Biblioteca fora da caixa

Muitos alunos só terão acesso à literatura por meio das bibliotecas escolares, espaços capazes de ampliar o incentivo à leitura, apesar de ainda serem precários e escassos

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Desde a Antiguidade, a biblioteca corrobora a necessidade humana de resguardar os saberes construídos ao longo do tempo. Simultaneamente, torna-se um espaço restrito às classes privilegiadas, as quais mantiveram inacessível o tesouro e a relíquia da sociedade: o livro. A obra Literatura fora da caixa: o PNBE na escola – distribuição, circulação e leitura sugere que a biblioteca escolar ainda não consegue exercer plenamente sua função de acesso à leitura e de democratização dos bens culturais, o que nos leva a refletir que o livro ainda é entendido como objeto distante do cotidiano dos indivíduos.


Bem se sabe que as políticas públicas de fomento à leitura, como o Programa Nacional Biblioteca na Escola (PNBE), intentam modificar esse quadro. O acervo selecionado pelo programa governamental chega às estantes de livros. Docentes e bibliotecários reconhecem a qualidade literária das obras. Todavia, conforme provocam as pesquisas relatadas no livro organizado pela professora Aparecida Paiva, a questão basilar e controversa reside na tensa e distante relação construída entre a biblioteca – personificada pelos atores sociais que lá trabalham – e a comunidade escolar.
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Em grande parte dos planejamentos geográficos das escolas públicas já se contempla o espaço destinado à biblioteca. Porém, não se pode afirmar o mesmo quanto à inserção efetiva da biblioteca no cotidiano escolar, de forma a deixar unicamente o espaço simbólico e ocupar também o de real utilidade: tornar-se o centro sociocultural da vida da escola.


O avanço das propostas das políticas públicas de fomento à leitura esbarra nos obstáculos da vivência pragmática das escolas: bibliotecários com formação incipiente, ineficiência da gestão escolar quanto à delimitação das funções do auxiliar de biblioteca, desmerecimento e descuido do espaço no dia a dia da instituição escolar.  


Para que os objetivos do PNBE ou de qualquer outra iniciativa de formação de leitores se concretizem, as pesquisas revelam não bastar objetos-livros. Faltam, à escola, pessoas incentivadoras, capacitadas e valorizadas pelo seu nobre ofício de mediadoras culturais.


Virgínia Ávila é professora de língua portuguesa, literatura e língua inglesa em Belo Horizonte, mestre e doutoranda da Faculdade de Educação (FAE) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

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