Ana Carla Muniz

secretária de Educação de Mato Grosso

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Qual o diagnóstico que você faz da educação básica no Brasil? Quais os principais problemas, avanços e retrocessos que a educação vive?




A educação básica no Brasil está em constante evolução. Assistimos na década de 90 a uma valorização do ensino fundamental, com a construção e implantação do Fundef. Por meio do financiamento obtido com o Fundef, alcançamos um excelente índice de acesso à escola. Quase 98% das crianças entre 7 e 14 anos estão nas unidades de ensino de todo o país. Contudo, garantir o acesso não é suficiente. Enquanto se construía o acesso ao ensino fundamental, a permanência e a qualidade da educação ficaram em segundo plano. Dados do Saeb demonstram essa realidade.

Desde 1995, o rendimento dos alunos avaliados em todo o país nas disciplinas de matemática e língua portuguesa está caindo. A evasão e a repetência, apesar da implantação das escolas cicladas, ainda continuam muito altas. Além do que, sem políticas de financiamento, o governo federal ainda não conseguiu apoiar suficientemente a educação infantil e o ensino médio, que também ficaram em segundo plano. Estados e municípios sozinhos não conseguem realizar todo esse atendimento.

Agora, com a criação do Fundeb acredito que essa situação vai melhorar. Mais do que financiamento, precisamos discutir o envolvimento de todos na melhoria da qualidade da educação em todas as modalidades e níveis. A Constituição Federal em seu artigo 245 diz claramente que a educação é um direito de todos, mas um dever do Estado e da família, com a contribuição da sociedade.



 





Na sua opinião, qual é o principal desafio para alavancar o desenvolvimento e a qualidade da educação em nosso país?





Na realidade não existe apenas um único desafio para melhorar a qualidade da educação. Para alcançarmos essa qualidade tão almejada temos que desenvolver diversas ações em várias frentes. A formação inicial e continuada dos profissionais é um fator preponderante para esse objetivo. Nesse sentido, as universidades precisam rever os cursos oferecidos e entrar em sintonia com o mercado de trabalho para desenvolver grades curriculares adequadas às demandas existentes na sociedade.

Desenvolver políticas públicas em conjunto também é fundamental para melhorar a qualidade, e o programa
Bolsa-Família

do governo federal é apenas o mínimo. Precisamos atrelar todas as políticas sociais a ações educacionais em todos os níveis, criando uma rede social envolta à educação. Além disso, vejo que a questão do analfabetismo ainda é um entrave. Perdura em todo o país um quadro muito ruim. Quase 12% da nossa população ainda não sabe ler ou escrever. Essa é uma questão que pouco tem evoluído e precisa ser revista pelos governos. Desenvolver aqui políticas sociais conjuntas também é fundamental para resolver a situação. E, claro, conquistar mais financiamento também é necessário para melhorar a qualidade da educação.




 





Em Mato Grosso, quais são os principais desafios enfrentados pelo governo estadual na área?





Em Mato Grosso, a realidade não é diferente da encontrada em todo o país. A avaliação do Saeb revela que a média dos nossos alunos é inferior a média do país em todas as séries avaliadas. A evasão, a repetência e o analfabetismo também estão em taxas muito altas. Para se ter uma idéia, de acordo com o Censo Escolar de 2004, mais de 24% dos nossos alunos reprovaram ou pararam de estudar no ano de 2003. O analfabetismo atinge em torno de 11% dos nossos 2,3 milhões de habitantes, apesar da alfabetização de mais de 24 mil pessoas neste ano, em esforço conjunto do governo federal e estadual.

Estamos investindo fortemente na formação dos nossos professores. Disponibilizamos cursos de formação inicial em todo o Estado, inclusive para 300 professores indígenas, uma ação pioneira em todo o mundo. Estamos oferecendo formação continuada a mais de 16 mil professores, por meio de 12 Centros de Formação (Cefapros), que realizam os seus trabalhos na própria escola, com um projeto chamado
Sala do Professor

. Além disso, vamos começar neste ano uma formação continuada de 18 meses a todos os professores de língua portuguesa e matemática da rede.

Mas volto a ressaltar que o envolvimento de toda a sociedade é muito importante. Já estamos propondo uma rede pela educação, que envolve todas as secretarias estaduais, as prefeituras, o Poder Legislativo e toda a sociedade. Recentemente realizamos um Seminário em Cuiabá, com mais de 2 mil profissionais da educação e toda a sociedade para fazer essa discussão. Vejo que somente com o engajamento de todos, governos federal, estaduais e municipais, a família, a comunidade escolar e toda a sociedade é que vamos mudar a realidade da educação básica no país.



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