas.



    Proposição de desafios que envolvam conhecimento de animais e plantas, transposição de temas para um enfoque naturalista, organização de diários de campo e registros de atividades ao ar livre




    SONORA





    Aprendizagem rítmica, apresentação de corais abordando temas escolares, seleção e criação de músicas envolvendo os conteúdos disciplinares. Dramatizações e Concertos. Visitas a apresentações musicais. Vinculação de conceitos à música.



    Gravador, coleção de fitas, instrumentos musicais, coleção de CDs. Aparelhos de reprodução sonora.



    Sugestão para a criação de paródias, organização de grupos para apresentação de temas escolares com ritmos diversos e uso de fundo musical




    LINGÜISTICA





    Explanações, debates, organização de tele-jornais ou jornais impressos ou murais, jogos de palavras e atividades que explorem a narração, leitura ou redação. Organização de grupos para debates sobre filmes assistidos, clubes literários, concursos  lingüisticos.



    Livros diversos, dicionários de vários tipos, coleção de jornais e revistas, portfólios sobre temas, concurso de redação, trovas e outros



    Estímulos para pesquisas bibliográficas, exploração de diferentes habilidades operatórias como sintetizar, analisar, relatar, descrever e outras, desafios sobre interpretação de textos, concursos de manchetes, trovas e poemas para expressar diferentes conteúdos




    INTRAPESSOAL





    Orientação individual, exploração de pesquisas sobre a auto-estima, aceitação de produções individualizadas, oportunidade de opções para manifestações diferenciadas do conhecimento adquirido.



    Recursos diversos para auto-avaliação, organização de portfólios, diários, materiais diversificados sobre projetos, orientação pessoal de pesquisas.



    Exploração de atividades que envolvam a significação dos fatos apreendidos no uso diário, ajuda para a contextualização do apreendido no cotidiano vivido.




    INTERPESSOAL





    Trabalhos em grupo, organização de micro-cooperativas e projetos de apoio comunitário, organização de campanhas filantrópicas, reuniões sociais. Propostas para atividades compartilhadas,  exercícios de simulações.



    Jogos coletivos, relação de atividades sociais, arquivo de projetos de ação comunitária, fontes de apoio a ações coletivas.



    Estímulo a cooperação, proposta de campanhas diversas.




     




     




     









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