Bastidores de guerra

Diários revelam o cotidiano da população que atravessou a Segunda Guerra Mundial, encerrada há 70 anos

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Imagens extraídas da obra Diários de Berlim 1940-1945, escrito pela princesa russa Marie Vassiltchikov

Publicada pela primeira vez em 1976, a obra Diários de Berlim 1940-1945: os bastidores da operação que planejou assassinar Hitler é considerada até hoje o relato testemunhal mais próximo e mais completo sobre o fracassado atentado contra Adolf Hitler, em 20 de julho de 1944. Apesar de sua reconhecida importância, o livro chegou ao Brasil somente este ano, quando estão sendo comemorados os 70 anos do fim da Segunda Guerra Mundial.
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A autora do diário é a princesa russa Marie Vassiltchikov, que aos 22 anos se encontrava de férias na Alemanha quando a guerra estourou. Separada dos pais, Missie (como era conhecida entre os próximos) se vê impelida a buscar o próprio sustento. É nessa virada que começa o diário. Seus primeiros relatos descrevem um cotidiano absolutamente normal. Missie e sua irmã Tatiana começam a trabalhar – a primeira em uma agência de notícias e a segunda no Ministério das Relações Exteriores. No círculo que frequentavam parecia que o conflito teria uma duração curta e que uma paz negociada ainda era possível.

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Diários de Berlim, 1940 – 1945: os bastidores da operação que planejou assassinar Hitler, de Marie Vassiltchikov (Boitempo, 304 págs., R$ 69)

Mas não tarda para a guerra começar a se espalhar como uma mancha de óleo, como registrou. Depois da invasão da Bélgica, da Holanda e da França, as pessoas finalmente percebem que não estavam vivendo uma guerra de faz de conta ou uma “phony war”, como costumam se referir ao conflito. A situação se agrava com a invasão da URSS, evento que inaugurou o “bombardeio indiscriminado das populações civis em toda parte”. As descrições dos ataques dão um relevo bastante expressivo daquilo em que se transformou o dia a dia da população. Só em Berlim foram 24 ataques entre novembro de 1943 e março de 1944. Numa descrição tocante, a autora fala sobre os recados a giz deixados em paredes das casas bombardeadas por pessoas que perderam  seus entes queridos.

A aproximação com os militares que planejaram o atentado contra Hitler se dá com a ida de Missie para o Ministério das Relações Exteriores. O convite parte de Adam von Trott zu Solz, um intelectual e diplomata brilhante, que tenta por todos os meios livrar a Alemanha do nazismo. Os trechos sobre a Operação Valquíria, como ficou conhecido o plano, foram registrados originalmente em um código pessoal e transcritos pela própria autora anos depois da guerra. Eles são reveladores e considerados os únicos feitos a respeito desse relevante acontecimento.

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O diário de Lena – A história real de uma adolescente durante a Segunda Guerra, de Lena Mukhina (Globo Livros, 268 págs.,R$ 39,90)

Leitura complementar, O diário de Lena – A história real de uma adolescente durante a Segunda Guerra também foi escrito por uma russa, mas, diferente de Missie, ela narra o conflito a partir de Leningrado, atual São Petersburgo. Lena era uma adolescente de 16 anos quando a URSS foi invadida pela Alemanha nazista, em 1941, e é interessante notar como os registros guardam muitas semelhanças, especialmente quando descrevem os horrores pelos quais passou a população que atravessou a guerra. São dois livros que, além de despertar fascínio pela forma como são narrados, trazem informações enriquecedoras para a compreensão desse período.

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