Alfabetização

Respiração oral atrapalha aprendizagem

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Os professores e profissionais da educação devem estar sempre atentos aos
 

problemas respiratórios das crianças e sua relação com os problemas do sono









 


 


Algumas  crianças que são encaminhadas para psicopedagogos, psicólogos e outros profissionais por apresentarem “dificuldades” na aprendizagem ou comportamento considerado “indesejado” em sala de aula. Mas, na realidade elas podem apresentar algum impedimento físico que independa de herança genética (” igual ao tio…”), da vontade  (“tem preguiça…”) ou de problemas emocionais e pedagógicos.



Um destes problemas é a síndrome do desconforto respiratório do sono na infância, uma doença que  interfere potencialmente no desenvolvimento e no aprendizado das crianças. Esta é uma das conclusões da pesquisa “




A influência da respiração oral no processo de aquisição da leitura e escrita”,

realizada com crianças em fase de alfabetização no ensino particular de São Paulo.




Apresentada no 5º Congresso Brasileiro de Otorrinolaringologia Pediátrica em Belo Horizonte (MG), a pesquisa foi desenvolvida na PUC-SP por uma fonoaudióloga, uma médica otorrinolaringologista e uma psicopedagoga e reuniu  visões de profissionais que lidam diretamente com os respiradores orais em cenários diversos.





O que muitos pais, fonoaudiólogos, médicos e professores percebem é que em todo grupo, em  fase de alfabetização, há  alguma criança com um tempo mais lento na aquisição da linguagem escrita e, muitas vezes, ela é rotulada como um aluno com dificuldade, agitado e desatento.



Na pesquisa, o grupo apresentava um número maior de crianças pré-silábicas, silábicas e silábicas-alfabéticas. E mostrava que algumas crianças que são avaliadas como tendo distúrbio de linguagem escrita, deficiência, fracasso, dificuldade ou problema, devem ser encaradas somente como crianças que sofrem uma interferência de um fator capaz de retardar a aquisição desta linguagem.



A respiração oral é um dos sintomas mais freqüentes nas crianças que se encontram na fase de alfabetização. Está presente em cerca de 12% das crianças nesta faixa etária e deve ser considerada como uma influência importante. 




As causas mais comuns da respiração oral são os processos obstrutivos das vias aéreas, dentre elas a rinite alérgica e o aumento de amígdalas e adenóide. Além disso, a pesquisa  que  avaliou 292 crianças em fase de alfabetização, revelou uma forte correlação entre o distúrbio respiratório e os problemas disciplinares, que seriam crianças irrequietas, agitadas e agressivas, com hiperatividade, distúrbios de atenção e comportamentos inadequados.






O professor e o orientador educacional devem estar atentos a reconhecer as crianças com problemas respiratórios. Estas crianças respiram sempre pela boca. Têm um ar cansado e um olhar perdido. Geralmente são crianças desatentas e agitadas. Na conversa com os pais deve-se perguntar sobre problemas do sono, roncos, paradas respiratórias ou engasgos.

O sono destas crianças é geralmente agitado e não raramente elas urinam na cama (enurese) ou continuam a usar  fraldas noturnas até uma idade mais avançada (4 ou 5 anos). É durante o sono que se exacerba o desconforto respiratório na criança. Este  torna-se extremamente conturbado devido `a sensação de sufocamento e baixa do oxigênio sanguíneo resultante das paradas respiratórias.

O baixo oxigênio provoca problemas de memória e intelectuais, tais como dificuldade de memorização de novos eventos, alterações da capacidade cognitiva e conseqüentemente, problemas com aprendizado. Na fase de alfabetização, este processo é mais danoso, pois é nesta fase da vida que os estímulos para o aprendizado e o desenvolvimento cognitivo, da linguagem e expressão fazem-se mais importantes, afetando todo o desenvolvimento da criança.

 

Os professores e profissionais da educação devem estar sempre atentos aos
 

problemas respiratórios das crianças e sua relação com os problemas do sono, a fim de orientar os pais na busca de um diagnóstico e tratamento  específicos o que pode favorecer a retomada deste processo de aquisição da linguagem escrita.

A pesquisa nos traz dados que servem para amenizar a carga lançada por pais e professores ansiosos sobre estes alunos, além da expectativa dos próprios alunos sobre seu rendimento.

Concluímos que os professores e profissionais da educação devem estar sempre atentos para identificar estas crianças e orientar seus pais a buscar um diagnóstico e tratamento adequados.



A melhor maneira de amenizar o desconforto do respirador oral é a conscientização dos pais, professores e médicos, o que permite que as  intervenções necessárias sejam realizadas no momento mais apropriado.









Por Kátia A. Kuhn Chedid – pedagoga, psicopedagoga e orientadora educacional do Colégio Dante Alighieri, e


Renata C. Di Francesco, médica otorrinolaringologista








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