As várias histórias da arte

Da pintura rupestre à ilusão de ótica, lançamentos convidam a conhecer diferentes expressões e artistas

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Livros de arte e sobre arte têm chegado ao público com a proposta de proporcionar à criança o contato com diversos movimentos, seja por meio do livro-objeto, seja por jogos relacionados ao conteúdo, narrativas em forma de diário de viagem ou minibiografias dos artistas. A história de vida da mexicana Frida Kahlo (1907-1954), por exemplo, é um dos volumes da coleção “Eu também amo”, da Autêntica Editora.


Em Frida ama sua terra: uma história para conhecer Frida Kahlo, a argentina Silvia Sirkis oferece uma resumida apresentação dos fatos – muitos deles infortúnios – que marcaram vida e obra da pintora. Em alguns momentos, a autora comete imprecisões, talvez por pensar que elas são necessárias para caracterizar a obra como infantil. Um exemplo é sua opção por escrever que a artista tinha uma “feia doença” que paralisava seus músculos, sem mencionar que se tratava de poliomielite. Nada capaz de tirar o mérito do livro, que destaca a identidade existente entre os quadros de Frida e o movimento surrealista, além de sua profunda ligação com as raízes da cultura mexicana.
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Outra minibiografia recém-lançada diz respeito a um artista polonês que chegou ao Brasil com uma passagem paga por Marc Chagall e acabou se naturalizando brasileiro. No livro Encontro com Krajcberg, que compõe a coleção da editora Formato “Encontro com a arte brasileira”, Rosane Acedo e Cecília Aranha contam a história de Frans Krajcberg, pintor, escultor, fotógrafo e gravador, que tem como inspiração e matéria-prima a natureza e o objetivo de preservá-la. O volume mostra que seus relevos, suas telas de pedra e de areia, fotografias e esculturas de raízes e troncos são verdadeiros manifestos da arte e da ecologia. Além disso, propõe uma espécie de jogo da memória com as imagens das obras do artista, que hoje vive em uma casa na árvore, mas também já habitou uma caverna quando morou em Ibiza, na Espanha.


Cavernas, aliás, são os museus naturais descritos por Maria, no livro Serra da Capivara.com, da editora Global. Ao longo de uma viagem com a mãe arqueó­loga para a região de São Raimundo Nonato, sudeste do Piauí, a menina descobre as narrativas do povo primitivo, explícitas nas pinturas rupestres e artefatos de pedra lascada encontrados nos sítios arqueológicos do Parque Nacional Serra da Capivara. Conforme visita esse patrimônio natural da humanidade, Maria escreve diariamente a seu pai sobre seu aprendizado e seus questionamentos, o que pode inspirar as crianças a fazer o mesmo nas próximas excursões.


Como não é todo dia que se pode viajar para conhecer uma obra ou um museu inteiro, eis o livro-objeto. Em Assim ou assado? (Cosac Naify), publicado originalmente em 1964, o multiartista tcheco Dobroslav Foll (1922-1981) coloca o leitor diante de um jogo de ilusão de ótica. Afinal, teria ele desenhado um pássaro ou um avião? Um peixe ou um foguete? Basta deslizar a lâmina de acetato listrada sobre a mesma página para ver uma imagem ou outra. O que é um pelicano pode ser uma tesoura no segundo seguinte e o bebê no carrinho, uma ave no ninho.


Saiba mais:
Frida ama sua terra: uma história para conhecer Frida Kahlo, de Silvia Sirkis, ilustrações de Tomi Hadida e tradução de Cristina Antunes (Autêntica, 20 págs., R$ 25)


Assim ou assado?, de Dobroslav Foll (Cosac Naify, 16 págs., R$ 29)


Encontro com Krajcberg, de Rosane Acedo e Cecília Aranha (Formato, 40 págs., R$ 39,90)


Serra da Capivara.com: os incríveis desenhos desses homens misteriosos, de Denise Crispun e Mariana Massarani (Global, 32 págs., R$ 29,90)







Outras leituras

Um hino de Natal, de Charles Dickens, tradução e adaptação de Cecília Meireles, ilustrações de Lelis (Global, 64 págs., R$ 65)
Publicada originalmente em 1843, a história do velho Scrooge, homem ranzinza que não gosta do Natal, foi traduzida e adaptada por Cecília Meireles na década de 1940 e agora é relançada em versão ilustrada. Um dos textos sobre o Natal mais conhecidos no mundo, a obra do inglês Charles Dickens (1812-1870) merece ser conhecida tanto por quem celebra como por quem não celebra a data.


O que você vê? Uma conversa filosófica, de Marie José Mondzain, tradução de Mariângela Haddad, ilustrações de Sandrine Martin (Autêntica, 180 págs., R$ 34)   
Você acha que basta ver para compreender bem? A conversa entre uma filósofa e uma menina gera questões sobre o mundo e as coisas a respeito das quais não se tem certeza. Mesclando o discurso direto do teatro com o desenho em quadrinhos, a autora apresenta personagens que pensam juntas sobre a realidade, a imaginação, os limites da fotografia e das informações transmitidas pela televisão.


O macaco que duvidava, de Anna Flora, ilustrações de Cláudio Martins (Formato, 48 págs., R$ 29,70)
Um dia, na floresta, o macaco Platão resolve questionar a si mesmo e aos outros macacos por que todos tinham de fazer o que o gorila mandava. Diante de conceitos de filosofia e direito, os personagens fazem uma revolução na rotina da mata. No final, o pequeno leitor encontra propostas de brincadeiras e jogos relacionados à reflexão do livro.


Cultura, de Arnaldo Antunes,  ilustrações de Thiago Lopes (Iluminuras, 48 págs., R$ 35)
Pequenas frases revelam interpretações fora do comum para sentimentos, situações ou características dos animais. O bigode, por exemplo, é a antena do gato e o cavalo é o pasto do carrapato.

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