Biblioteca: Coisa do passado?

Presença de bibliotecas é superada por laboratórios de informática em escolas

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Para que serve uma biblioteca num mundo onde, mais e mais, a comunicação e as relações são permeadas pelas tecnologias da informação? Esta é uma pergunta que, muitas vezes, dá base ao debate sobre a relevância das bibliotecas nas sociedades contemporâneas.

Mais do que uma pergunta retórica, os dados do Censo Escolar de 2014 sinalizam para um cenário de maior valorização das tecnologias digitais no ambiente escolar do que das bibliotecas: considerando o universo de escolas da educação básica (da educação infantil ao ensino médio), os laboratórios de informática estão presentes em 45% das escolas, ante 36% de instituições escolares com biblioteca. Os dados do Censo foram processados pelo portal QEdu.

“Com a ascensão das tecnologias digitais se intensificou o questionamento: biblioteca para quê? Como se o mundo digital fosse acessado de maneira democrática”, pontua Christine Fontelles. No entanto, enfatiza a socióloga, o valor da biblioteca não diminui no novo cenário social e cultural; pelo contrário, sua relevância se acentua na medida em que exige mais capacidade de leitura das pessoas.

A formação de leitores, porém, não é algo que ocorra automaticamente, apenas em decorrência da exposição a livros e a textos escritos. Como enfatiza a escritora Nilma Fernandes, quando se fala em leitor, tacitamente está-se referindo ao leitor de textos complexos, literatura, ciências humanas e sociais. “Se assim não fosse, a condição de alfabetizado bastaria para qualificar o indivíduo como leitor”, explica. “O leitor crítico é aquele que gera perigo, que interpreta, que se constrói autônomo, que quer escrever, depois de muito ler”, sintetiza a escritora.

“A leitura ajuda a nos colocarmos no lugar do outro, a desenvolver uma perspectiva diferente de vida”, analisa Marcia Wader, da ONG A Cor da Letra.

O leitor em questão aqui é o leitor de obras literárias, as quais, por suas características, colaboram para formar o sujeito. “A boa literatura propicia uma experiência estética, a organização da subjetividade, o desenvolvimento de uma linguagem mais elaborada, amplia a capacidade de compreensão e expressão”, aprofunda Patrícia Lacerda, do Instituto C&A.

E embora esse processo envolva certo grau de subjetividade – afinal, não são todos os que têm contato com livros que se tornam leitores –, alguns fatores podem influenciar no processo: por exemplo, ter a mãe ou a professora como espelho. De acordo com a 4ª edição da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, 11% dos leitores foram influenciados pela mãe e 7% por uma professora. Além disso, 26% dos leitores informaram que suas mães leem sempre e 31%, às vezes.

A existência de uma biblioteca escolar é um fator que pode favorecer o desenvolvimento do hábito da leitura. A mesma pesquisa informa que 66% dos estudantes frequentam uma biblioteca – proporção superior à verificada entre os não estudantes, 49%. Entre os diversos tipos de biblioteca, a mais frequentada é a biblioteca escolar, visitada sempre ou às vezes por 64% dos usuários desse tipo de equipamento, à frente da biblioteca pública, 51%. (MA)

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