Alunos e professores no RS fazem mutirões para recolher lixo e plantar árvores

Iniciativa ajudou a diminuir enchentes que impediam os alunos de ir à escola

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Néia Dutra
No município de Campo Bom (RS), a professora Vanessa Müller conteve as enchentes em projeto com os alunos

O maior problema na escola municipal onde Vanessa Cristina Müller leciona, em Campo Bom (RS), acabou virando tema de um projeto multidisciplinar e, após três anos de trabalho, o impacto para toda a vizinhança da escola é visível: as enchentes do arroio Peri finalmente foram reduzidas. O projeto nasceu de uma necessidade dos alunos, professores e escola. “Em uma reunião dos docentes no fim de 2011 constatamos que um dos principais motivos das faltas eram as enchentes. O arroio fica a três quadras da escola e, quando dava enchente, muitos alunos ficavam dias sem vir, porque tinham de ajudar a limpar a casa, ficavam sem roupas limpas, perdiam o material escolar”, recorda-se a professora de informática. Entre as ações, as crianças criaram um sistema de alerta de cheias: elas monitoram o nível de água do arroio e soltam mensagens para os celulares cadastrados quando o nível sobe muito. Também já foram feitos diversos mutirões para recolher lixo e plantar mudas. “Tudo partiu de ideias deles: são os alunos que propõem e decidem o que fazer”, diz.

No início, alunos do 6º ao 9º ano foram convidados para participar, fazendo atividades no contraturno. Mas Vanessa nunca perdeu o foco no aprendizado e, para poder mensurar os possíveis resultados, no ano seguinte, junto com a direção, escolheu uma turma de 6º ano para tocar o projeto. Se ainda é cedo para mensurar os impactos pedagógicos – embora haja indícios positivos – as enchentes já diminuíram. “Chegou num ponto que a gente não tinha mais como agir. Era necessário fazer um desassoreamento com máquinas. E este ano, finalmente, as duas prefeituras por onde corre o arroio firmaram uma parceria e começaram o trabalho”, comemora Vanessa, para quem o destaque das ações na mídia local e o fato de o projeto ter sido escolhido para concorrer a um prêmio mundial da Microsoft foram fundamentais.

Vanessa diz ainda que, o professor, embora seja um líder e possa dar o pontapé inicial, não alcançará bons resultados se estiver sozinho. Direção, colegas, alunos e comunidade precisam se envolver. “É importante que o professor se sensibilize com as histórias e as pessoas da comunidade onde ele está inserido. Se eu não me envolvesse, se não me sentisse tocada, não iria adiantar. É um projeto feito com carinho.”

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*Reportagem publicada originalmente na edição 210 de Educação, com o título “Profissão: transformar”

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