Babá eletrônica

Especialista ensina pais a educar os filhos em programa de TV, originalmente inglês, que terá versão brasileira produzida pelo SBT, com estréia prevista para março

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Lívia Perozim





 




Alguém conhece uma casa com crianças que fazem birra para comer, não cumprem tarefas ou brigam com os irmãos? O problema, fácil de ser encontrado, mas que parece complicado de resolver para muitas famílias, virou tema de
reality shows

de sucesso. São programas em que uma pessoa com prática ou conhecimento teórico do convívio educativo tenta “domar” crianças “mal educadas” e salvar pais que já perderam o controle da situação. O mais famoso deles, o inglês
Supernanny

, popular também nos EUA, terá versão brasileira produzida pelo SBT, com estréia prevista para março.

Assim como no modelo original, criado pelo canal britânico Channel Four, uma superbabá passa uma semana na casa de uma família em conflito, observa quais são os problemas e cria soluções que melhorem a convivência entre pais, filhos e irmãos. Após a interferência mágica da
super
nanny



,

termo que em português significaria mistura de babá e educadora, tudo se resolve e os pais descobrem o quão simples é pôr ordem na casa.

A estrela do programa inglês é a autora do livro que inspirou o formato do
reality show

. A babá Jo Frost, com 15 anos de experiência, se tornou famosa com o livro
Supernanny

(Hyperion, R$ 47,30), em que ensina técnicas para reeducação de crianças.
O canal pago Discovery Home & Health

exibe
atrações semelhantes, como
Anjinhos

e
S.O.S. Babá

. Esses programas demonstram a existência de um público em crescimento: pais que trabalham fora o dia inteiro ou que, se estão em casa, não ficam com os filhos. Resumindo: pais ausentes que não conseguem mais impor limites.






“A
supernanny

vai ensiná-los a educar os filhos. Na maioria das vezes são coisas muito simples, como deixar a criança dormir por um longo período da tarde e sofrer porque ela não dorme à noite”, diz Ricardo Perez, diretor do programa do SBT. As situações registradas não são criadas pela equipe de gravação, que nem pode se comunicar com a família. São momentos reais de tensão, muitas vezes até estereotipados, como crianças que batem nos pais quando são contrariadas ou berram porque não querem comer.




De tão trágico,
Supernanny

acaba sendo cômico, e talvez seja esse o motivo do sucesso de audiência do programa original, que foi reprisado no Brasil pelo canal pago GNT. “É entretenimento e ao mesmo tempo algo que todo mundo tem interesse em aprender a fazer, até quem não tem filhos”, define Perez. Tal identificação tem seu lado de auto-ajuda e um aspecto muito curioso: os pais precisam de alguém que os trate como crianças e lhes diga o que, quando e como fazer. Precisam de uma babá.

Talvez porque educar não é tarefa fácil mesmo e, com tanta informação, acabou se tornando mais difícil. Ou, quem sabe, porque os pais não têm tempo e substituem a atenção do dia-a-dia por mimos e compensações materiais. O fato é que a falta de rotina em muitos lares torna a organização do dia-a-dia da família o primeiro passo da
supernanny

. “O maior problema dessas famílias é não ter horários e regras. Cada um faz o que quer e isso gera uma grande confusão porque uma hora os pais querem botar ordem na casa e não conseguem mais”, analisa a educadora Cris Poli, a
supernanny

escolhida pelo SBT.

Cris, 60 anos, nasceu e se graduou na Argentina. Está no Brasil há 30 anos. É paciente, serena e ao mesmo tempo séria. Tem cara de boazinha, mas não brinca em serviço. “Educar é cuidar, não bajular. Um ato que a gente faz o tempo todo, não só na escola”, ressalta. Ela lembra um pouco Jo Frost e, embora nunca tenha trabalhado como babá, tem cerca de 40 anos de experiência com educação e hoje dá aulas para crianças de sete anos em um colégio particular bilíngüe de Osasco, na Grande São Paulo (SP).



Das experiências que teve como educadora, somadas às gravações do programa, pode afirmar: o mau comportamento dos filhos é sempre reflexo dos problemas dos pais e da maneira como lidam com eles.”Esses conflitos atrapalham a relação do casal. Ou o contrário: se o casal não está bem, acaba passando isso para os filhos”, explica Cris.



Os problemas de comportamento acabam sendo os mais visíveis e as técnicas que a pedagoga usa são, na verdade, simples. “Observar cada criança como um indivíduo diferente, observar suas dificuldades e ensiná-los a superá-las”, diz. Para isso, usa a motivação e não o castigo. “A criança pede limite o tempo todo. Precisa de regras. A partir do momento em que você ensina que o não-cumprimento tem uma conseqüência, ela passa a refletir”, acredita Cris.



As expectativas quanto à audiência desse “serviço” especial prestado aos pais são grandes e espera-se que os anunciantes de marcas infantis simpatizem com o
Supernanny

do SBT, assim como aconteceu na Europa e nos EUA. Enquanto isso, a equipe está em busca de famílias menos tradicionais, de mães ou pais solteiros ou separados, com ao menos dois filhos, para divertir alguns e pôr ordem na casa de outros. A família, independentemente do lugar, parece estar sempre precisando de ajuda.










Entenda como será o programa






1. As famílias se inscrevem pelo
web site

do SBT (



www.sbt.com.br



) e passam por um processo de seleção, em que são considerados os conflitos existentes, o local onde moram (a maioria das gravações é em São Paulo, mas há previsões de expandir para o interior e outras capitais, e a casa tem de ser relativamente grande para abrigar a equipe de gravação) e o número de crianças na casa (o ideal é que sejam ao menos duas).





2. A
supernanny

fica uma semana na casa escolhida. Nos primeiros dois dias e meio, apenas observa. A partir daí, passa a intervir na rotina da casa.




3. Um produtor continua gravando a rotina da casa por mais uma semana.



4. A
supernanny

assiste às gravações e volta para mostrar aos pais o que fizeram certo e errado. Caso as técnicas sugeridas não tenham funcionado para aquela família, ela cria um novo método.


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