Almir Paraca

diretor executivo de desenvolvimento social da Fundação Banco do Brasil

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Como tem sido a experiência da Fundação Banco do Brasil na área de educação desde sua criação? Quais são os planos para o futuro?




A Fundação Banco do Brasil atua no campo da educação por meio de iniciativas nas áreas de alfabetização de jovens e adultos, gestão do ensino, complementação escolar para crianças e adolescentes e, mais recentemente, inclusão digital, envolvendo, em especial, populações excluídas ou em risco de exclusão social.






Desde 1996, a Fundação realiza, em parceria com a Federação Nacional das AABB (Fenabb), o programa de complementação escolar
AABB Comunidade

. A partir de práticas pedagógicas, esportivas e de lazer, o projeto já contribuiu para a inclusão, a não-repetência e a permanência na escola, de mais de 53 mil crianças e adolescentes. No âmbito da educação de jovens e adultos, a Fundação desenvolve o programa de alfabetização
BB Educar

, que utiliza a metodologia dos pedagogos Paulo Freire e Emília Ferreiro para reduzir o analfabetismo no país. O programa já alfabetizou mais de 200 mil pessoas e conta com, pelo menos, 100 mil alunos em processo de aprendizagem. Em 2005, o
BB Educar

realizou a capacitação da primeira turma de alfabetizadores quilombolas, na região norte de Minas Gerais. O projeto-piloto irá atender, inicialmente, cerca de 500 pessoas de 22 comunidades da região de Gorutuba (MG).






Outra experiência é o
Programa


Escola Campeã

, implementado entre 2001 e 2004, em parceria com o Instituto Ayrton Senna, para estimular o compromisso das prefeituras com a melhoria da gestão do ensino fundamental.






Entre os projetos a serem lançados, além do aprimoramento dos programas já existentes, está o
Alimentação Sustentável

, que objetiva construir uma consciência alimentar e nutricional entre jovens e adultos, e o projeto
Alfa Inclusão

, em parceria com o Ministério da Educação. O projeto pretende elaborar publicações sobre a metodologia inovadora de alfabetização empreendedora para promover a inserção dos educandos na realidade social e no mundo do trabalho. Mais do que uma educação utilitária e funcional para atender às demandas de aceleração do crescimento econômico, acreditamos que o grande desafio é promover a cultura da dimensão ambiental e da solidariedade humana. Condições imprescindíveis a uma educação capaz de transformar o indivíduo e a sociedade na direção de uma realização humana plena.




 





Dada a experiência da Fundação Banco do Brasil, que área dentro do setor educacional você entende como a que necessita de mais cuidados?





A partir da experiência da Fundação Banco do Brasil, especialmente com o
Programa Escola Campeã

, entendemos que a área de gestão do ensino é a que mais necessita de cuidados nos dias de hoje.  Acreditamos que uma educação eficaz não é feita de ações pontuais, mas de um conjunto de medidas estruturantes, que abrangem tanto uma melhor gestão dos recursos financeiros quanto a qualidade do ensino. Com base em diversos indicadores que apontam para problemas dentro do sistema educacional brasileiro, o
Escola Campeã

buscou estimular o comprometimento das prefeituras e secretarias municipais de Educação, com a melhoria da qualidade do ensino fundamental. Como resultado, quase 50 municípios definiram um plano anual de trabalho, implementaram uma política de alfabetização para os estudantes e reduziram o índice de faltas de professores e alunos. Em três anos (2001-2003), o índice de aprovação no ensino fundamental teve uma evolução média de 4,6% e a economia de recursos foi de mais de R$ 16 milhões.




 





Qual o diagnóstico que a Fundação Banco do Brasil faz da educação no país nos dias atuais? Estamos melhor ou pior que no passado? Quais os grandes problemas que a educação no país vive nos dias de hoje?





Considerando que a escolaridade média dos jovens aumentou nos últimos anos, acreditamos que o problema da educação brasileira está mais na qualidade e gestão do ensino do que na questão básica do acesso à escola.  Dentre os graves problemas no sistema educacional, podemos apontar o declínio do nível do ensino, os salários baixos dos professores, o analfabetismo funcional e a violência que atinge as escolas públicas. O analfabetismo funcional, ligado à baixa qualidade do ensino, impede que o cidadão reflita e interprete a sua realidade, compreenda seus próprios direitos, ou entre em contato com o mundo informatizado, impossibilitando-o de exercer sua plena cidadania. Por isso, entendemos que o combate ao analfabetismo, a implantação de projetos estruturantes e a melhoria da gestão do ensino são condições prioritárias para o desenvolvimento da educação no país.




 


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