Bom ou mau aluno?

Pesquisa aponta discrepâncias entre resultados das avaliações interna e externa e estimula debate sobre práticas avaliativas

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Um aluno do 6º ano obtém a nota 300 na Prova São Paulo, avaliação aplicada pela secretaria municipal de educação de São Paulo. Em outras palavras, o desempenho alcançado por ele está no nível considerado “avançado”. A avaliação aplicada por seu professor, entretanto, aponta o resultado “não satisfatório”, ou NS, no linguajar escolar.


Na mesma escola, um estudante do 4º ano obtém a nota 150, o que significa que ele não alcançou o nível “básico”. Em contrapartida, na avaliação feita pela própria escola, o mesmo estudante é aprovado ao final do ano letivo com a nota “plenamente satisfatório” (P).


Situações semelhantes às descritas acima foram detectada diversas vezes pelo pesquisador Ocimar Alavarse, da Faculdade de Educação da USP (Feusp), em estudo ainda não concluído sobre a relação entre as avaliações interna e externa. Alavarse identificou diferenças significativas entre os dois tipos de aferição em mais de 20% do total de alunos de uma mesma escola. Os resultados da pesquisa, ainda iniciais, foram apresentados em meados de setembro no I Seminário Universidade e Escola Pública, realizado na USP.


Para o pesquisador, o ruído está no processo de atribuição de notas da avaliação interna. “A incongruência pode estar ocorrendo por conta dos critérios que os professores utilizam para atribuir conceitos como NS ou P”, explica. Esses critérios englobam tanto os conceitos relativos à aprendizagem de conteúdos quanto a incorporação de aspectos relacionados com comportamento.


“Também devemos considerar que os docentes avaliam em decorrência de um período mais longo do que a aplicação de uma prova externa, e trabalham em torno de conteúdos e tópicos que muitas vezes são organizados de forma diferente das habilidades e competências cobradas pelas provas padronizada”, continua. Nesse sentido, ele entende que o principal ganho da pesquisa é justamente o de iniciar um processo de discussões em torno das práticas avaliativas.


Na prática
Um exemplo do ruído mencionado por Alavarse veio à tona na própria mesa “As implicações das avaliações externas na educação pública”, em que ele apresentou o estudo. Rosicleide Alves Moura, professora da Emef Gabriel Prestes e da EE Hermano Marchetti, em São Paulo, levantou o caso de um aluno que, apesar de alcançar bom desempenho nas avaliações internas, apresenta problemas de organização.


“Para avaliar, uso a prova, o trabalho, a organização e apresentação do caderno, entre outros. Meu aluno vai bem na prova mas não faz trabalho e nem tem caderno organizado. Qual nota dou para ele?”, questionou. “Acho que a avaliação não pode se concentrar na prova escrita. Tento abarcar vários elementos para dar a nota”, complementou a professora. 

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