Aprender é fundamental

Psiquiatra consagrado por seu trabalho com a sexualidade dos adolescentes fala da importância do aprendizado constante

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Maurício Moraes*





A atração pelo conhecimento sempre marcou a vida do psiquiatra paulistano Jairo Bouer, de 38 anos. Enquanto cursava medicina na Universidade de São Paulo (USP), ele chegou a prestar vestibular para publicidade e jornalismo. Só desistiu da idéia porque teria de abandonar a outra faculdade. Ao longo de sua vida, Bouer já estudou inglês e francês. Hoje, mesmo com uma rotina atribulada por palestras, artigos para jornais, revistas e sites e programas de rádio e TV, resolveu aprender espanhol e viaja, em breve, para Cuba, onde fará um curso de roteiro.

“Acho fundamental a gente estudar, porque o conhecimento é algo extremamente mutante e faz parte de um processo cumulativo. É muito importante você se manter criativo e cultivar novas linguagens”, explica.



Se o aprendizado virou quase uma obsessão, ensinar tornou-se um ofício. Bouer especializou-se em falar para os adolescentes sobre comportamento, sexualidade e saúde em todas as mídias, sempre em uma linguagem acessível. Acaba preenchendo uma lacuna de muitos jovens que não contam com espaço – na escola ou dentro de casa – para discutir esses temas.

Os primeiros contatos do médico com a comunicação ocorreram no início de 1993, quando terminava a residência em psiquiatria no Hospital das Clínicas, em São Paulo (SP). “Comecei fazendo uma página de saúde na
Folha de S.Paulo

, no caderno
Cotidiano

“, lembra. No fim daquele ano, assumiu outra responsabilidade: uma coluna onde respondia a dúvidas sobre saúde no
Folhateen

, suplemento voltado para os adolescentes. Anos depois, também passou a cobrir congressos de saúde em outras partes do mundo para a
Folha

.



Apesar de sempre ter procurado se expressar de maneira clara e objetiva, Bouer conta que a experiência com o jornal ajudou-o principalmente a traduzir a linguagem médica para o público. Em 1998, ele recebeu o convite para fazer uma coluna mensal sobre saúde e sexo no programa
Turma da Cultura

, da TV Cultura, onde respondia a questões de pré-adolescentes.

Também gravou participações em vários programas da MTV, que lhe renderam um convite para co-apresentar o
Erótica

. Lá, buscava a clareza para lidar com dúvidas sobre sexualidade dos jovens. O sucesso levou-o a fazer outros programas diferentes na emissora e a migrar, no começo de 2003, para o Canal Futura. O comunicador aproximava-se cada vez mais da figura do educador.



No Futura, o psiquiatra fez o
Ao Ponto – Informação do Jeito Que Você Gosta

, um programa de variedades de 10 minutos sobre comportamento, sexo, saúde e relacionamento. A experiência deu tão certo que o
Ao Ponto

ganhou mais uma temporada este ano e passará a ter meia hora. As novas edições estréiam em março, data marcada também para que outro projeto de Bouer vá ao ar.

Feito em parceria com a Secretaria de Estado da Educação de São Paulo, o
Tá na Roda

vai debater a questão das drogas com os adolescentes. Bouer ainda encontra tempo para escrever artigos e colunas, fazer palestras e atender pacientes no seu consultório. Para ele, a mídia exerce um papel importante ao falar abertamente sobre educação sexual e comportamento, mas o psiquiatra acredita que isso precisa ser feito sempre de modo complementar. “A informação tem de ser discutida e ensinada na escola, no contato com o médico e em casa”, acredita.



 




*Da Agência Repórter Social



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