As Regras não são um problema

Para Waldir Romero, os alunos não se rebelam contra as normas da escola, mas rejeitam a falta de clareza ao impô-las

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Batizado, casamento, aniversário, jogo de futebol e até ensaio de escola de samba. Acontece de tudo na Emef Comandante Garcia D´Avila, no bairro do Peruche, zona norte de São Paulo. Quando começou a se aproximar dos alunos e a fazer atividades abertas à população, o diretor Waldir Romero percebeu a afinidade da comunidade com o samba. Hoje, a escola de samba Morro da Casa Verde ensaia na quadra da Garcia D´Avila, onde também se concentra antes de desfilar no Anhembi pelo Grupo de Acesso do carnaval paulistano. "A escola é um espaço de cultura, arte e lazer totalmente envolvido com a comunidade, com aulas de dança, canto, percussão, judô, caratê e capoeira", diz o diretor. Uma área com churrasqueira, mesas e playground foi construída especialmente para festas. Antes conhecida pejorativamente como "maloquinha", a escola impôs o seu nome e conquistou de seus vizinhos o mesmo respeito que dispensou a eles. Na entrevista, Romero fala sobre indisciplina e violência.



Como você define as diferenças e limites entre indisciplina e violência?


A violência é um processo de desequilíbrio, uma maneira de extravasar os sentimentos
ruins, a angústia. Já a indisciplina é a manifestação da falta de unidade com o grupo. É transgressora, na medida em que mostra que não há uma relação entre as regras e sua compreensão pelos alunos.



Por que existe a confusão entre os termos?


Nós vivemos na era da "idade mídia", em que há excesso de informação e esses conceitos foram banalizados. A partir do momento em que não se consegue estabelecer uma relação afetiva, você confunde tudo. Tem escola que acha que resolve todos os problemas com parafernália tecnológica, mas não é só isso. Educação não é o caderno cheio, é uma atividade que passa pelo afetivo, pelo lúdico. Nós ainda vivemos o mito da racionalidade francesa, da gradação entre o mais fácil e o mais difícil, o mais perto e o mais longe, e assim perdemos a nossa memória afetiva.



Da forma como estão estruturadas, as regras da escola são um convite à transgressão?


As regras não são um problema, os alunos convivem com elas. Quando jogam futebol, eles sabem que se colocarem a mão na bola é falta. O porquê disso está claro para eles. Eles se rebelam não contra as regras, mas contra a falta de compreensão a essas normas, que não ficam claras para eles. Cumprem por cumprir. É preciso criar vivências, para que a formação não fique no abstrato.



Como o educador pode ensinar a importância das regras para o convívio social e, ao mesmo tempo, o cidadão a ser tolerante?


A função do adulto é mostrar que existem regras. Tem que haver envolvimento afetivo e coerência no seu comportamento, pois educar é um processo contínuo.

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