Carlos Roberto Jamil Cury

professor da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais

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Qual o diagnóstico que você faz da educação básica no Brasil? Quais os principais problemas, avanços e retrocessos que a educação vive?


Há um diagnóstico que provém de aspectos quantitativos: estamos avançando e conseguindo o acesso de crianças e adolescentes de 7 a 14 anos nas escolas. Mas ainda estamos longe de uma permanência sólida e muito menos de uma saída qualitativa. De igual modo, mas como menor índice, não temos sido felizes com a educação infantil e com o ensino médio. Quantitativamente, o Brasil ataca pelo meio, mas as pontas estão desguarnecidas. Assim, nosso ataque não consegue fazer gols. Também, como herança do governo passado, temos um marco disciplinador dos recursos públicos para a educação. Infelizmente, apesar de um ordenamento disciplinador, as administrações não têm ficado à altura. Por outro lado, podemos avançar se o atual governo conseguir aprovar o Fundeb. Finalmente, o corpo docente em exercício está pouco motivado devido a salários pouco competitivos e devido a turnos sucessivos de trabalho. Os estudantes de ensino superior que ingressam nas licenciaturas não manifestam grande motivação. E há nuvens cinzentas no horizonte: há planos de grupos instalados no governo atual, no Ministério da Fazenda, que querem desvincular os recursos para a educação e saúde. Aí será o fim da busca da qualidade e uma inversão dos valores duramente postos em nossa Constituição.

 


Da forma como o ensino superior está sendo administrado atualmente, como você avalia a formação dos professores do ensino básico? Eles estão preparados para a sala de aula?


De novo, é preciso afirmar que temos um ordenamento legal e normativo bastante avançado para a formação de docentes, no ensino superior, para o exercício da docência na educação básica. Contudo, toda a mudança acarreta resistência por parte das instituições. A criação de uma nova cultura de formação de docentes mais sólida, mais fundamentada dependerá de como as universidades públicas gerirem seus projetos pedagógicos.

 


Existe hoje algum modelo no Brasil em ensino fundamental e médio?


Há algumas experiências com êxito na área pública, mas são pontuais e sofrem de um desalento com as condições de trabalho e por isso são resistentes à avaliação de desempenho. Na área privada, as instituições costumam aproveitar-se melhor das propostas em curso, pois não administram redes ou sistemas, mas em geral estabelecimentos isolados.

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