Ampliar para cima

Para educadora, expansão do ensino fundamental deveria ser feita com adolescentes de 15 anos

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Quando fala sobre a entrada de crianças de seis anos no ensino fundamental (EF), Maria Carmen Silveira Barbosa é categórica: “


É uma violência”. Ela

trabalha com educação infantil desde o começo da década de 80. Hoje se dedica à vida acadêmica, como professora e pesquisadora do Grupo de Educação Infantil (GEIN) da Faculdade de Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Para Maria Carmen, conhecida como Lica, a ampliação vem sendo feita “se


m uma proposta pedagógica e de olho apenas no financiamento”.
 










Lica se mostra a favor da ampliação, mas defende que ela seja feita no último ano do EF e agregue adolescentes de 15 anos, que hoje estão no ensino médio.






 







Como avalia a inclusão de crianças de seis anos no EF?





Colocar uma criança de seis anos sem experiência escolar numa escola tradicional como a nossa é uma violência. Sem uma proposta pedagógica clara, essas crianças vão acabar sentadas na carteira copiando leitura da lousa
.

Sou a favor da ampliação, mas não do modo como vem sendo feita, sem uma proposta pedagógica e de olho apenas no financiamento. Com o Fundef, alguns municípios viram com isso uma oportunidade de receber mais dinheiro e não se preocuparam com a qualidade do ensino. Logo, teremos números dizendo que foi universalizada a entrada de crianças aos seis anos. Mas e a qualidade disso?






 







O problema seria antecipar a alfabetização?





Não é só a alfabetização na primeira série. É uma questão de disciplina, regras, horários. As crianças que entram muito cedo adquirem certas habilidades, mas deixam de ter outras, quando comparadas a outras crianças, por experiência de vida. Elas são escolarizadas no que há de pior na escola. As crianças num meio letrado estão o tempo todo querendo aprender, entender. Todas têm de passar por um processo de letramento. Isso tem de ser feito de uma maneira informal, sem cobranças.




 





Essa seria uma medida para resolver problemas de uma alfabetização ineficiente?





Essa é uma medida para tentar resolver questões de financiamento da educação, que é realmente um problema. Trabalho com alfabetização desde 1979. A gente já discutia como alfabetizar de um jeito diferente. De lá pra cá, a mudança das primeiras séries foi muito pequena. Achar que rapidamente o processo de alfabetização vai mudar não me convence. Vai levar tempo ainda e por isso acho que não é correto testar essas crianças.





 






Como a ampliação deveria ser feita?





Para mim, a ampliação deveria ser para cima. Ou seja, a criança de seis anos permanece na educação infantil e o adolescente de 15 anos fica no ensino fundamental. Nosso ensino médio tem vagas para apenas 30% dos jovens que concluem o EF.

Os jovens têm uma baixa permanência na escola. É mais uma possibilidade de ter um trabalho, de aperfeiçoar a aprendizagem básica. Isso independe de a criança ser de classe popular ou rica. Ao mesmo tempo em que estamos discutindo a entrada de crianças aos seis anos no EF, na academia discute-se que o jovem chega muito cedo à universidade e não sabe o que quer da vida.




 




 


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